sexta-feira, 23 de novembro de 2012

CAPÍTULO OITENTA.


-Amiga você mandou o Lucas pegar algo no meu quarto?
-Não, por que? Ela me olhou assustada.
-Não? –Arregalei meus olhos. –Ele entrou no meu quarto e revirou uns papeis e disse que foi você que pediu...! Olhava pra ela.
-Não mandei ele pegar papel nenhum Manuela, quer? Ela me ofereceu brigadeiro.
-Amiga ele mexeu nas minhas coisas e... Sabe de alguma coisa do Gabriel?
-Você tá pensando que meu namorado futucou suas coisas por ordem do Gabriel?
-Não to falando nada... Você comentou da minha gravidez pra ele?
-Ai amiga... –Ela me olhou. –Escapou!
-Escapou? Ah! Bia! Seu namoradinho deve ter contado, por que "escapou" para o Gabriel! Saí irritada, para meu quarto.
-Desculpa! Ela gritou da sala.

Depois de saber que o Lucas estava ajudando o Gabriel com algo, não consegui dormir. A Bia tinha contado ao Lucas sobre minha gravidez e com certeza o Gabriel sabia que o Luan ainda não estava sabendo de nada. No meio da noite revirei os papeis, mais uma vez, e dei por falta de um dos meus exames e meu coração disparou, só de imaginar o que o Gabriel estava aprontando.

As semanas passaram rápidas e eu e a Bia choramos ao lembrar que nos despediríamos por definitivo quando as férias dela acabassem e ela voltasse para Nova York.

Eu e o Luan nos falávamos mais e ele me passava mais nervosismo quando nos falávamos. Ele estava bastante empolgado com tudo, assim como eu, mas eu estava mais ocupada em pensar como eu o esconderia a gravidez e como contaria para a minha mãe e para o Di.

Os dias se passavam e minha saudade do colo da Di e do abraço da minha mãe só aumentava. O Di passou a me ligar mais e eu o disse que teria uma notícia boa para dar a ele quando chegasse e ele se mostrou curioso. Meus enjoos diminuíram, mas não me deixaram. A cada dia que passava eu notava uma diferença em meu corpo e minhas tonturas me acompanhavam, regularmente. Meus enjoos vinham mais pela noite e meu sono, onde quer que eu encostasse eu tinha que ter cuidado para não dormir.

Quando, finalmente, chegou nas semanas que antecediam a minha volta e as férias da Bia, começamos a arrumar tudo, aos poucos, na mala e comprar presentes para todos. Eu percebi que o Gabriel, ainda não tinha feito nada e fiquei tranquila, por que o Luan ainda não tinha comentado nada, comigo, o que não me deixava menos preocupada, mas, apenas, aliviada.

Faltava apenas uma semana pra abraçá-la e isso estava me deixando com nervos a flor da pele, estava morrendo de saudades dela e passei a ligar mais vezes para ela. Liguei para o Diego que prontamente disse que me ligaria avisando sobre sua chegada e o agradeci. Passei a sonhar com nosso encontro e várias noites a Bruna entrava no meu quarto pra me acorda dizendo que gritava por ela. A saudade estava enorme e quando não podia ligar pra ela pela minha agenda de shows ficava pensando se ela se perguntava o porquê, que não havia ligado.

A semana passou rápida e finalmente faltava apenas dois dias para vê-la liguei para o Diego e rimos no telefone, ele fazia piadinhas do meu nervosismo para encontrá-la. Estava no meu quarto ouvindo música quando Bruna entrou com um envelope na mão a olhei agradecendo que logo, em seguida, saiu. Abri por curiosidade achando ser um dos meus exames que tinha feito e comecei a ler sem entender.

Com o decorrer da leitura meus olhos encheram de lágrimas, ainda não acreditava que estava lendo aquilo e pra ter certeza li mais de uma vez, conferindo cada palavra. Meu estomago parecia que estava dando um nó, minhas pernas tremiam e senti minha testa soar diante do que estava em minhas mãos. Era um exame de gravidez da Manuela, mostrando que estava tudo bem com a criança e que ela estava no terceiro mês da gestação. Sorri e ao mesmo tempo uma lágrima caiu, deslizando pelo meu rosto, e lembrei que ela havia metido pra mim, o que me fez ficar chateado, ela sabia que odiava mentiras e mesmo assim insistiu em me enganar.

CAPÍTULO SETENTA E NOVE.


-Trago, claro!
-Valeu! –Respirei fundo, mais uma vez e voltei a falar com ele. –Oi amor desculpa, precisava pedir a Bia uma coisa!
-O remédio de enjoou para o afilhado da Bia?

Quando o ouvi falar aquilo meu coração disparou e eu gelei, por inteira. Ele tinha ouvido a minha conversa com a Bia e já tinha ligado os pontos, o Luan não era burro. Engoli em seco e pensei em alguma desculpa, mas nada vinha, então, decidi o enrolar.

-O que? Não te escutei! Acho que a ligação ficou ruim! 
-Manuela, você tá mentido pra mim outra vez!
-Eu, mentindo o que? Luan eu não estava te ouvindo direito, o que você me perguntou? A Bia entrou no quarto e eu mandei ela ficar quieta. Ela me entregou o remédio e saiu.
-Você tá grávida? E esse filho é meu não é? Eu não sou burro, eu lembro que esquecemos de usar camisinha daquela vez!
-Eu grávida? –Fingi uma risada. –Tá doido, né? Eu tomei o remédio, daquela vez! É brincadeira da Bia, por que hoje eu comi uma coisa e não me fez bem! Menti.
-Tá...!
-To falando a verdade! Ah! Olha o que você faz! A gente estava bem e você sempre arranja uma desculpa, pra brigar comigo... To cansada disso! Tentava mudar de assunto.
-Desculpa, desculpa amor não quero brigar com você. Quando volta para o Brasil?
-Tudo bem...! –Respirei aliviada. –Agora no final de Novembro, mas eu vou direto pra minha casa, tá?!
-E eu vou lá pra gente poder conversar melhor!
-Tá! Estava com saudade da sua voz... Mais mocinho, você está se cuidando?

Ficamos durante horas conversando, não cansava de ouvir sua voz me chamando de amor, sorria a cada vez que isso acontecia. Assim que desligamos por ela dizer, que estava com sono, fiquei imaginando nós dois juntos depois disso tudo e respirava fundo querendo que isso logo acontecesse.

Os dias se passaram e passei a ligar mais vezes pra ela, queria acompanhar a chegada dela no Brasil e conversar assim que ela chegasse, não queria perder mais tempo e ficar de vez ao lado da mulher que amo.

Os dias estavam passando devagar, eu queria logo que chegasse o final de Novembro para eu voltar ao Brasil. Com minha volta a Bia iria ficar morando sozinha, e o Lucas estava, cada vez mais, presente em nosso apartamento.

Eu e o Luan nos falávamos com mais frequência ele estava mais ansioso que eu pela minha viagem e a única coisa que me preocupava era como eu iria me sentir com uma viagem longa, no avião, por eu está grávida.

No escritório fazia uma semana sem o Gabriel, ele foi demitido depois de uma sequência de relatórios dele estarem errados e eu quando ele saiu simplesmente falei: "Eu disse que você se arrependeria!". Ele me olhou feio e eu sorri o dando tchau. Depois do trabalho fui para a médica fazer outro exame e quando cheguei em casa a Bia estava com o Lucas, fui direto para meu quarto, tomar um banho.

-O que você quer aqui Lucas? Olhei pra ele assim que saí do banho e vi uns papeis revirados.
-A... A Bia me pediu pra pegar uns papeis aqui!
-Sei...! Já pegou? Por que eu preciso de privacidade! Falei séria.
-Já sim! –Ele deu um sorrisinho. –Desculpa! Ele saiu do quarto com um envelope na mão.

Me arrumei, depois de ter arrumado os papeis e não senti falta de nada. Dormi e quando levantei encontrei a Bia comendo brigadeiro e assistindo TV. Me lembrei do comportamento estranho do Lucas e, enquanto pegava água na geladeira olhei pra Bia.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

CAPÍTULO SETENTA E OITO.


"To, bem! E você, se cuidando, amor?"

Sorri ao ver que ela havia respondido e li aquela mensagem por diversas vezes, eu tinha errado de não ter acreditado nela e ficado ao seu lado, me senti o cara mais idiota do mundo por ter errado daquele jeito com ela que a dizia amá-la tanto.

"Sem você aqui nada fica bem. Eu tô indo!"

Deitei, ainda enjoada na cama e controlava a vontade de vomitar. Me enrolei, com o lençol, e me encolhi na cama, aquela noite os enjoos estavam piores. Vi o celular tocar, novamente e sorri ao ler a mensagem dele.

"Sem você, também, não fico bem! Estava precisando tanto de você, agora..."

"Vou te ligar, posso?"

Pensei antes de responder, estava com medo de ele perceber que eu estava mal, ao ouvir minha voz. Mais a minha vontade de ouvir a voz dele foi maior.

"Claro que pode amor!"

Sorri ao ver sua reposta e respirei fundo, durante todo esse tempo queria abrir meu coração pra ela, lhe pedi desculpas por não ter acreditado nela, sentia sua falta e não fazia questão de esconder de ninguém. Me sentei na varanda olhando pra lua e demorei, um pouco, para criar coragem e ligar pra ela. Desde que tivemos aquela noite não consegui ficar com outra mulher, ela ocupava todo espaço no meu pensamento e cabeça o que me fazia pensar nela 24 horas por dia. Respirei fundo discando seu número e quando ouvi sua voz me chamando de "amor" meu coração acelerou descompassado. Precisava ser direto com ela e se enrolasse demais ia mais uma vez acabar fraquejando.

-Manuela, antes de dizer qualquer coisa quero que me escute, pode ser?

Estava na cama, ainda controlando meus enjoos, quando o celular tocou. Atendi ele com um "oi meu amor!" e sorri. Estava morrendo de saudades dele e ao ouvi sua voz meu enjoou diminuiu, mas ainda me incomodava. Ele disparou a falar quando atendeu e eu queria ouvir o que ele tinha pra me dizer.

-Fala, amor!
-Manu eu... Eu errei com você naquele dia no hotel, eu devia ter acreditado em você, na verdade, eu acreditei só que estava confuso, mas quero que sabia que em momento nenhum duvidei do seu amor, não sei o que deu em mim. Eu me comportei feito um idiota e perdi a mulher que amo por uma coisa que ela nem fez, se você soubesse como me sinto mal quando me lembro desse erro que cometi com você. Olha... No dia da mordida eu realmente havia ficado chateado mais depois que vi você com aquela carinha de culpa meu coração na mesma hora se derreteu e comecei a fazer dengo pra você querer vim cuidar de mim. Eu sei que foi idiota por que, mais uma vez, você me levou a sério. Me desculpa por todas as vezes que errei com você. Olha todas as esses erros foram na tentativa de acertar com você. Minha intenção é te fazer a mulher mais feliz desse mundo, te fazer sorri sempre e mesmo com as dificuldades estar ao seu lado. Posso não ter sido o melhor namorado do mundo mais eu tentei e... Quero continuar tentando por que te amo demais ainda e desde que nos separamos naquele quarto de hotel meu amor por você multiplicou e não consigo parar de pensar em você um segundo. Onde eu estou e qualquer coisa que faça você estar nos meus pensamentos. Por favor, eu não aguento mais viver sem você!

O ouvi atentamente e a cada palavra dele o meu sorriso ficava maior e as lágrimas, em silêncio, caíam. Saber que ele havia acreditado em mim e que estava culpado por ter feito aquilo, por ter me tratado friamente, foi um alívio ouvir. Mais pareceu que as palavras dele me emocionaram demais, por que depois de ouvi-lo saí correndo, o deixando sem resposta no celular, para vomitar.

Algo dentro de mim me pedia para que eu não o contasse, mesmo sabendo que ele me procuraria quando eu chegasse a Salvador. Permaneci no banheiro durante um tempo, não deu tempo para pedi que ele esperasse, um pouco, estava com medo de ele achar que eu não queria respondê-lo ou que achasse que eu não tinha gostado, mas meu enjoou foi muito mais forte.

-Manu? Você... Tá ai?

Voltei do banheiro deitando na cama, pegando rápido meu celular, para saber se ele ainda me esperava. Depois de me cobrir, meu coração disparou com medo de ele ter desligado.

-Amor, ainda tá ai? Perguntei com a voz fraca.
-O que você tem? Que voz é essa?
-To bem! –Respirei fundo. –Olha... Eu também te amo muito e não consigo ficar sem você! Minha voz ainda saia fraca, por causa do enjoou.
-Então... Quando você volta a gente pode conversar e quem... Quem sabe se acertar?
-É... Pode ser, falta pouco! –Via Bia passar pela porta. –Amiga vem cá! Amor um minuto! Chamei ela e afastei o celular de mim.
-Oi amiga, nossa você tá pálida. Meu afilhado tá bem?
-Fala baixo! –Mostrei o celular a ela. –Traz o remédio de enjoou pra mim? Eu não consegui saí da cama! Olhei pra ela.

Ouvi algo parecido com "afilhado" e senti meu coração disparar de uma forma que nunca, mesmo com o tempo passando, saberia explicar. Tentei piscar mais meus olhos estavam vidrados em algo que não conseguia compreender. Minhas pernas tremiam e lembrei a nossa noite que estávamos tão animados que esquecemos de usar camisinha, não falei nada escutando a conversa e ouvi bem ela pedindo remédio de enjoou.

CAPÍTULO SETENTA E SETE.


Um mês já tinha se passado do nosso encontro e nos falávamos pouco, mas eu tinha começado a sentir tonturas, enjoos e estava com muito sono. Eu não estava me alimentando direito, não estava fazendo nada certo comigo mesma, por isso aquela reação do meu corpo. Quando eu estava no banheiro a Bia me esperava no meu quarto com a expressão séria.

-Toma, faz esse exame aqui. Agora! Ela me entregou um exame de gravidez.
-Ah! Vai, amiga! Ri olhando pra ela.
-Manuela, agora! Ela falou firme.
-Ah! Amiga, sério! Sentei na cama.
-Amiga você me disse que transou sem camisinha com o Luan, e agora tá enjoando, toda hora fica tonta, vomitando e esse sono. Quanto tempo sua menstruação não desce?
-Mais eu tomei...! Merda esqueci o remédio! –Levantei andando de um lado à outro. –Não sei! Tem um tempo já! Olhei pra ela.
-Toma! Faz esse exame e tira essa duvida!

Olhei pra ela assustada e não queria acreditar que eu tinha dado um vacilo daqueles. Peguei o exame e entrei no banheiro, eu sabia que iria dá positivo o resultado, já era de se esperar. Eu e o Luan, nunca fomos de esquecer, mas aquelas vezes foram tão intensas e cheias de saudade que esquecemos tudo e só lembramos a nossa saudade.

-O que eu faço, se der positivo? Saí do banheiro olhando para a Bia.
-Você vai ligar para o Luan e contar a ele ué! Ele é o pai, não é?! Então?!
-Não! Olhei pra ela desviando para o exame.
-Ah! Vai! Senão conto eu! Ela me olhou e tomou exame da minha mão.
-Amiga eu não vou contar! Sabe por quê? –Tomei o exame de volta. –Isso só vai atrapalhar ele e a carreira dele... Não quero que ele fique comigo por causa disso! Falava olhando pra ela segurando firme o exame.
-Pára, não fala assim! Ele é o pai e outra... Vocês se amam!
-Sim! Mais eu...! –Olhei para o exame e ao ver o resultado uma felicidade me dominou. –To grávida! Sorri olhando pra ela.
-Ai meu afilhado! Bia sorriu e me abraçou.
-Amiga, sério! Não conta, nada, por favor! Me afastei dela.
-Você que sabe amiga, mas daqui à dois meses são as férias e vamos para o Brasil, você tem certeza? Ainda acho que ele tem o direito de saber!
-Tenho! Não quero atrapalhar, nada! Deixa pra depois...! Me deixa sozinha?
-Tá, bom! Ela beijou minha testa e saiu fechando a porta.

Sentei na cama e olhando o exame eu lembrei as nossas loucuras e momentos de amor, sorri e deitei na cama alisando minha barriga. Fechando os olhos imaginei ele sabendo aquela notícia e pude ver o sorriso dele, lindo, se estampar em seu rosto. Mais não iria contar a ele, tinha medo de atrapalhar a carreira dele dando essa notícia e poder o prejudicar. Depois de um tempo, acabei dormindo, com a mão na minha barriga.

Depois daquela vez que nos falamos no hospital, nos falamos por poucas vezes, o que me deixou morrendo de saudades dela. Mandava várias mensagens pra ela que me respondia prontamente. Aquela saudade estava me maltratando discava várias vezes o número dela e não tinha coragem de ligar e falar pra ela tudo que estava sentindo dentro de mim.

Passei cinco dias em casa com meus pais, não quis viajar e nem sai do meu quarto, nem falar com ninguém. Estava morrendo de saudade dela e isso estava acabando comigo aos poucos, não conseguia parar de pensar nela um segundo e a Bruna por diversas vezes tentava falar comigo mais não abria a porta do meu quarto, não queria ver ninguém.

Passei os dias cuidando de mim e a Bia me ajudou a controlar minha alimentação. Fui para o médico ver como tudo estava, mas eu queria mesmo voltar ao Brasil, ainda não tinha contado nada para a minha mãe nem para o Di, eu queria contar pessoalmente.

As poucas vezes que falava por mensagem ou por celular com o Luan eu queria contar a ele, mas eu não queria o atrapalhar com aquela notícia e nem o preocupar. Passei a procurar concursos para eu fazer, já que eu tinha pedido minhas referências no estágio e no final do ano voltaria de vez para o Brasil.

Acordei uma noite angustiado e com muita saudade dela, estava sozinho no quarto do hotel da cidade onde tive show, fui até o banheiro molhando a nuca e me sentei na cama pensando, até que criei coragem e lhe mandei uma mensagem.

"Você tá bem? Acordei agoniado de saudade. Beijos, seu Luan"

Eu estava dormindo na cama, quando levantei sentindo uma forte vontade de vomitar. Do banheiro ouvi meu celular tocar em sinal de mensagem, saí meio enjoada do banheiro e peguei o celular lendo a mensagem dele, sorri.



quarta-feira, 21 de novembro de 2012

CAPÍTULO SETENTA E SEIS.


No estágio me distanciei do Gabriel, cortei todas as relações com ele, mas as coisas no estágio, pra ele, começaram a dá errado e eu apenas observava de longe e ria, não perdi uma oportunidade de fazer a vida dele se desorganizar. Eu deixei que a raiva do Gabriel substituísse as lembranças do Luan me afastando de qualquer ligação que eu tinha do Luan.

A primeira semana da turnê passou atribulada, estava cansado demais, já tinha duas noites sem dormir e isso estava me deixando exausto. Deitei na cama mais quando estava prestes a dormi Roberval me pediu que me arrumasse para viajamos para próxima cidade na qual teria uma coletiva de impressa para o show de mais a noite. Me arrumei rápido e logo desci encontrando com eles. Entramos na van e seguimos para o aeroporto onde entramos no bicuço e seguimos viagem pra Minas Gerais.

A coletiva foi tranquila, apesar de estar cansado não quis demonstrar isso para os meus fãs, atendi todos que estavam na frente do hotel usando o tempo livre que tinha pra descansar e logo depois fui almoçar. O show seria fechado para uma rádio local e seria para somente 300 pessoas, o que me deixou tranquilo. A noite comecei a me arrumar para o show e logo chegamos ao local que estava tranquilo, mas tinham umas 8 meninas ao lado de fora chorando, desci da van pra falar com elas e mandei Well mandar elas entrarem e assistir o show no local especial pra depois pode falar com elas.

Atendi a impressa como sempre e tirei várias fotos com uma repórter muito simpática. Após atender todos segui para o palco ao som de "Você não sabe o que é Amor". Durante a música senti uma tontura estranha mais continuei a cantar até que novamente senti, novamente, dessa vez mais forte e tudo ficou escuro.

Estava em casa, depois de mais um dia cheio no estágio e assistia TV, enquanto a Bia tinha saído com o Lucas. Acabei cochilando no sofá com o notebook no colo. Tive um sonho estranho com o Luan, mas o final dele me assustou; vi o Luan cair no chão e eu acordei gritando, assustada, quando a Bia abriu a porta veio correndo até mim.

-Amiga o que houve?
-O Luan! Amiga o Luan...! A olhei assustada.
-Calma, bebe água toma! –Ela me entregou um copo com água e eu tomei. –Agora me conta o que tem o Luan?
-Sei lá! Um sonho que eu tive, mas amiga eu tenho certeza que é real! Procura saber dele, pra mim, por favor! A olhei bebendo água.
-Calma! –Ela pegou notebook abrindo o site do Luan e parou ao ler algo. –Vou ler uma coisa, mas fica calma, tá?
-Tá! A olhei com atenção.
-O cantor Luan Santana passou mal durante sua apresentação em um show fechado organizado por uma rádio local na madrugada deste sábado (5), em Minas Gerais. A assessoria de imprensa dele e a organização do evento confirmaram que ele sofreu uma indisposição e não volta ao palco. Segundo informações preliminares da organização do evento, ele teria vomitado, o que foi negado pela assessoria dele. Durante o atendimento que ele recebeu atrás do palco, por alguns segundos o som do microfone usado por ele permitiu que a conversa vazasse para o público, dando indicativo de que ele estava mesmo passando mal!
-Ai, meu Deus! E ai fala alguma coisa de agora? Ele tá bem agora? Procura mais amiga... Anda!
-Diz que ele foi para o hospital fazer exame, mas que passa bem amiga!
-Mesmo assim... Faz um favorzão pra mim? Peguei meu celular.
-Diz! Ela me olhou.
-Liga para o Rober, pra mim e pergunta a ele como o Luan tá? A olhei entregando o celular.
-Ligo! Ela pegou celular da minha mão discando os números e me olhou, enquanto chamava colocando no viva-voz.
 -Manuela? Rober se assustou.
-Não, Rober! É a Bia!
-Ah, oi Bia!
 -Então, é que eu vi uma matéria do Luan... Queria saber como ele está! Por que a Manu vai acabar sabendo e eu queria ter uma notícia, pra caso ela ficasse preocupada... Entende? Fazia gestos para que ela não contasse de mim.
-Ah, entendi! Ele tá bem Bia, graças a Deus só foi um susto! A pressão dele caiu por não estar se alimentando direito, sabe né? Dor de amor!
-É tem uma pessoa que eu to cuidando que está bem assim! Sei o seu sofrimento,... Daríamos ótimos enfermeiros! –Ela riu. –Ah! Diz a ele que ela esses dias também estava passando mal aqui tonta, enjoada e nada de comer! Bati nela e ela fez cara feia.
-Ela não estar por ai? O Luan acabou de acordar, acho que faria bem falar com ela!
-Se ela está por aqui, para o Luan falar com ela? –Ela me olhou e eu sorri. –Por um acaso apareceu aqui! Ela riu.
-Vou passar pra ele! Rober riu.
-Toma! Ela me deu o celular e meu coração disparou.
-Alô! Luan falou e sua voz estava meio embolada.
-Oi Lú! O que você tem? Soube agora! Levantei indo até a varanda.
-Oi meu amor, eu tô bem! Não precisa se preocupar!
-Tá mesmo? É que... fiquei preocupada, amor! Sorri ao ouvir ele me chamar de amor.
-Só foi um susto, esse mês a turnê tá meio pesada!
-Mesmo assim, você tem que comer direito, descansar... Promete que vai se cuidar?
-Prometo, mas você tem que fazer o mesmo! O Rober tá aqui dizendo que você também não tá se alimentando!
-Tá! Mais é coisa da Bia!
-Agora tenho que desligar, tô indo para o hotel descansar. Se cuida!
-Ok! Beijos, mas se cuida mesmo! Desliguei sentindo uma tontura.
-Amiga! –Bia se levantou rápido vindo até mim. –Que foi?
 -To, tonta! Só...! Saí correndo para o banheiro e acabei vomitando.

CAPÍTULO SETENTA E CINCO.


-O que você ganha com isso?
-O que eu ganho com isso? Como assim? O olhei sem entender.
-O que você ganhar me enganando?
-Te enganando? –Ri nervosa. –Eu não estou te enganando Luan! Olha pra mim, e você vai ver! Nossa! Parece que você não me conhece, que a gente se conheceu ontem transou e pronto! Luan você e eu sabemos que não foi só isso, por que se não eu nem estaria aqui, não é isso?! Você me conhece, sabe da minha história e sabe que eu não estou te enganando... Talvez por você estar nervoso, eu sei eu também ficaria se te visse beijando outra pessoa, como eu ficava lá em casa imaginando você pegar aquelas mulheres. Mais não deixa isso te cegar e enxerga o que tá na sua frente! –Respirei fundo e cheguei mais perto dele. –Olha pra mim, eu to desesperada em uma tentativa esperançosa que a pessoa que eu mais amo na vida, me perdoe por uma coisa que eu, simplesmente, não queria!

Ouvi ela falar aquelas palavras e fechei meus olhos respirando fundo, realmente aquela noite envolvia muito sentimento, e dava pra perceber pelos toques, beijos, e as declarações. Senti ela se aproximar de mim e me contive pra não vira de frente pra ela, continuei de costas e na minha cabeça passava todos os momentos que passamos juntos; todas as nossas de amor, nossos beijos e por fim nossa despedida naquele aeroporto de São Paulo, abaixei a cabeça olhando para o chão e novamente respirei fundo.

-Amor, olha pra mim, por favor! Peguei no braço dele, deslizando até sua mão

Virei olhando-a e quando a encarei percebi seus olhos vermelhos, talvez por estar chorando. Olhei pra minha mão e ela segurava firmemente e voltei meu olhar pra ela, eu sabia que se ela entrasse e a gente conversasse iria dá nisso. Mais no fundo algo me dizia que ela estava falando a verdade e que perante o tamanho do nosso amor ela não me enganaria daquele jeito.

-Eu sei que é difícil, mas acredita em mim, por favor! Eu te amo, eu não teria coragem de fazer isso, não mesmo! O olhei os olhos.
-Eu tô confuso...
-Tudo bem, eu entendo! Não vou mais ficar insistindo... Tudo o que eu tinha pra falar e fazer eu já fiz e falei! Não quero te confundir, ainda mais, nem ficar insistindo! –Larguei a mão dele. –Boa viagem, tá?! Manda um beijo pra o Di a Carol, se você ver, de novo, por favor! Me afastei dele.
-Tá!
-É... to indo! Foi bom te ver, vou ficar com saudade! Uma lágrima caiu e minha vontade era de correr até ele e o beijar, mas eu me segurei.
-Também vou senti sua falta! Ele disse baixinho abaixando a cabeça.
-Se quiser conversar, sabe que eu, pra você, estou disponível vinte e quatro horas! Abri a porta e com um aperto imenso no coração saí do quarto

Quando ela saiu do quarto minha vontade era de correr atrás dela e abraçá-la pra nunca mais soltar, mas estava confuso demais. Muitos pensamentos invadiam minha cabeça naquele momento e não queria tomar nenhuma decisão que fosse me arrepender depois. Me sentei na cama com as mãos no rosto e fiquei ali parado me sentindo o cara mais idiota do mundo por deixar a mulher que ama ir embora sem tentar impedi-la.

Saí e encontrei com o olhar pesado e curioso de todos, agradeci a Bruna e ao Roberval pela força e me despedi de todos, lhes desejando boa viagem. Desci, preferi assim, sozinha e no elevador eu não pudi conter minhas lágrimas, mais uma vez, eu e ele estávamos nos despedindo sem sabermos ao certo o futuro. Peguei o táxi indo pra casa e quando cheguei, deitei minha cabeça no colo da Bia e chorei tudo que estava preso, ela apenas me fazia carinho e me deixou desabafar.

Roberval entrou no quarto e talvez por respeito não tocou no assunto, Well pegou minhas coisas com a ajuda dos funcionários e descemos para o hall, desci abraçado com a Bruna e entramos no carro seguindo para o aeroporto. Não demorou muito para o nosso voou ser anunciado e finalmente decolar para o Brasil, estava com saudade dos meus fãs e naquele momento percebi que já não podia mais viver sem nenhum deles.

Dormi durante toda viajem, e quando dei por mim já estávamos pousando em São Paulo. Bruna me acordou e seguimos para uma sala onde esperamos o próximo voou para Londrina. Assim que entramos no avião encostei minha cabeça ao ombro da minha mãe e dormi feito pedra, estava cansado demais da viajem. Assim que chegamos em Londrina fomos direto para casa e sem falar nada segui para o meu quarto, deitei em minha cama e antes que as lembranças invadissem minha cabeça dormi.

A semana passou rápido fazendo minha folga acabar, peguei uma das turnês mais pesadas, seria 29 shows no mês. Me despedi dos meus pais e da minha irmã e segui para o Rio de Janeiro onde seria um dos primeiros shows depois da minha folga.

Segui fazendo minhas coisas, mas foi difícil dormir no meu quarto, por vezes dormia no sofá por que o cheiro dele tinha ficado no quarto, ou era meu desejo de tê-lo por perto que me fazia sentir o cheiro dele...


terça-feira, 20 de novembro de 2012

CAPÍTULO SETENTA E QUATRO.


-Ah! Só pra você saber... se você quiser saber o outro lado da história é muito simples; a Manu vai tá te esperando! A Bruna chegou até a porta e o olhou vendo ele a olhar.
-Manda ela embora, por favor?
-Tem certeza?
-Quero colo! Ele fez bico.
-Olha eu posso até dá, mas acho que o dela seria melhor! –A Bruna sorriu. –Mesmo que eu mande ela ir embora, do jeito que ela tá, acho que ela não vai, não!
-Eu não quero vê-la, vem cá! Ele estendeu a mão.

A Bruna sorriu indo até ele e sentando ao seu lado. O Luan colocou a cabeça sobre o colo dela e ela começou a lhe fazer carinho no cabelo. Ele fechou os olhos ao sentir os carinhos da irmã e ficou quieto.

-Eu acho que você deveria pelo menos conversar com ela. Ela está desesperada lá fora!
-Ela tava beijando outro cara depois de tudo que a gente passou...
-Nossa! –A Bruna o olhou pensativa. –Mais pensa comigo, se ela chegou aqui, logo depois que você, então... Ela não queria! Faz sentido! Ela o olhou.
-É a segunda vez que acontece isso comigo, lembra da Julia? Foi bem assim, por que é tão difícil amar alguém? Ele a abraçou pela cintura.
-Ah! Lú, você quer comparar a Júlia com a Manu?! Totalmente diferente! Ao contrário da Júlia a Manu veio atrás de você, tentar esclarecer, não jogar na sua cara que ela não aguentava mais essa sua vida...!
-Não quero mais gosta de ninguém, não mesmo! Ele a apertou mais.
-Ah! Mais pelo menos você vai resolver isso... Por que depois quem vai ficar te ouvindo chorar e lamentar sou eu, e isso é chato! Ela riu.

-Manda ela ir embora? Ele a olhou.
-Maninho, não faz isso com você mesmo! Não estou defendendo ela, mas essa conversa vai te fazer bem! Ela o olhou alisando seu rosto.
-Não tenho o que falar com ela...
-Então deixa ela falar! Eu tenho certeza que você está doido pra ouvir algo!
-Tá! Ele respirou fundo.
-Vai falar com ela? Ela sorriu.
-Vou! Mais rápido!
-Tá! Vou chamar ela!

Estava lá fora desesperada, não parava de andar de um lado à outro e tudo o que eu pensava era em ele se recusar a falar comigo, mesmo a Bruna indo lá falar com ele. Estava bebendo água para me acalmar, depois da Dona Marizete pedir que o Rober me trouxesse, quando a Bruna abriu a porta, séria. Meu coração pareceu parar, com o medo da expressão dela. Uma lágrima desceu molhando meu rosto, já esperava que ela dissesse que ele não queria falar comigo.

-Ele não quer falar, não é?! A olhei sem esperança nenhuma.
-Ele vai falar, mas vai com calma, tá? Ele tá achando que você traio ele e... As experiências dele devido a isso, não são legais!
-Sério? Brigada Bruna! Sorri e a abracei.

O Wellington me deu passagem e abriu a porta. Meu coração acelerou esperançoso de que tudo se resolvesse, mas como a Bruna me aconselhou eu iria com calma. Fechei a porta com cuidado, enquanto o olhava, ele estava sentado na cama mexendo em algo, no celular, parecia observar uma foto.

-Luan antes de você me dizer alguma coisa... Deixa eu te explicar? Pedi a ele, ainda perto da porta.
-Tô escutando! Ele me olhou.
-Eu juro, pelo Diego e por minha mãe, que eu não estava esperando o Gabriel chegar, lá em casa. Ele chegou de repente, eu estava no sofá te esperando nervosa pra a gente conversar, talvez se entender... Ele bateu na porta e eu fui atender, e eu pedi até que ele fosse embora, voltasse outra hora, mas ele entrou, sem ser convidado, e eu insisti pra que ele voltasse outra hora, que eu estava esperando uma pessoa, mas ele não se mexeu... Ai do nada ele vira e falar que não queria me perder e me dá um beijo! Eu não esperava. Eu o empurrei, mas acho que foi tarde para que você visse, eu até dei um tapa na cara dele,... Pareceu que ele fez isso de propósito, acho que ele te viu chegar e fez isso. Acredita em mim, por favor! Disparei a falar, nervosa.


A olhei pra ela e pensei que ela poderia ser uma atriz de tão bem que mentia, me levantei ficando de costas pra ela e coloquei minhas mãos no bolso da bermuda olhando a paisagem, estava tentando ser forte pra ter que superar mais essa, mas ao contrario da primeira vez, eu a amava de verdade e isso era a parte mais dolorosa.

-Luan, por favor, acredita em mim, vai! Eu seria incapaz de te trair...! Me aproximei dele.

CAPÍTULO SETENTA E TRÊS.


Desci pela escada, por ter esperanças de alcançar ele no hall do prédio. Desci o mais rápido que pudi, na esperança de poder explicar tudo para ele. Quando abri a porta, da escada já no hall, meu coração disparou mais acelerado ao vê-lo ali.

-Luan, pelo amor de Deus me escuta! Gritei.
-Me esquece! Ele saiu do hall indo em ao direção do táxi que havia parado pra ele.
-Não, vai, por favor! Me escuta, antes! Segurei no braço dele, o pedia desesperada.

Senti meus músculos ficarem rígidos e uma raiva me dominou por completo, fechei meus olhos respirando fundo e me afastei ela entrando no táxi fechando a porta. Pedi para que o motorista acelerasse e assim ele fez. Não olhei para trás, queria esquecer que um dia ela passou pela minha vida.

-Que inferno! Gritei, com raiva.

Respirava fundo, para tentar me acalmar e me ajudar a achar uma solução para aquilo tudo. Por várias vezes passou pela minha cabeça, uma vingança para o Gabriel, mas eu iria me ocupar com isso depois. Vi um táxi e quase me jogando na frente do carro, ele parou e eu o pedi para ir até o hotel, onde o Luan estava.

Cheguei ao hotel e vi Roberval parado me olhando curioso, passei por ele com raiva. Quando vi o Well me aproximei e pedi para que não deixasse ninguém além da produção ou da minha família me incomodar. Entrei no meu quarto fechando a porta com força e comecei a arrumar minhas coisas, queria ir em borá o mais rápido possível daquele lugar. Queria voltar para o Brasil estava sentindo falta dos meus fãs, e da minha casa.

Cheguei ao hotel, depois de milhões de coisas passarem por minha cabeça e com medo me dominando, eu queria que ficássemos bem, não queria que ele voltasse daquele jeito. Me arrependi de não ter aceito ficar em seu hotel, o esperando. Talvez eu e ele estivéssemos nos amando aquela hora, conversando, trocando declarações; longe de brigas. Vi o Roberval na porta e respirei aliviada.

-Rober me ajuda, por favor! O pedi com lágrimas nos olhos, desesperada.
-O que aconteceu Manu? –Ele me segurou pela mão. –Você tá tremendo!
-Eu preciso conversar com o Luan, eu preciso! Me ajuda, por favor! O implorei.
-Vocês brigaram? Ele passou aqui furioso, nem falou comigo!
-É que eu... Ele foi conversar comigo, lá no meu apartamento e o Gabriel... Eu juro que foi ele, juro por minha mãe, meu irmão... O Gabriel me beijou, na hora que ele viu o Luan, na porta! Me ajuda! Tremia.
-Calma, fica calma! Assim você vai ter um treco. Vem comigo!
-Brigada! Respirei fundo tentando me acalmar.

Segui com o Roberval, até o elevar, e meu coração parecia se acalmar. Eu estando com o Roberval seria mais fácil de falar com ele, eles eram melhores amigos e isso, de certa forma, me ajudava. Quando chegamos ao andar do quarto dele, vimos o Wellington na porta e o Roberval, sorrindo, tentou abrir a porta, mas o Well o impediu.

-Qual foi, cara?! O Rober o olhou sem entender e eu voltei a ficar desesperada.
-O Luan deu ordem de não deixar ninguém entrar!
-Cara nem eu? O Rober pareceu surpreso.
-Só a Dagmar, ou alguém da família dele. Desculpa Rober!
-Tenta falar com ele Well, por favor! Só diz que é o Rober, eu prometo não entrar! Pedi a ele desesperada.
-Que foi? A Bruna se aproximou com sua mãe e seu pai.
-Bruna! Por favor, tenta falar com o Luan pra mim? Me aproximei dela, tão rápido, que a assustou.
-Calma Manu, eu vou lá falar com ele, calma!
-Brigada! Abri um sorriso largo.

Bruna retribuiu o sorriso se afastando de mim e Well deu espaço pra que ela passasse, ela bateu na porta abrindo e meu coração acelerou quando ela a fechou.

Estava arrumando minhas coisas quando vi Bruna entrando no meu quarto a olhei e sem dizer nada continuei arrumando minhas coisas, não queria conversar, isso acabaria fazendo eu estourar.

-Lú, o Rober tá ai fora querendo falar com você! A Bruna o avisou.
-Não tô a fim de falar com ele, nem com você e nem com ninguém, agora dá pra sair, por favor?
-Calma! O que aconteceu, eu não sei, mas tudo tem uma explicação e dois lados, e sempre um anula o outro, sabe por quê? Por que um é a verdade! Só acho que você deveria se dá uma chance, pra não ir assim machucado! Vou sair tá?! Ela o olhou, esperando ele pensar nas palavras dela.

Larguei tudo que estava na minha mão me sentando na cama e me joguei de costas deitando, passando as mãos no rosto. Quando fechei meus olhos a cena dela beijando aquele cara tomou conta dos meus pensamentos, apertei com força o forro que estava na cama e mordi meus lábios, queria sumi dali o mais rápido que pudesse.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

CAPÍTULO SETENTA E DOIS.


A olhei respirando fundo e deixei que minha mochila caísse no chão, tirei o gelo da boca afastando minha mão e a olhei fixamente nos olhos, ela parecia arrependida e eu queria lhe mostrar que aquilo não era dengo e que realmente havia ficado chateado.

Cheguei perto dele e olhei o lábio dele, estava machucado, mas não muito. Peguei o pano que ele segurava e joguei o gelo na pia, passando só a parte úmida em sua boca limpando o local machucado.Quando coloquei outro gelo, enrolado no pano, me deu vontade de beijar a boca dele, novamente, mas ele estava chateado comigo.

-Tá melhorando! Olhei para ele.

Não aguentei vê-la daquele jeito mais tava tão fofinha com aquela cara de culpada, que me deu vontade de abraçá-la e esmagar ela. Segurei o sorriso, enquanto ela cuidava de mim e permaneceria assim, mas dessa vez por dengo.

-Valeu!
-Tá doendo, ainda? Perguntei preocupada.
-Não, tudo bem! Eu tenho que ir, a Dada não perdoa atrasos!
-Me dá um abraço antes? O olhei pegar a mochila.
-Claro!

A abracei forte e fechei os olhos ao senti que ela me apertava como se me pedisse pra ficar ali com ela; o que na verdade eu queria. Alisei seu cabelo com carinho e parecia que ela não queria me soltar pelas minhas tentativas.

-Fica comigo? -O olhei nos olhos. -Divide comigo esses momentos que você ainda tem aqui?! Alisei seu rosto.
-Pra eu brincar com você e você me morder?
-Não! Pra eu poder me desculpar, por tudo o que eu te causei...! Sorri.
-Eu preciso ir, tenho coletiva... Ele desvio o olhar.
-Luan... Pára vai! Vem aqui! -Virei o rosto dele pra mim. -Quero ficar com você!
-Eu sei, mas eu tenho coletiva agora não posso ficar!
-Não to falando pra você ficar, eu sei que tem seus compromissos... Quero ficar bem com você, só isso! Desculpa, pelo o que eu te fiz, se te machuquei só queria que fosse tudo perfeito, pra gente lembrar depois e sorri!
-Tá tudo bem! Ele beijou minha testa.
-Ok! Sua boca tá melhor agora! Olhei pra ele.
-Preciso ir, se cuida! E... Se a gente não se ver mais eu te ligo! Ele pegou a mochila indo em direção da porta.

Encostei na pia, vendo ele sair e quando a porta bateu foi como um despertar, para que toda a realidade caísse sobre mim. Ele iria para o hotel e no final do dia iria em bora, com toda a minha felicidade, com ele. Respirei fundo e vi a Bia se aproximar me olhando.

-Nem diz nada! É você estava certa! Olhei pra ela impaciente e fui para o quarto.

Saí do apartamento dela com coração apertado, mas não voltei. Entrei no elevador respirando fundo e assim que cheguei ao terreio pedi para que o porteiro pedisse um táxi pra mim, assim que chegou o agradeci entrando e seguir para o hotel. Dagmar já me esperava na frente com Roberval, entrei com ela me dando algumas dicas. Subi para o meu quarto e comecei a me arrumar olhando diversas vezes para o meu celular, mas tirei aquela ideia da cabeça descendo e indo pra coletiva.

Entrei no quarto olhando tudo a minha volta. Tudo estava desarrumado, ainda me arrancando um sorriso, relembrando tudo o que tinha acontecido, na noite anterior. Sentei na cama e cheirei o lençol que ainda estava com o nosso cheiro. Levantei tomei um banho e saí procurando o meu vestido, que ele gostava de me ver vestida, não o encontrando, me irritei e fui até a sala.

-Bia cadê aquele meu vestido tubinho preto, em? Olhei pra ela, que me olhou assustada.
-Tá na suas coisas, eu não peguei! E olha, não vem com esse estresse pra cima de mim não. Não tenho culpa de você ter brigado com o Luan!
-Relaxe! Olhei pra ela revirando os olhos.

Voltei para o quarto, jogando todas as minhas roupas do guarda roupa em cima da cama, encontrando o vestido. Me maquiei e passei pela sala, colocando o casaco e a sapatinha, tropeçando no tapete, batendo a porta, atrás de mim. Cheguei ao hall do prédio e pedi que o porteiro pedisse um táxi pra mim, e assim ele fez. Entrei no táxi com esperanças de consegui entrar na coletiva e mesmo se eu não entrasse eu iria voltar a ser fã, iria ficar ao lado de fora do hotel pra tentar ver ele.

Sentei onde me indicaram junto ao Tiaguinho e começaram a perguntar várias coisas inclusive sobre o lançamento do meu novo CD. Ao saber do sucesso que minhas musicas estavam fazendo fora do Brasil deixei um sorriso escapar e estava ficando animado com aquela coletiva.

Cheguei ao hotel e respirei fundo ciando coragem para voltar a fazer loucuras, como fazia quando era fã. Eu entrei no hotel e procurei a sala que a coletiva estava sendo feita, quando encontrei, a porta estava rodeada de seguranças e de alguns fotógrafos que não tinham conseguido entrar, vi que seria difícil entrar. Até que um segurança se ocupou com um fotógrafo que tentou entrar e eu aproveitei a falha dele, me abaixei, e passei por ele, ficando no fundo da sala.

-Bom Luan, ontem você foi visto aos beijos com Manuela Pontes sua ex namorada, foi somente uma recaída ou voltaram com o namoro? Um dos jornalistas lhe perguntou.

Ouvi aquela pergunta e meu coração disparou. Fiquei nervosa e ansiosa só em pensar no que ele responderia. Dei um passo à frente e me esbarrei em um fotógrafo que quase derrubou outro, chamando a atenção de alguns jornalistas pra mim. Eu desejei que ninguém me reconhecesse, mas os olhares deles sobre mim já me diziam tudo.

-Desculpa! Pedi ao fotógrafo e fui saindo devagar, dali.
-Manuela! Dagmar me puxou pelo braço.
-Oi! Olhei pra ela e os jornalistas continuaram a me olhar.
-Fica aqui comigo, não sai! 
-Sério que vocês viram? -Luan riu. -Então, cara terminamos de uma forma amigável e ontem rolou da gente ficar!
-E voltaram a namorar? 
 -Não! Ele foi firme em responder.
-Não, não vou ficar! Aliás foi loucura eu ter vindo aqui...! Me afastei da Dagmar, quando ouvi a resposta dele.

Alguns fotógrafos começaram a tirar fotos minhas e alguns jornalistas me seguiram, chamando a tenção de todos e criando um tumulto, grande, a sala de imprensa. Eu apenas, tentava, chegar até a porta o que se tornou impossível com os fotógrafos em minha frente.

-Licença, por favor gente! Olhei pra eles e como eu já esperava foi em vão.

Olhei aquele tumulto e percebi que ela estava lá, levantei rápido saindo da onde estava e segui na direção dela. Passei por alguns fotógrafos que estavam em cima dela e a puxei com ajuda do Well de impedi eles chegarem mais perto, levei pra uma sala onde estava mais calmo a e olhei.

-Me deixa ir, por favor?! E obrigada do me machucar me puxando! Alisava meu braço.
-Você tá louca? Olha o tumulto que você causou! Ele falava olhando pra trás.
-E eu com isso? Não queria, mas eu não tive culpa, tive? Ah! Desculpa Luan! Olhei pra ele sorrindo ironicamente.
-Não tem condições de você sair daqui agora, você é maluca cara! -Ele falava irritado. -Se machucou?
-Machuquei, graças a sua educação! Obrigada! Falei irritada.
-Desculpa, só tava tentando ajudar! Deixa eu ver! Ele se aproximou de mim.
-Não pedi ajuda e nem quero que você veja nada! Virei às costas.
-Tá, tudo bem! Ele se sentou no sofá calado.
-Acha que vai demorar muito, por que eu estou com pressa! Cruzei os braços.

Não a respondi, fiquei olhando para o ponto fixo pensando em algumas coisas, ainda estava tentando digeri tudo que havia acabado de acontecer. A olhei calado e levantei devagar sem tirar os olhos dela, fui em sua direção e a abracei forte, não queria ficar naquele clima com ela e ir embora pra ter ficar tanto tempo longe com aquelas últimas lembranças.

-Ah! Te odeio!

O abracei forte, tanto eu quanto ele, não queríamos ficar brigados e nem naquele clima. Cheirei o pescoço dele para guardar o cheiro dele pra mim, por que o nosso cheiro já estava na minha lembrança. Fechei os olhos e respirei fundo, tentando esquecer que ele iria embora e que eu iria ficar mais, um bom tempo sem vê-lo, novamente.

-Também te odeio muito!
-Desculpa por ter causado isso tudo, não queria mesmo. Foi sem querer!
-Tudo bem! Só não confirmei nada por que realmente não conversamos sobre isso, e você disse pra deixar rolar...
-É! Eu que sou maluca... -Me afastei dele. -É que eu tenho uma mania, tola, de achar que você é meu e de mais ninguém...! Olhei pra ele, escondendo um sorriso, que queria se formar.
-Você não é maluca! -Ele alisou meu rosto. -Eu sou seu, é que é preciso ter cuidado com a impressa e meus fãs!
-É... eu sei! Então, é bom eu sair daqui né?!
-É! O Well vai te levar até onde estou hospedado, lá conversamos melhor, preciso terminar a coletiva!
-Lá no hotel? -Arregalei os olhos. -É melhor eu ir...pra casa, não quero incomodar. Fiz besteira demais, por hoje! Olhei para o chão.
-Tudo bem, se prefere assim! -Ele se afastou chamando seu segurança que entrou com ele. -Well leva ela em casa com cuidado, tá? Não deixa o pessoal da impressa ver!
 -Pode deixar Luan!
-Luan..! Chamei.
-Oi! Ele me olhou.
-Se eu for você vai ir me ver? Por que se não... Eu vou atrás de você! Sorri.
-Assim que terminar aqui eu vou lá! Ele sorriu.
-Tá! Sorri e saí andando com o Wellington, que sorriu.

Assim que ela saiu respirei fundo me preparando pra volta a coletiva e com certeza perguntariam sobre a Manuela, fui andando com Dagmar me sentando novamente e um turbilhão de perguntas vieram pra cima de mim, respondia todas prontamente e com medo de dizer algo que não deveria. Quando a coletiva terminou fui almoçar com minha família e a Bruna tirava sarro da minha cara junto aos meus pais.

Quando terminei o almoço, subi pro meu quarto e me arrumei, me perfumei e olhei pro meu celular aonde continha uma foto minha com ela, dali do AP dela já iria direto pro aeroporto e a saudade já estava machucando. Coloquei celular no bolso descendo pro hall do hotel e após falar com meus pais seguir ao encontro dela.

Quando cheguei ao apartamento dei de cara com o olhar pesado da Bia e do Lucas e fui direto para meu quarto, saí apenas para comer algo. Quando eu estava assistindo TV, a Bia apareceu avisando que iria sair com o Lucas. Foi eles saírem que eu ocupei a casa, com meus passos e minha ansiedade pela chegada dele. Eu coloquei o CD dele, para ver se me acalmava e não resolvia, por que a saudade tomava conta de mim, junto com as nossas lembranças.

Sentei e levantei diversas vezes do sofá, meu coração estava disparado e a ansiedade de vê-lo era enorme, já estava morrendo de saudade e senti o beijo dele era tudo que mais queria. A campainha tocou e senti meu corpo inteiro se arrepiar, fui até a porta abrindo com sorriso nos lábios e assim que percebi que era meu sorriso se desfez.

-Oi! Gabriel me disse sem graça.
-O que você tá fazendo aqui? Tem como voltar depois, não? Olhei pra ele já pensando em um possível encontro dele com o Luan.
-A gente precisa conversar! Ele entrou.
-Gabriel, tem como ser depois não? Sério mesmo! É que eu to esperando uma pessoa! Olhei pra ele, sem fechar a porta.
-Eu me arrependi de ter terminado assim do nada, desculpa! Ele se aproximou me puxando pra ele e me beijou. 

Desci do táxi agradecendo ao motorista e o porteiro ao me conhecer me deixou subir. Entrei no elevador e olhei o relógio, teria que brigar feio com as horas que insistiam em passar rápido. Quando à porta do elevador se abriu respirei fundo andando em direção ao apartamento dela e quando cheguei à porta vi algo que fez meu corpo inteiro estremecer.

-Tá maluco? Empurrei o Gabriel com força, esfregando minha boca com a mão.

Quando a vi beijando o Gabriel meu coração pareceu parar de bater e bombear sangue para o eu corpo, senti um calafrio me fazendo arrepiar e engoli a seco. Saí dali sem falar nada e apertei o botão do elevador na esperança de que chegasse o mais rápido possível. Estava me achando um idiota em me iludir achando que ela sentia algo por mim, só não entendia compreender o porquê ela queria me falando aquelas palavras durante nossas noites que eu pensava que tivesse amor envolvido.

-Eu não quero perder! Ele falava com sorriso nos lábios e voltou o olhar pra mim após tirar os olhos da porta.
-Mais já perdeu acorda...! Quem estava na porta? Fala, agora! Fui até a porta olhando pra ele com medo de ter sido o Luan.
-Ele já foi, se é isso que você quer saber!
-Eu nem acredito! Garoto, você mexeu com a pessoa errada! –Fui até o sofá, peguei meu casaco e olhei para o Gabriel sorrindo. –Isso não é nem a metade do inferno que eu vou fazer com sua vida se ele tiver ido embora! Dei um tapa forte na cara dele, fazendo o rosto dele virar.

O elevador demorou o que me pareceu um século, pra chegar, quando abriu a porta agradeci por ter chegado, entrei ajeitando o boné e por dentro parecia que estava tudo destruído. Cheguei ao térreo olhando para o porteiro que parecia entender o recado e foi pedi um táxi pra mim, enquanto esperava no hall olhando as pessoas passarem.