sexta-feira, 9 de novembro de 2012

CAPÍTULO SESSENTA E OITO.


Dei um passo à frente, quando ele deixou a tampa da garrafa cair ao chão, na minha frente. Agachei e peguei a tampinha, olhei pra ele, respirando fundo pensando no que falar pra ele, se deveria devolver a ele, até que por impulso eu fui até ele.

-Aqui! Estendi minha mão o entregando à tampinha. Foi á única palavra que saiu da minha boca.

Quando a olhei mais de perto minha vontade foi de agarrá-la e tomar em meus braços, mas tive que me conter, pensei nela terminando comigo, na dor que ela me causou e que ela estava com outro. Peguei a tampa da mão dela encostando meus dedos no dela e um arrepio percorreu meu corpo inteiro.

-Valeu! Um sorriso escapou dos meus lábios.

-Não foi nada! Sorri ao ver o sorriso dele.

Eu estava morrendo de vontade de chegar mais perto pra sentir seu cheiro, seu calor. Queria que ele me beijasse ou me falasse que estava tudo bem, que dividisse comigo o seu dia, que me tratasse como sempre me tratou; como seu amor. Respirei fundo e meu coração era incontrolável o olhei nos olhos e eu tive certeza que os meus olhos gritavam que eu o amava e que eu estava confusa, que eu estava, totalmente, entregue a ele se ele quisesse; que eu queria ele.

-Galera, depois do meu show que tal a gente ir jantar? Há tempos não via esses moleques! Ele bagunçou cabelo de Lucas que riu. 
-Por mim tudo bem! Lucas bateu de leve na nuca dele.
 -Eu não vou, Manuela vem comigo? Vou pra casa! Gabriel me olhou furioso.
-Hã? Olhei pra ele, pareci despertar quando falaram o meu nome.
-Eu tô indo embora, você vem? 
-Licença! Luan saiu da sala e eu o acompanhei com o olhar.
-Sei lá...! Voltei o olhar pra ele, morrendo de vontade de ir atrás do Luan.
-Quer saber? Vai atrás dele! Gabriel saiu.
-Gabriel...! Fui atrás dele e me esbarrei com o Roberval que estava com uma toalha, do Luan na mão. Eu tomei dele e continuei meu caminho.
-Ei, a toalha! Roberval me gritou. 
-O que foi Manuela? Olha só, não tenho dom de ser palhaço sacou? Me esquece, na boa! Ele saiu andando.
-Gabi sério...! Desculpa, foi involuntário, não consegui...! Mantive minhas mãos atrás de mim, para esconder a toalha.
-Acabou Manuela, me esquece! Me esquece! –Ele virou de frente e se esbarrou com Luan que não entendeu nada. –Sai da minha frente idiota! Ele empurrou Luan que se encostou à parede sem entender o que estava acontecendo e levantou os braços como estivesse se rendendo.
-Oi! –Falei sem graça, com medo dele ver a toalha. –Machucou? É que a gente terminou...! Não sei por que mais eu tinha que falar isso.
-Tá... Tá tudo bem, e você? Ele te fez algo?
-Não...! Tudo bem! –Sorri sem graça. –Ele só tá com raiva, na verdade, com ciúme de...você! Olhei pra ele e corei envergonhada.
-Não tem motivos pra ele ter ciúmes!
-É...não sei dá sua parte! –Saiu, não tive como controlar. –É...é o show foi ótimo! Amei! Sorri sem graça, tentando desfazer o que eu fiz.
-Que bom que gost... 
-Manuela? Bruna se aproximou de Luan e ao me ver sorriu.
-Oi Bruninha! Sorri pra ela desviando o olhar do Luan.
-Como você tá linda?

Bruna a abraçou e eu sair indo para o meu camarim, não queria falar mais nada. Me sentei no sofá que tinha e passei as mãos no rosto, aquela aproximação toda não estava me fazendo bem, ouvi alguém entrar no camarim e levantei a cabeça.

-Cara a Manuela roubou uma toalhinha sua! Roberval entrou rindo.
-Ela o que? Olhei para o Rober e sorri, no mesmo instante.
-Ela passou andando rápido naquele corredor e quando estava levando a toalha para o seu camarim ela roubou da minha mão, estava com seu suor...
-Eu não vi nada com ela... Cara tem certeza? Olhei pra ele e levantei indo até a porta.
-Tenho cara, ela tava escondendo do namoradinho dela lá!
-É? Abri a porta e a vi de costas, ainda conversando com a Bruna e ela, realmente segurava a toalha e segurava com força.
-Luan, foco! Você viu a loira que te dei mole durante o show? Ela tá lá fora... Rober sorriu.
-Não sei...! Se é bonita pega cara! –Sorri. –O namoradinho dela terminou com ela...! Entrei no camarim, novamente.
-A cara na boa... Você não vai ficar com a Manu de novo não, né?
-Sei lá...! Mais que eu fiquei feliz eu fiquei...! Sorri.
-Você nasceu pra ser corno Luan, sério! Roberval saiu do camarim fechando a porta.

Sentei no sofá do camarim e não sabia o que fazer. Ela ainda mexia comigo e a notícia de que ela estava solteira mexeu comigo, assim como, a presença dela no mesmo local e a poucos metros de mim.

-Maninho, você ta aqui? Bruna entrou segurando a mão de Manuela.
 -Oi, to!

Levantei minha cabeça e dei de cara com ela me olhando, meu coração disparou mais que o normal e senti minha voz sumi, respirei fundo mais a falta de ar não deixava fazer isso.

-Oi, de novo! Sorri.
-Oi! Ele me olhou.
-Convidei a Manu pra assistir o show do Tiaguinho com a gente!
-Ah, que bom!
-Se você quiser... Eu não vou! É que a Bruna insistiu, muito! Olhei pra ele.
-Legal sua toalhinha, igual a minha! Ele olhou pra minha mão e Bruna riu.
-Ah! É...! Eu acho melhor não explicar por que se não vou me enrolar ainda mais, né?! Sorri sem jeito.
-Deixa esse chato! –Bruna riu. –Vamos assistir o show?
-Dá a gente dois minutos Bruna? Pode ser Luan? –Olhei pra ele e vi que ele ficou nervoso com meu pedido. –Se você não quiser...tudo bem!
-Tud... Tu... Tudo bem!

Respirei fundo com aquele pedido dela e senti meu corpo todo estremece todo me fazendo arrepiar e minha respiração ficou falha na mesma hora. A olhei e respondi com certa dificuldade, não esperava aquilo dela após 5 meses separados.

-Tá bom, vou ali! Bruna sorriu e saiu fechando a porta.
-Eu te pedi isso, mas eu não quero te encher com uma conversa que vai ser chata... Enfim, acho que eu demonstrei demais hoje o que eu queria te dizer! –Sorri mostrando a toalha. –Só queria saber como você está, como tá a vida, como andam as coisas no Brasil...! Prometo não te encher!
-Relaxa! Eu tô bem e você? Minha vida tá corrida como sempre, com o lançamento do meu novo CD graças a Deus não paramos de fazer shows, e meus fãs estão sempre comigo me apoiando e me dando força pra seguir em frente. As coisas no Brasil tão de vento em popa, ainda tem muito o que trabalhar! –Ele falava, enquanto pegava algo pra beber. –Quer?
-Não, brigada! Toda vez que eu lembro o Brasil me dá um aperto... Aqui tá tudo tão confuso! Sinto tanta falta de todo mundo... Tá muito ruim! Baixei a cabeça olhando para a toalha me sentindo uma boba.

A olhei ali diante de mim tão indefesa e meu coração reconheceu aquele cheiro que tomou conta do meu camarim, quando ela me disse aquelas palavras e a vi abaixando a cabeça uma vontade enorme de abraçá-la tomou conta de mim, queria lhe dizer tudo que sentia e o quanto ainda a amava, mais algo dentro de mim gritava dizendo pra não fazer isso.

-O estágio tá complicado? Tá sobrecarregada? Imagino como deve ser essa saudade, também sinto da minha família, é ruim demais!
-Não to falando do trabalho... E acho que você sabe disso! –O olhei. –Mais é diferente, minha saudade, acho que é maior, por que eu to em outro país!
-É a saudade deve ser maior, mais final do ano tá chegando, dai você mata a saudade! Ele me olhou.
-É... Mais um pedaço do Brasil tá aqui comigo, né? O olhei fixamente.
-Não é o que pareceu! Ele me olhou sério, parecia guardar magoa de mim.
-Mais é como eu disse, estava tudo confuso, mas agora pareceu se encaixar...! Eu precisava de segurança, que alguém preenchesse o vazio que estava aqui, dentro de mim! Me aproximei, meu coração disparou ao vê-lo me olhar.
-E o Gabriel preencheu já que eu não podia, né?
-Não...! Não preencheu eu só estava buscando um conforto em alguém... Passei por tantas coisas aqui sozinha! É difícil olha para o lado e não ver ninguém! Nenhuma das pessoas que te trazem segurança ou aquele seu lugar preferido...! Lembrei o Solar do Unhão e do nosso primeiro beijo.
-Imagino o quanto deve estar sendo difícil pra você se acostumar com a distância das pessoas que você ama, mas isso foi uma escolha sua, e pra conquistar o que queremos tem que haver sacrifício!
-É...! –Respirei fundo. –Acho melhor eu ir! Desculpa te encher...!
 -Espera! –A olhei pensando muito no que iria fazer e senti meu corpo me dá choques. –Vem cá!
-Que foi? Virei pra ele e senti minha pele arrepiar.

Fui em direção a ela rápido e a tomei em meus braços, a abracei o mais forte que conseguia e respirei o mais fundo possível guardando o cheirinho dela nos meus pulmões. Alisei suas costas com carinho e fechei meus olhos com força tentando congelar aquele momento, eu a amava demais pra continuar tratando ela daquele jeito. Com ela ali em meus braços sabia que podia protegê-la de tudo e todos.

Quando ele me abraçou eu senti um alívio tão grande que fez com que uma lágrima escorresse do meu olho. O apertei forte e cheirei seu pescoço, sentindo ele arrepiar. Queria permanecer em seus braços a vida inteira, mesmo sendo por segundos reagi com aquele abraço, como o meu corpo. Senti seu cheiro, seu calor, sua pele fez com que meu coração disparasse, minha pele arrepiasse e me fez estremecer.

Não queria soltá-la e a apartava mais a cada segundo, estava morrendo de saudades dela e estar daquele jeito após tanto tempo me fazia estremecer. Senti seu coração batendo no mesmo compasso que o meu o que me fez de certa forma sorri. Beijei sua bochecha sem soltá-la e permaneci assim abraçado com ela tentando apagar tudo que passamos durante esse tempo.

-Eu queria tanto esse seu abraço! Sussurrei em seu ouvido.
-Também, muito!
-Passou um filme aqui na minha cabeça...! Alisei seu rosto, o olhando, e ele ainda me mantinha perto dele segurando em minha cintura.
-Quando cantei Te Vivo, lembrei de tudo, tudo mesmo!
-Eu lembrei desde quando ouvi sua voz na abertura! Sorri.
-Que bom você gostou do show! Ele sorriu.
-Amei! Você tá tão diferente... Tá até forte! –Ri. –E esse brinco é pra que? Revoltou? Passava o dedo na orelha dele e olhava o brinco, enquanto ele me olhava feito bobo.
-É alargador! –Ele sorriu. –Quis voltar a malhar, tá fazendo efeito!
-To vendo! O homi tá ficando forte! Sorri imitando o sotaque dele.
 -Decidi mudar em todos os sentidos!
-Todos? –O olhei sem entender. –Emtranho! Por que eu juro que enxerguei o moleque ai dentro! Sorri.
-Mudei por fora pra disfarça a dor que estava sentindo por dentro! Ele me olhou sério e tirou a mão da minha cintura.
-E eu tentei substituí uma pessoa insubstituível...! Alisei o rosto dele e escorreguei minha mão até a sua e segurei firme.
-Por que você tá fazendo isso?
-Sinceramente? Não sei! To agindo guiada por meu coração... Perto de você eu perco o controle! O olhei nos olhos.
-Gente desculpa, mas o show vai começar! Bruna entrou devagar e Luan se afastou de mim mexendo na toca.
-Eu não vou ficar... Vou pra casa! Foi bom ver vocês de novo! Olhei pra ele e me aproximei da porta.
-Fica Manu, que bobagem! Bruna me olhou segurando de leve meu braço.
-Não! Eu já vou! Olhei pra ele, pela última vez e segurei mais forte, ainda, a toalha saindo do camarim.
-Luan, na boa... Vai deixar a mulher que você ama escapar assim? Bruna o olhou.

Olhei pra Bruna e a porta se fechar, eu não podia deixar ela ir daquele jeito; eu tinha que me deixar ser guiado por meu coração como ela estava fazendo. Saí, rápido, do camarim e a vi andando devagar parecia rezar para que fizesse algo, parecia esperar que os segundos passassem rápidos. Eu andei rápido e a alcancei, peguei em seu braço a virando pra mim e a beijei.

Não liguei pra quem estava olhando ou admirando, a beijei matando toda saudade que estava sufocada em meu peito, segurava firme em sua nuca querendo explorar cada canto de sua boca, senti seu gosto me fez senti arrepios pela pele e o nosso corpo estava quente, desejando um ao outro.

Quando ele me beijou meu corpo inteiro amoleceu. Senti o gosto dele de novo fez meu corpo pedi o dele. Senti seu coração no mesmo compasso que o dele e sorri, mordendo, levemente, o seu lábio. Tudo o que eu queria era explorar sua boca com minha língua e eu queria que aquele beijo nunca acabasse.

Parei o beijo sem querer parar, respirei fundo mordendo seus lábios levemente e a olhei nos olhos. Ah, como a queria em meus braços, ela era realmente a mulher que amava e isso se concretizada cada vez mais. Alisei seus lábios com os meus de olhos fechados e sentia seu cheiro respirando bem devagar pra poder guarda cada detalhe dela em mim.

-Luan! Dagmar se aproximou gritando.
-Que foi? A olhei assustado, segurando forte a mão da Manu.
-Aqui não é lugar pra isso, o que tá acontecendo aqui?
-É! Você tem razão, aqui não é lugar pra isso! Olhei sorrindo para a Manu.
-Eu não quero prejudicar ele, Dag! A olhei.
-Tudo bem Manu, Luan você tem que vim comigo, esqueceu da sua participação no show do Tiaguinho?
-Ah! Tá bom! Me espera? Olhei pra Manu.
-Vai lá! Sorri.
-Não quer ir assistir o show? A Bruna estar lá! Dag sorriu.  -É Manu!
-Tudo bem! Sorri.

Seguimos de mãos dadas para o local e assim que chegamos onde nos separariam demos um selinho demorado. Subi no palco e cumprimentei a galera da produção do Tiaguinho, esperei ele me chamar no palco e enquanto isso não acontecia trocava de blusa que o Roberval me trouxe. Quando Tiaguinho deu o sinal entrei no palco e vi a galera entre em delírio, sorri acenando pra todos de novo e cantei a música com ele.

CAPÍTULO SESSENTA E SETE.

No dia seguinte bem cedo segui pro local aonde seria o show, ensaiei com a galera e conversei com algumas pessoas que estavam responsável pelo evento. Voltei pro hotel indo me arruma e um frio enorme na barriga tomou conta de mim.

Acordei com a Bia, agitada pelo encontro dela com o Thiaguinho; ela só falava nisso fazia uma semana e o Lucas já estava, até, com ciúme. Eu não ouvi nada do que ela falava, meu coração gritava abafando a faa dela.


Passei o dia pensando na roupa e se, realmente, iria aquele show. Sentava e levantava, da cama, andando de um lado a outro da casa. Eu pensava nele, na reação que eu tomaria e no olhar dele ao encontrar com o meu; estava incontrolável minha ansiedade.

Cheguei ao local já pronto, e conversei com Tiaguinho, estávamos preparando uma surpresa no final do show pra galera e estávamos animados. Sentamos ensaiando ali mesmo e rimos feito crianças, o Tiago era uma pessoa incrível e estava no começo de sua carreira solo, torcia muito pra que tudo desse certo pra ele.

Finalmete, a hora de ir chegou e meu coração estava impossível. Me arrumei e na hora da maquiagem tive que pedi a ajuda da Bia, por que eu estava tremendo, demais. Coloquei shot jeans, uma regata branca, que colava a meu corpo, e uma jaqueta jeans.


-Amiga to legal? Perguntei a Bia.
- Nossa, você tá linda. Ela sorriu. - E eu? Será que o Tiaguinho vai gosta? Ela deu uma voltinha.
-O Lucas que vai amar você arrumada para o Tiaguinho e não pra ele! Ri.
- A campainha. Ela correu abrindo e abraçou o Lucas que revirou os olhos com aquela animação toda me fazendo ri. 


Gabriel veio até mim sorrindo e me abraçou me dando um selinho logo em seguida. Seguimos pro local e meu coração ardia e batia acelerado a cada vez que me aproximava do local, desfaçava cada gesto meu em respeito ao Gabriel mais minha boca seca e minha tremedeira aumentava a cada vez mais. Chegamos ao local e só iriamos entrar no camarim depois do show, um nervoso me subiu e seguimos para aonde tínhamos acesso pra assistir o show. 

Entrei com a banda toda em meu camarim e damos as mãos rezamos e pedimos proteção naquele momento, queríamos fazer aquelas pessoas senti um pouco do Brasil nelas e estava certo que iria dá certo tudo que estava em mente, após termina a reza o pessoal da banda seguiu pro palco e eu respirei fundo bebendo um pouco de água, um nervoso me subiu mais tentei manter a calma, carregava dentro de mim uma vontade maior que o nervosismo de fazer o melhor show que já havia feito em minha vida. 

Seguir com Anderson, Formigão, Dagmar e Roberval pro local aonde iria entrar e fechei meus olhos respirando fundo, dava pra ouvi a gritaria da multidão que estava a minha espera e meu corpo todo estremeceu naquele momento, peguei o microfone na mão do Roberval e novamente respirei fundo enquanto ecoava a abertura do show. 

"O vento me trouxe até você... Não foi nada fácil, mas é preciso lutar pra vencer... A cada passo, a cada desafio, eu me sentia mais forte, porque o seu amor me conduzia e o seu sorriso mostrava o caminho... Vem, traga o seu brilho, que eu faço chover estrelas... Traga energia, que eu transformo em calor... Traga seu grito, que eu te dou a canção. Melhores FÃS do mundo, a noite chego e ela é toda nossa."

- Vai começar. Bia gritou ao ouvi a banda começar a tocar.

Nem precisava ela anunciar, por que meu coração, ao ouvir a abertura, já tinha me avisado. Ao ouvir a voz dele eu estremeci; lembrei de tudo e foi incontrolável ao vê-lo entrar o meu sorriso. Estávamos na frente do palco, em uma área reservada mais eu queria ficar o mais perto possível, parecia que meu corpo implorava pelo dele. 


Tomei um susto quando o Gabriel me abraçou, ele pareceu perceber a minha emoção. Mais eu não liguei, tudo o que me importava era vê-lo cantar e olhá-lo fazer aquele show. Parecia que tudo se resolvel, parecia que nada de antes tinha acontecido o show dele me renovava e vê-lo reacendeu o amor.

Olhei para o lado, quando a Bia me puxou, discretamente, e vi os pais dele, com a irmã, o Rober, que eu estava morrendo de saudades e a Dagmar que pareceu me reconhecer, ao me mostrar ao Roberval sorri sem jeito para eles e continuei a olhá-lo; continuei hipnotizada pelo Luan cantando.

Entrei cantando "Você não sabe o que é Amor" e ao abri os olhos me deparei com aquele mar de gente me deixando emocionando ao ver eles cantando em um coro minha musica, enquanto cantava passeava pelo palco acenando para todos que estavam ali pra me assistir. Quando estava voltando pro meio do palco meus olhos encontraram com um olhar conhecido, era ela a Manuela. Meu coração disparou e pensei que não iria ter mais força pra cantar, respirei fundo e olhando ainda em seus olhos disse as palavras que completava as musicas. 


- Olhando em meu olhar você vai perceber que não há mais tempo pra nos dois, eu te amei de um jeito mais profundo que alguém pode amar outra pessoa, mais eu desisto de você... Acabou. Desconectei o olhar com ela procurando forças e voltei a cantar aquela musica que mesmo sem querer contava minha historia com ela.

Continuei a ver o show, mas eu já esperava aquela reação dele, era de se esperar que ele reagisse daquela meneira. Me afastei do Gabriel, ficando ao seu lado, mesmo ele tentando segurar a minha mão eu me recusava. Só queria vê-lo e ouvir, mas alguma coisa me dizia que era pra eu desistir de ir ao camarim; seria demais para nós dois, iria doer mais.

O show estava correndo tranquilo, não olhava em sua direção e sim pro publico, a ignorava de todas as maneiras que podia, se a olhasse era capaz de pular do palco pra abraça-la e eu não queria aquilo. Percebia pela animação da galera que o show estava indo agitado, adorava vê-los cantando comigo e um sorriso brotava dos meus lábios demonstrando o quanto estava feliz por isso. A melodia de "24 horas" começou a ecoar atrás de mim e foi impossível não olhar pra ela. 


- Essa musica é a nova do meu disco, é pra você que foi abandonado por uma pessoa sem explicação e mesmo depois de tudo que ela fez, essa pessoa insisti em ficar 24 horas em seu coração...

Sorri ao ouvir ele falar aquilo, de certa forma eu não saía do coração dele, igual a ele do meu; as 24 horas do meu dia meu coração ainda batia por ele, e aquele show serviu para eu perceber aquilo. Cantei a canção junto com ele e sustentei o olhar com o dele, sorrindo.

Ela sabia minhas musicas e algo me prendia ao seu olhar, meu sangue ferveu dentro de mim e meu coração acelerou de uma forma inexplicável, aquilo tudo só provou o quanto nosso amor ainda era vivo, mais aquele cara que estava ao lado dela não desgrudava e isso fez com que meu olhar desconectasse do dela, não queria me machucar ou pensar que ela ainda sentisse algo por mim. 


Após a musica acabou, fui pra trás do palco colocar o equipamento de voar, enquanto a banda fazia tocar uma musica, troquei de blusa rapidamente e apareci cantando "Vou Voar" quando peguei altura senti o publico ir ao delírio e dei algumas cambalhotas o que fez minha mão machucar e ficar presa durante alguns segundos na linha de sustentação que me segurava.

Quando ele entrou com aquele equipamento, fiquei preocupada, sabia que o Luan iria tentar algo e foi o que aconteceu. Quando ele viu que o público foi ao delírio ao vê-lo voando, ele girou no ar e acabou machucando um dos braços ao se bater na estrutura do palco. Meu coração foi na boca e eu dei passos à frente, reagindo da mesma forma que sua mãe, a olhei e vi que nela contia o mesmo ar preocupado que o meu.

Coloquei uma proteção no braço rápido e sentei no banco que a produção havia colocado pra mim, apoiei o braço sobre a perna e olhei pra ela que se mostrava preocupada, sorri em forma de agradecimento e voltei meu olhar pro publico, a banda começou a ecoar a melodia de "Amar não é Pecado" e respirei fundo. 


- Todo mundo entrando no clima comigo assim, vem. Comecei a cantar e me emocionei ao ouvi o coral. 

Quando terminei de cantar "Amar não é Pecado" comecei cantar uma musica internacional, essa musica se fez presente durante o momento mais difícil da minha vida; quando a perdi. Fechei meus olhos cantando "Someone like you" e logo em seguida a melodia de "Esqueci de te Esquecer" começou ecoar. 

- Joga na palma da mão, essa canção é do nosso novo disco, quem souber canta com a gente... Esqueci de Te Esquecer.

Quando ele começou a "Esqueci de te esquecer" lembrei das nossas conversas por web, que foi quando ele me mostrou o refrão dela pra mim; em mais uma das nossas loucuras. Sorri e cantei com ele, um nó na minha garganta estava começando a se formar; eu iria chorar a qualquer momento, se eu não me controlasse.

Respirei fundo e comecei a cantar uma das canções nas quais mais ouvi quando terminamos, a cada palavra dessa musica continha um pouco de mim, e vê-la ali só me mostrava o quanto nada era sem ela ao meu lado. Olhei pra Bruna que sorriu e piscou pra mim e comecei a cantar "It will rain".

Quando ouvi ele cantar aquela música, que me embalou por noites, com tanta emoção as lágrimas escorreram por meu rosto e eu tentava disfaçar, mas não dava, as lágrimas desciam silenciosamente e incontrolavelmente.

A próxima canção fez meu coração disparar de uma forma inacreditável, fechei meus olhos pedindo forças e meu corpo dava leves choques me fazendo arrepiar, minha respiração acelerou e minhas mãos começaram a tremer, quando ouvi a melodia começou a tocar ainda de olhos fechados respirei fundo novamente. 


- Essa canção talvez seja a que estar mais se destacando no nosso disco, e é bom demais por que fala de um amor mais que profundo um amor que vai além dessa vida, aonde uma pessoa que ama demais a outra olha no fundo dos olhos dela e diz com o coração... Abri meus olhos devagar encontrando com os dela e respirei fundo. - Eu te vivo.

Enquanto o toque do piano ecoava fechei meus olhos e senti a canção tocar dentro de mim, comecei a cantar e junto com as letras da musica vinham todos os momentos que vivi ao seu lado, desde primeiro abraço ao ultimo, lembrei dos seus beijos, do seus toques, dos abraços, das brincadeiras, das risadas, enfim... Dos nossos momentos. Abri meus olhos olhando pra cima enquanto cantava e senti meus olhos ficarem marejados, meu coração parecia sangra naquele momento, meus pensamentos estavam transbordando de lembranças e tudo veio a tona na mesma hora.

Fechei meus olhos e fiz que nem a canção; o fiz presente imaginando nós dois juntos. Lágrimas escorriam dos meus olhos ao lembrar de tudo; dos beijos, dos abraços, dos carinhos, das declarações, de sua risada encantadora, das nossas noites de amor. Ele estava presente em tudo o que estava a minha volta e se eu não me controlasse eu ia pra outro mundo, perdida nas nossas lembraças. Quando o olhei vi os olhos dele cheios de lágrimas e eu sorri, depois de ter enxugado as minhas, pra ele, completando a canção, olhando, diretamente, em seus olhos o dizendo; Te vivo.

O restante do show foi tranquilo, cantei musicas novas do show, rebolei, brinquei, e ri muito com o publico que parecia gostar do meu show, encerrei agradecendo a todos que estavam ali presentes pra me prestigiar, estava feliz por ter sido tudo da forma que imaginei, respirei fundo soltando beijo pra todos e sumi do palco seguindo pro meu camarim. Entrei sentando no sofá e abaixei a cabeça passando a toalha no rosto, ainda estava tremendo e em choque, não entendia aquela conexão que nos prendia daquela forma.

Quando ele terminou o show senti um pedaço meu indo junto com ele. A Bia pareceu me entender e me abraçou forte, o Gabriel estava impaciente e isso me surpreendeu; o Dan não teria aquela atitude.


-Tá tudo bem amiga! Olhei pra Bia e ela sorriu, ela sabia que não estava nada bem.
- Vamos no camarim? Lucas sorriu. 

- Claro, ai meu Deus. Bia pulou juntando as mãos. 
- Menos amor, por favor. Lucas riu. 
- Vamos. Bia me puxou e fomos andando. 

Após ter trocado de blusa fui no camarim do Tiaguinho, ele havia me chamado pra ensaia mais uma vez e fiquei conversando com a Fernadinha enquanto ele se preparava pro show, havia colocado uma toca pra esconde meus cabelos bagunçados e ria com ela fazendo brincadeiras com Tiaguinho.

Fomos até os camarins, mas no meio do caminho o Lucas parou para conversar e apresentar a Bia, para algumas pessoas. Ela ficou sem graça por que o Lucas a apresentava como; o amor da vida dele. Até que chegamos ao camarim do Tiaguinho, onde um dos assessores dele veio falar com o Lucas de uma forma mais intima como se fossem amigos de infância.


Cheguei mais à frente e o vi. Meu coração disparou mais do que em qualquer outro dia e minha pele arrepiou, pedindo a dele perto de mim para que eu pudesse sentir o calor dele. Minha boca segou e a única coisa que acabaria com a minha cede era o gosto dele. 


O olhei e me surpreendi, ele estava diferente. Ele estava mais forte, usava brinco o que me fez despertar, mas ele não estava feio, pelo contrário, estava ainda mais bonito. Mais o jeito moleque dele, não tinha sumido; o meu menino ainda estava dentro dele. Sorri ao vê-lo brincar com a Fernandinha, namorada do Tiaguinho, e acenei pra ela quando ela, de longe, me cumprimentou, despertando a atenção dele.

Brincava com a Fernanda quando ela parou de ri cumprimentando uma pessoa, olhei na direção dela e a vi parada me encarando, meu corpo de imediato me deu um choque me fazendo arrepiar e meu coração parecia que ia sair pela boca, esfreguei as mãos na calça, estava soadas demais e tremiam. Tiaguinho foi cumprimenta ela mais o namoro e eu me levantei junto com Fernanda, permaneci ao seu lado e minha vontade era sair dali correndo ao ter que vê-la de mãos dadas com outro.

-Oi Tiaguinho! Um prazer viu? -O abracei. -Tive que aturar essa criatura falar de você a semana inteira! Fui para o lado da Bia, saindo de perto do Gabriel.
- Olha que linda. Ele sorriu abraçando a Bia. - Prazer todo meu, que coisa boa vocês aqui. E ai cara?! Ele cumprimentou Gabriel.

Enquanto ele cumprimentava e falava com todos eu fiquei olhando para o Luan. Imaginei se a gente ainda estivesse juntos em como seria bom matar aquela saudade, de nós dois.

Enquanto Tiaguinho batia a foto com a Bia respirei fundo conseguindo forças pra sair dali, tentei andar e minhas pernas pareciam travadas, ela me encarava e eu tentava não sustentar o olhar, o namorado dela me olhou feio e eu o encarei com minha sobrancelha levantada. Peguei uma garrafa com água e peguei pra beber e tentar me acalma.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

CAPÍTULO SESSENTA E SEIS.


-Onde ele tirou a ideia que eu estou com outro? E que história é essa de outra? Olhei para a Bia sem me importar com o Gabriel.
-Você acha que ele ia ficar sofrendo por você? Hello amiga, ele é o Luan Santana, tem milhares de mulheres aos pés dele!
-Eu também não vou ficar sofrendo por ele...! Fui até o Gabriel e o beijei.
-Nossa! Bia riu saindo da sala.
-Gabriel... Lembra quando você me falou que era louco por mim e que daria tudo pra está comigo? O olhei depois do beijo.
-Lembro! Ele me olhava nos olhos.
-Chegou sua chance...! Olhei pra ele.
-Não vou perdê-la, pode ter certeza! Ele sorriu e me beijou.

Os dias passaram rápido mostrei a nova música para o Fernando e ele me deu a maior força pra colocar como faixa no meu novo CD e assim eu fiz, o nome dela seria "24 Horas" não falei o do por que da música e ele me respeitou. Passei o dia no estúdio e já na madrugada seguir para o hotel, estava mega cansado e no outro dia teria gravação de outra música. 

Acordei pela tarde com Roberval batendo em minha porta, lhe avisei que já descia e fui para o banheiro. Desci ajeitando meu boné e Dagmar se aproximou de mim com um homem alto, malhado e moreno. 

-Lú, bom dia querido!
 -Bom dia Dada!
 -Esse aqui é o Augusto, seu personal trainer!
-E ai, cara?! Beleza? Apertei sua mão lhe cumprimentando. 
-Prazer enorme trabalhar aqui com vocês!
-Que isso cara! –Sorri batendo de leve em seu ombro. –Mais diz ai, vai demora muito pra esses músculos crescerem? 
-Vai depender da sua força de vontade!
 -Então vai ser rápido! Rimos. 

Seguimos conversando até ao restaurante e nos sentamos, Guto me deu algumas dicas na minha alimentação e eu o ouvia atentamente, queria ganhar peso mais com saúde, pra poder usufruir de todo resultado depois.

Se passaram dois meses e mesmo assim às vezes me pegava pensando nela, o que fazia de certa a saudade transborda pelos olhos. Durante esse tempo peguei pesado na academia, já havia ganhado dois quilos de massa muscular o que me animou ainda mais pra malhar. 
Em uma das minhas folgas fui pra Campo Grande visitar minha família junto com meus pais e a Bruna, decidi com meus amigos voltar a usar brinco e acabei colocando alargador na orelha. Estava com saudades da minha galera e revê-los novamente renovou minha alma, conversa, ri e tocar com eles me fez reviver o passado. Acabei ficando com uma das amigas de meus amigos, ela era linda, e muito simpática. Ficamos durante toda a festa e acabei dormindo na casa do Mateus com ela, foi uma noite incrível.

Os meses se passaram e eu decidi seguir minha vida; segui firme com o Gabriel. Queria esquecer tudo, queria me reencontrar; queria me refazer. Tudo seguia em um clima de reconstrução, eu tentava reconstruir minha vida, me adaptar por completa aquele novo lugar, novo país, nova cultura; minha nova fase. Antes eu não conseguia fazer isso, já que eu estava presa ao Luan.


Em uma noite fria em Nova York, eu observava aquela cidade agitada, seus carros e barulhos, suas luzes e o povo tentando chegar em casa, atrasados, andando rápido e até mesmo alguns casais de mãos dadas que pareciam nem ligar para a agitação daquele lugar. Olhei para a minha mão e vi o anel, ainda em meu dedo, sentei na cama o olhando e, não pensei que doeria tanto, tirei e uma lágrima escorreu por meu rosto. Aquilo significou o fim.

O Gabriel a cada dia que passava me fazia lembrar o Daniel o que me fazia me sentir mais segura, mais relaxada e mais encantada. Nossas noites eram muito lindas; ele sempre me fazia uma surpresa e na cama, ele me tratava com o mesmo carinho e jeito do Dan. Até que uma noite, ele estava tão parecido, em todos os sentidos, com o Dan que eu enxerguei o Dan fazendo amor comigo; foi à noite em que eu estava mais entregue a ele.

Voltei renovado de Campo Grande, iria lançar meu novo CD e estava ansioso pra saber o que a galera iria achar do resultado. Fui direto pra São Paulo me encontrar com Dagmar e marcamos a coletiva do lançamento. O dia foi corrido mais não abri mão de malhar com o Gutão, queria ver logo o resultado. 


No dia do lançamento estava uma pilha, dei várias entrevistas, tirei bastante foto, e atendi alguns convidados ilustres que vieram me prestigiar. Comecei a me arrumar depois de tudo feito e lembrei que ela não estava ali ao meu lado me apoiando, não me daria um abraço acompanhado de "Boa sorte meu amor" e nem sentiria o gosto dela. Balancei a cabeça bruscamente afastando aqueles pensamentos e me concentrei no que estava fazendo. O show foi sucesso total, estava tudo novo, cenário, repertorio e inclusive eu. Aquele Luan que amava, e ficava bobo havia alto se reformatado, era uma nova pessoa.

-Ele já lançou o CD! Comentei com a Bia. 


Estávamos sós em casa, ela iria sair com o Lucas, eles estavam indo bem; se amavam e isso bastava. Os dois se completavam, iriam ter um excelente futuro juntos, com muito sucesso. Os dois se destacavam, cada vez mais, no estágio e eu estava feliz por isso.

-Eu soube, a Carol foi com seu irmão!
-É...! –Respirei fundo. –Que bom que ele tá fazendo mais sucesso...! Baixei as vistas.
-Olha só o que tenho em mãos! Ela sorriu me mostrando o CD.
 -Nossa! –Levantei e tomei o CD das mãos dela sorrindo. –Olha, as músicas que ele... escreveu pra...mim! 

Meu coração disparou mais pareceu pequeno e sofrido, senti uma dor e as lembranças de nós dois invadiram minha mente. Ele estava tão lindo e ao mesmo tempo diferente, nunca mais tinha o visto; me afastei de tudo dele. Aquele novo CD passou, pra mim, um Luan mais maduro, sem medo de se arriscar.

-Dá uma escutada nessa "24 horas" a Carol me disse que foi feita pra você pela letra! Bia sorriu se sentando no sofá.
-Essa eu nunca tinha ouvido...! Peguei o encarte e li, parecia se encaixar a nós dois, mesmo.

Fiquei parada lendo e me perguntei se ele estaria sofrendo ainda, como eu. Queria colocar o CD para ouvir sua voz, novamente, mas tinha medo do que me causaria; só em ver as fotos meu coração já pulsava nervoso.

Após três semanas turbulentas após o lançamento do CD tive uma folga de três dias, segui pra minha casa e viajei com meus pais para o sítio, estava precisando descansar e nada melhor que sombra e água fresca naquele momento. Passei o dia com a Bruna pescando, a ensinava umas manhas novas, e ela me tirou algumas risadas me contando umas histórias da sua viagem na escola. 


Dia seguinte voltei a Londrina, teria uma reunião no escritório, Dagmar me ligou cedo e lhe disse que estava a caminho, cheguei 20 mim após sua ligação, entrei cumprimentando todos e seguir pra sala de reunião aonde todos já me esperavam. 

-Bom dia Lú, sente-se! Dagmar sorriu.
-Bom dia galera! Desculpem o atraso! –Sentei. –E ai, Dada?! O que foi?
-Lú, recebemos um convite maravilhoso pela segunda vez! Ela me disse animada.
-Qual convite? Perguntei curioso.
-Você foi convidado novamente pra cantar no Brazilian Day! Ela sorriu.
-Em Nova York? Meu coração disparou.
-Isso mesmo, mês que vem!

A olhei, ainda, sem acreditar. Encostei na cadeira e meu coração disparou; só de imaginar que eu iria estar no mesmo país, de novo, que o dela meu coração ficava mais alegre.

-Legal...! Vamo, nessa! Sorri, forçado.
-Bom, vou passar algumas coisas que eles me falaram!

Dagmar começou a falar mais meus pensamentos estavam perdidos, batia descompassado e mordia com força meus lábios tentando segurar meu medo, e ansiedade. Quando a reunião acabou continuei na sala vendo algumas coisas com o Júnior e o Roberval se aproximou de mim. 

-Você tá bem?
-To! Por quê? O olhei.
-Acho que o nome Nova York te trouxe lembranças de alguém que esta lá!
-Cara, não tem como te esconder nada, né?! –Respirei fundo e sorri. –É! Me trouxe lembranças...!
-Te conheço, mais que sorriso é esse ai? Isso eu não entendi!
-Só pra disfarçar... To confuso por dentro!
-Não deixa ela te dominar de novo, você tá bem cara, se reconstruiu. Não deixa ela te abalar, por favor!
-É! Você tem razão... Mais cara não vou mentir, uma coisa é ela longe outra é ela perto; vai ser mais difícil agora... Não vai mais existir distância!
-Eu sei que vai ser difícil, mais lembra; ela tá com outro!
-Tudo bem...! Vou me segurar, mas não garanto, nada! –Levantei. –Vou malhar! Sorri.
 -Vai lá!

Saí daquela sala com coração na mão, não saberia como iria lidar com ela e confesso que não saberia se me controlar. Respirei fundo me despedindo de todos e segui de carro pra academia do condomínio onde Guto me esperava pra malhar. 

Os dias se passaram rápidos, já havia ganhado um grande peso muscular e isso estava me deixando cada vez mais animado pra malhar sem parar, além de me deixar mais disposto nos shows fazia me senti bem com meu corpo. 

Comecei a arrumar minhas coisas com ajuda de Bruna e conversamos sobre várias coisas, estávamos ansiosos pra conhecer Nova York, Bruna mais ainda, queria ver as tendências de moda e eu ao ouvi aquilo revirava meus olhos enquanto ela ria. 

-Amiga, meu Deus! Bia apareceu do nada na sala me assustando.
-Que foi, maluca? –Olhei pra ela assustada. –O Lucas te pediu em casamento? Ri.
-Vamos para o Brazilian Day, não vamos? Ela se jogou no sofá sorrindo.
-Por que, essa animação toda? Olhei pra ela, sem entender.
-Eu quero ver o Luan amiga, ele vai tocar. E fora que tem o Tiaguinho!
-O Luan... Aqui? Olhei pra ela.
-Isso, ele vai tocar pela segunda vez, ai eu quero ver o novo show dele, a Carol disse que estar lindo. Por favor, diz que sim!
-Amiga eu...!

Meu olhar se fixou, em lugar algum, e um sorriso se abriu sem eu perceber. Me perdi nas emoções que estava sentindo; meu coração disparado, minha boca seca, minha pele arrepiar, meus olhos brilhar, meu corpo estremecer. Eu fui tomada por uma vontade dele, enorme.

-Você vai comigo, não vai? Ela sorriu dando pulinhos no sofá.
-Não sei...se eu devo ir! Sério...! Eu ainda nem tive coragem de ouvir o CD, imagine ir ao show! Olhei pra ela e pareci acordar.
-O Lucas disse que vai, conhece um dos caras que estar organizando tudo. E então o Gabriel vai, você vai ter que ir! Ela se levantou indo na cozinha beber água.
-O Lucas conhece gente que pode colocar a gente lá dentro...do camarim? Levantei, rapidamente, atrás dela, com um sorriso no rosto, que eu não entendi.
-Conhece e eu vou ver o Tiaguinho! Ela pulou em cima da minha cintura me abraçando.
-E eu vou... –Abri um sorriso maior, ainda. –Com você! Mordi o meu lábio, forte, ainda, sorrindo.
-Ah, amiga eu te amo! Ela me abraçou forte gritando.

Quando terminei de arrumar minhas coisas desci e fiquei conversando e acertando algumas coisas com meu pai, em momento nenhum falei da Manuela, mas dentro de mim, no meu coração e pensamento só era nela que pensava. Queria saber se ela estaria lá, mesmo que de longe, assistindo meu show, queria encontrar com os olhos dela pra tentar descrever se estava bem, se estava feliz pra poder seguir de vez em paz com meu coração. 


Acordei cedo dia seguinte e seguir junto com todos da produção para o aeroporto, estávamos todos nervosos, exigi mais de mim e ensaiei muito mais com a banda depois daquela notícia, queria impressionar e mostrar o quanto melhorei desde última vez que estive lá. Pra mim a segunda vez que tocamos na mesmo local temos que dar o melhor de nós e era isso que iria fazer, iria dá pra aquela galera o melhor show do mundo. 

Após alguns minutos de espera seguimos pra São Paulo e em meio a conversas e risadas, pousamos, enquanto esperávamos o próximo voou pra Nova York. Ensaiávamos improvisado mesmo ali na sala reservada pra minha equipe, Juliano fazia algumas gracinhas com Peixola e sempre caíamos na risada. Assim que entramos no avião um frio na barriga tomou conta de mim, estava ansioso e nervoso queria impressionar a todos. 

Quando chegamos lá fomos direto para o hotel e pela confusão do fuso horário dormi durante o resto do dia. Acordei descansado e seguir junto com Dagmar pra coletiva aonde Tiaguinho que também iria tocar nos esperava. Respondemos várias perguntas e tiramos fotos juntos pra divulgação. Todas as perguntas foi transmitido pela twitcam pra nossos fãs. Quando acabou a coletiva fomos jantar em uma breve comemoração de estarmos ali tocando para aqueles brasileiros que sentiam saudade de sua terra. 

CAPÍTULO SESSENTA E CINCO.

Eu fiquei deitada na cama e as imagens do Daniel e o Luan ficavam em minha cabeça. Eu tentei dormir mais os dois se misturavam em meus sonhos. Aquela noite foi um tormento dormir. Peguei meu celular e disquei o número do Luan.

-Oi meu amor, que saudade de ouvi sua voz! Luan atendeu animado e eu fechei meus olhos com força.
-Lú eu preciso conversar sério com você... Tem um tempo?
-Claro! Acredita que estava discando seu número agora? Fiquei com medo de te acordar, sei lá!
-Não, tudo bem! –Respirei fundo e sentei no sofá. –Olha, o que eu tenho pra te falar é muito sério! Eu passei esses dias pensando e... Tá difícil pra mim, tá muito difícil!
-O trabalho tá difícil?
-Não amor... Não Luan! É a gente! Estava segurando choro.
-O... O que tem?
-Tá muito difícil, continuar assim... São muitos quilômetros... A gente vivendo as coisas muito diferentes,... Não dá!
-Você já me falou uma vez isso e eu não gostei, lembra? Manu, por favor... Eu te apoiei, to morrendo de saudade, faço o possível pra estar te acompanhado mesmo que de longe...
-Luan, tem muita coisa acontecendo aqui que você não sabe, que é difícil compartilhar com você... Eu to muito confusa! Me entende, por favor!
-É aquele tal de Gabriel, né?
-Não fiquei com ninguém, antes que você pense algo...! Não é ele é o jeito dele... Ah! É muito complicado...! Luan... É sério, me ajuda!
-Você tá apaixonada por ele, né? Eu... devia ter imaginado. Tudo bem Manuela, eu não vou te força a ficar comigo e nem me fingi de coitado!
-Luan... Eu não to apaixonada por ele...! –Parei de falar de repente e respirei fundo. –É o Daniel...!
-Daniel? Ele pareceu não entender.
-É o jeito do Gabriel... é isso! Olha nem eu sei explicar cabeça confusa demais!
-Tudo bem, só cuidado pra não achar que o tal do Gabriel é o Daniel, por que não é!
-Olha... Eu to terminando pra colocar minha cabeça em ordem...! Eu fico confusa entre você e o Dan, eu não sabia que o Dan ainda me balançava desse jeito... Desculpa!

Respirei o mais fundo possível fechando e abrindo meus olhos rapidamente, sabia no fundo que aquilo iria acontecer, mais mesmo assim quis arriscar ficando ao lado dela e a apoiá-la. Permaneci calado tentando digerir as palavras dela e ainda não acreditava. Ela estava apaixonado por outro achando ser seu ex e eu ali ainda perdidamente apaixonado por ela, mais se era essa a vontade dela não podia prendê-la a mim, teria que deixá-la ser feliz. Afinal de contas quem ama a pessoa quer vê-la feliz mesmo que não seja ao seu lado. 

-Tudo bem! Foi as únicas palavras que conseguir dizer.
-Eu precisava de você aqui... ! Foram as últimas palavras que eu consegui falar.

Chorei durante a noite inteira, abraçada ao meu travesseiro. Era uma dor insuportável de aguentar. Não podia me imaginar sem ele, mas eu não sabia o que, realmente, eu queria. Meus olhos cansados de chorar fecharam e eu acabei dormindo profundamente, com a cabeça sobre o travesseiro molhado, por minhas lágrimas.

Desliguei sem conseguir entender suas últimas palavras e levantei jogando celular na cama, passei a mão no cabelo olhando para o teto e me perguntando o que estava acontecendo, o porquê daquilo comigo. Saí do meu quarto e bati na porta do quarto de Roberval, sei que ele poderia estar dormindo, mas precisava conversar com um amigo.

-Fala cara! O Roberval abriu, depois de alguns segundos.
-Acabou Rober, acabou tudo! Entrei em seu quarto.
-O que? O que você tá falando cara? Calma! O Roberval fechou a porta olhando para o Luan sem entender.
-A Manuela cara, me ligou falando monte de coisa e terminou comigo! –Levantei a cabeça olhando-o e não pude impedi de uma lágrima cair. –Ela tá apaixonado por outro cara!
-A Manu o que? Mais cara... –O Roberval sentou ao lado do Luan. –Cara, uma hora isso iria acontecer! Namoro à distância, ainda mais fora do país, é muito difícil!
-Tá doendo tanto,... Não consigo imaginar minha menina nos braços de outro, minha vontade é ir lá e roubar ela pra mim. Por que cara? Eu a amo tanto, tanto!
-Cara, calma! Ficar assim não vai adiantar nada! Tenta se acalmar...!
-Não consigo, tentei parecer calmo pra ela mais tá doendo muito, maldita hora que ela se inscreveu nesse concurso!
-E o pior á que eu não entendo... Por que ela foi se ela disse que não queria? Sabe o que eu acho? Que se ela não quisesse mesmo, não iria! Não to querendo colocar coisa na sua cabeça, mas é minha opinião!
-Ela não me amava Rober e isso é o que mais dói! Quem ama não se apaixona por outro cara em menos de dois meses!
-Cara, no fundo ela devia saber que ela iria passar... Pelo o que você falava, ela era muito inteligente!
-Você acha que... Ela me traiu? Luan o olhou.
-Cara, não sei! Mais você e nem eu estávamos lá...! Você confia nela? O que ela disse?
-Que não, mais ela tava saindo direto com esse tal de Gabriel! –Luan levantou dando um murro na parede. –Quer saber? Vou seguir minha vida, Roberval se preparar por que o Luan pegador esta de volta!
-É isso ai, cara! Se divertir, nada de sofrer! O Rober o apoiou.

Após sair do quarto de Roberval seguir pro meu, fechei a porta atrás de mim fui na varanda, estava tentando se forte por fora, mais por dentro estava destruído, quando fechava meus olhos vinha a cena dela abraçando outro cara. Tentei apagar esses pensamentos da minha cabeça e deitei, rolei durante minutos procurando uma posição agradável mais ao perceber que não iria conseguir, peguei meu violão e novamente fui pra varanda, meus pensamentos estavam longe na verdade ele estava nela.

Olhei pra lua e algumas palavras vieram na minha mente, peguei papel, caneta e coloquei meu violão sobre o colo, e ia escrevendo as palavras. 

-Hoje acordei com uma vontade louca de falar... De tudo aquilo que não vai voltar, de um sentimento que passei um dia... –Anotei essa frase no papel e dedilhei o violão à procura de uma melodia, respirei fundo e continuei. –Eu me perdi quando eu vi que você me deixou e me trocou sem nenhuma razão... Era demais a vida era bela... Todas são iguais, mas como você eu nunca vi. Sabe me tirar da solidão não dava nada... Agora eu to perdido e louco de paixão. Queria tanto poder te falar, daquele tempo que não vai voltar. É tentação, mais que paixão são 24 horas e você no coração!

Fiquei olhando aquele papel e percebi que essa música contava minha história, fechei meus olhos e as lembranças daquela noite em Cancún invadiram minha cabeça. Me lembrei da primeira vez que chorei por uma menina, foi minha primeira namorada, a Carla. A gente tinha brigado e quando cheguei em casa chorei ao som do Zezé e Luciano. A dor que estava sentindo era enorme, ela nesse momento devia estar nos braços de outro e eu aqui de mãos atadas em poder lutar por ela. Olhei para o meu dedo e sorri ao ver meu anel de compromisso, as lembranças daquela tarde do nosso almoço me invadiu e um aperto no coração tomou conta das aceleradas batidas do meu coração. 

Fechei meus olhos na esperança daquilo ser um pesadelo, mais ao abri percebi quão dura era minha realidade. Uma melodia veio em mente e comecei a tocar, quando dei por mim o sol estava nascendo e a música estava pronta. A cantei completa e gostei do que havia acabado de fazer. Coloquei o violão na poltrona e me sentei na cama, tirei o anel do dedo e coloquei dentro das minhas coisas na mochila. 

Mesmo doendo seguiria minha vida; voltaria a malhar e focaria totalmente no meu trabalho, aos meus fãs, e minha família que sempre estaria ao meu lado. Peguei meu celular excluindo todas nossas fotos, mensagens e qualquer coisa que me lembrasse ela. Coloquei o celular ao meu lado e deitei cama respirando fundo, iria travar uma guerra contra mim mesmo pra esquecer a Manuela, estava disposto a vencer, nem que pra isso ficasse com uma mulher a cada noite. Comigo agora não existe mais amor, apenas prazer.

Acordei dia seguinte animado, já passava das três da tarde. Levantei ajeitando o cabelo e me olhei no espelho, tirei a blusa olhando minha barriga e medi meu braço. 

-É, vou ficar mais gostoso do que já sou, mulheres... Me aguardem!

Ri de mim mesmo e seguir para o banheiro, escovei os dentes, tomei banho demorado, me vesti e ajeitei meu cabelo e desci com Well. 

-Bom dia Lú! Dagmar sorriu e me sentei após lhe dá um beijo na testa.
 -Bom dia Dada! Tenho uma notícia e uma ordem pra você! Disse pegando uma torrada e colocando suco pra mim. 
-Nossa! O cara acordou animado! Rober brincou. 
-Só o começo! Ri.
 -Sim Luan, manda ai a ordem e o pedido! Dag me olhou curiosa.
-Então, Dada tô solteiro!
 -Oi? Ela me olhou assustada. 
-Eu e a Manuela terminamos, ela tá... Com outro cara! Dei um gole no meu suco.
 -Nossa Lú! Sinto muito! 

-Tudo bem! Caso a mídia pergunte o motivo diga que foi a distância! 
-Claro, pode deixar! Mais... Você tá bem? Precisa de alguma coisa? Ela me olhou. -Sim, que pare de me olhar com essa cara de pena, eu estou ótimo e supero mais essa!
-Tudo bem, desculpa! Mais me diga, qual o pedido?
-Quero um personal trainer nos acompanhado nas viagens, quero voltar a malhar e dessa vez é pra valer!
 -Pode deixar, vou providencia isso, homem ou mulher?
-Quero um que seja profissional, não importa o sexo!
-Ótimo, vou fazer isso agora mesmo! Dagmar se levantou e eu senti o peso do olhar de Roberval sobre mim. 
 -Que foi? O olhei. 
-Gostei de ver! Batemos as mãos rindo e voltamos a comer.

Naquela noite eu sonhei, um sonho lindo. No sonho eu estava nos braços do Luan, recebendo os carinhos e os beijos dele. Tudo estava tão perfeito como quando na noite em Cancún. Tudo estava tão mágico e especial... Mais eu vi, ao longe, o Daniel a nos observar. Acordei assustada chamando pelo Daniel, a Bia se assustou e veio ver como eu estava. Contei tudo o que tinha acontecido a ela e ela apenas me escutou me dando colo para chorar.

Não estava bem, tudo pra mim tinha um motivo para eu lembrar ele e ficar ao lado do Gabriel, naquele dia, doeu. Lembranças a todo tempo invadiam a minha mente; eu estava sofrendo. Tudo o que eu queria era ter o Diego ao meu lado, por que só ligações não bastavam. Está longe das pessoas que você mais ama e passando por dificuldades, como essa a minha, era a maior tortura que existia. Passei a sair mais e tudo o que eu pensava era em sair me divertir e tiveram vezes que eu cheguei bêbada, em casa, dando bastante trabalho para a Bia.

Era mais uma daquelas noites que eu não queria dar lugar aos meus pensamentos. Fiz a cabeça de todos para irmos a uma boate, a de sempre que nós íamos. Chegamos e começamos a danças o Gabriel e a Bia estavam preocupados comigo e o Gabriel não desgrudava de mim, ele cuidava de mim como se o Daniel estivesse comigo. Bebi durante a noite inteira e estava já falando embolado quando o Gabriel disse que iria me levar pra casa. A Bia e o Lucas disseram que iriam ficar mais um pouco e o Gabriel me levou para o carro.

-Ai! To tonta! Entrei em casa quase caindo, tropeçando no sofá.
-Cuidado! Ele me ajudou.
-Você vai ficar aqui? Olhei pra ele, falava um pouco embolado.
-Vou, você precisa de um café bem amargo, vem cá! Ele me ajudou a levantar e nossos corpos ficaram colados.
-Você tá tão cheiroso! Cheirei o pescoço dele, sentindo ele arrepiar.
-Manu...
-Seu cheiro é tão bom...! Comecei a alisar seu pescoço com meus lábios.
-Não quero aproveitar de você por estar bêbada Manu... Desculpa mais vou te beijar! Ele segurou firme em minha cintura e me beijou.

Quando ele me beijou não senti gosto algum, mas senti uma vontade de continuar, por mais que aquilo não significasse nada, mas eu queria esquecer de tudo; queria anular tudo. Beijei ele mais intensamente e mordia, levemente, seus lábios. Eu estava grossa, fazia tudo intensamente, cheguei a arranhá-lo quando tentei tirar sua camisa; parecia que eu estava descontando tudo, todo o meu sofrimento no Gabriel.

Ele foi andando comigo até meu quarto e com cuidado me deitou na cama vindo por cima de mim, continuei beijá-lo e tirei sua camisa com sua ajuda, ele estava sendo carinhoso comigo e muito delicado. Após alguns minutos já estávamos sem nada e acabou acontecendo uma transa no qual não havíamos planejado.

Acordei e percebi que estava de mal jeito na cama, eu estava sentindo uma forte dor no braço, tinha dormido por cima dele, e uma dor de cabeça intensa. Abri meus olhos, meio enjoada, olhei no relógio e ao me mexer senti alguém ao meu lado, me virei assustada. Quando eu vi o Gabriel ao meu lado eu lembrei o que tinha acontecido e fechei meus olhos arrependida. Olhei a minha volta e vi nossas roupas espalhadas pelo chão, respirei fundo.

Como eu consegui fazer aquilo, se não era o mesmo calor, o mesmo beijo, os meus carinho; se não era o Luan? Levantei e saí do quarto, tateando por que minha dor de cabeça havia aumentado absurdamente, quando eu percebi o que eu tinha feito. Fiquei na cozinha e tentava por minha cabeça no lugar, tomando um remédio.

-Manu! Ele apareceu vestido à blusa.
-Oi! Respirei fundo virando pra ele.
-Olha eu... Não sei o que deve estar passando na sua cabeça, mais eu... Eu em momento nenhum te forcei a nada!
 -Tudo bem...!
-O que você tem?
-Uma dor de cabeça enorme...! Só isso...! Passei por ele indo pra sala, estava fria.
- Vou fazer um café pra você! Alguns minutos depois ele apareceu com uma xícara me entregando.
-Brigada! Peguei a xícara da mão dele.
-Amiga...! Bia apareceu e arregalou os olhos me vendo com Gabriel.
-Oi! Olhei pra ela.
-Toma! Você tá em todos os sites de fofocas! Ela me entregou o notebook.
-O que? Olhei pra ela assustada e peguei o notebook lendo.

"Cantor Luan Santana e a recém formada Manuela Pontes dá um fim no relacionamento de um ano e dois meses. 

Numa coletiva de impressa o cantor teen sertanejo assumiu estar mais só que chinelo de saci. Ao perguntar sobre Manuela, Luan declara que o namoro chegou ao fim devido a distância entre os dois. Ele ainda assumiu que assim como ela, ele estar em outra. OMG! O Luan estar de volta meninas."

terça-feira, 6 de novembro de 2012

CAPÍTULO SESSENTA E QUATRO.


Quando olhamos o horário os meninos nos levaram pra casa, após nos despedi deles subimos para o nosso apartamento, Bia falava animada sobre o Lucas e eu apenas sorria, era bom vê-la feliz daquele jeito, parecia que os dois estavam dando certo. Entramos e eu tomei um banho demorado, tirei minha maquiagem, e deitei na cama, olhei meu celular e tinham 6 chamadas perdidas do Luan, e logo depois uma mensagem dizendo que ele entraria no msn pra nos falar, peguei meu notebook e assim que entrei ele falou comigo, ligamos a web e me subiu um nervosos, lembrei do Gabriel e da noite na boate.

-Oi meu amor, que saudades! Luan disse animado tocando na tela como se pudesse alisar meu rosto.
-Oi! Sorri deitando na cama.
-Nossa! Tá tudo bem?
-Tá sim! Só tá frio aqui! E ai? Como você tá? Olhei para ele na tela do computador e meu coração pareceu despertar.
-Tirando o fato que penso em você 24 horas por dia, tô bem!
-Sabe o que eu lembrei agora? Ri olhando para a tela.
-O que? Ele sorriu se ajeitando na cama.
-Daquela vez que a gente tava se falando, assim, e você caiu da cama tentando pegar o celular! Gargalhei.
-Machucou viu? Ele riu.
-Tá! Desculpa...! Queria você aqui pra me esquentar...! Sorri.
-Também queria estar ai. Tá maquiada amor? Ele aproximou o rosto da câmera tentando ver melhor.
-É! Saí com a Bia...! Sorri sem graça.
-Ah, se divertiu?
-É! Dancei, um pouco... Mais nada demais! E você fez o que hoje? Sorri.
-Passei o dia no estúdio, tô focando no meu novo CD, amanhã tenho sessão de fotos aqui em Sampa pra capa! Ele falou animado e desenhou um sorriso lindo nos lábios.
-Que bom! –Sorri vendo o sorriso dele, tocando na tela. –Tem alguma música que você pede cantar pra mim?
-Deixa eu pensar... –Ele olhou pra cima e sorriu. –Espera! –Ele levantou colocando notebook na cama, e logo voltou com violão. –Ver se gosta meu amor, vou cantar só um pedacinho! Ele sorriu começando a tocar. 

"Por que se me perguntar quem eu respiro é você, você, você. Se for pra escolher o céu ou a terra respondo você. Se quiser saber minha alegria é te ver, te ver, te ver. Quem sabe eu te quero, tanto assim por que esqueci de te esquecer..."

Ou vê-lo cantar, com aquele jeitinho dele, novamente, nossas lembranças invadiram minha mente. Meu coração bateu mais forte e as lágrimas eu não pude conter. Eu queria abraçá-lo queria poder pegar o primeiro avião para ir até ele. O jeito dele de pegar e tocar no violão era hipnotizante. Tudo que eu queria era está do outro lado da tela, ao lado dele, o abraçando para, talvez, mais uma noite de amor. Mais eu tinha que me manter forte.


-É linda meu amor! Comentei quando ele terminou.
-Depois canto inteira pra você, ainda falta muito, quero compor mais minha inspiração tá tão longe!
-É? Mais eu pensei que ela estivesse aqui! Coloquei a mão no meu coração e sorri.
-E tá, mas as letras vinham com mais facilidade quando a olhava dormi feito um anjo na minha frente! Ele tocou a tela.
-Mais então vai ver, ai do lado, dormindo! –Sorri. –Espera eu tomar banho?
-Leva o notebook para o banheiro? Ele sorriu.
-Levo! Sorri.

Levantei, com o notebook no colo, e tranquei a porta. Fui para o banheiro e coloquei o notebook ao lado da pia. Olhei pra ele e sorri, comecei a tirar a roupa e brincava, com minha roupa, enquanto ele assistia tudo do outro lado da tela. Entrei no banheiro e comecei a tomar banho.

A olhei tomar banho e sorria alisando a tela, queria poder estar lá beijando-a, trocando carinhos e até poder amá-la ali, enquanto a água caia sobre nossos corpos. Ela era linda, e uma saudade bateu chegando a machucar, queria senti o calor da pele dela, senti os beijos, queria que o nosso suor se misturasse.

Eu terminei de tomar banho e coloquei um roupão, pegando, novamente, o notebook no colo e pondo ele sobre a cama. 

-Amor quer que eu coloque qual? Mostrava as duas camisolas que ele gosta.
-A rosa!
-Vou colocar! –Tirei o roupão, delicadamente, e coloquei a camisola, depois eu deitei na cama. –Gostou? Sorri.
-Muito! Acho que to indo para o aeroporto!
-Então vem! –Sorri. –Deita também amor! Vamo brincar de ver quem dorme primeiro! Ri.
 -Que saudades de você...
-Amiga, telefone pra você! Bia apareceu com telefone sem fio.
-Ah! Quem é amiga? Olhei pra ela.
-Gabriel! Ela sorriu.
-Espera só, um segundo amor! Levantei da cama e fui atender o celular.

Quando ouvi a Bia falando nome de um homem senti meus músculos ficarem rígidos, meu coração acelerou e mil pensamentos invadiram minha mente. Quem será esse cara? O que será dela? Por que ele estava ligando aquela hora pra ela? Queria saber quem era, um medo tomou conta de mim, eu não estava lá pra mostrar presença e isso me deixou morto de ciúmes.

-Gabi, oi a Manu! Olha, desculpa não vai dá pra eu falar com você agora... To conversando com meu namorado, tá?! Beijos! Peguei o telefone e não dei chances para o Gabriel falar e a Bia sorriu ao ver minha atitude.

Sorri ao ouvi a resposta dela, um alivio enorme tomou conta do meu coração e respirei fundo com mais facilidade. Mordi o canto da boca querendo ri mais alto e queria ver a cara do dele após receber um fora desse, ele devia ser um otário.

-Oi mô! Pronto! Deitei na cama, enquanto a Bia fechava a porta, indo embora.

Deitei com o computador ao meu lado e ficamos olhando um para o outro e alisávamos a tela do computador. Meu sono chegou primeiro que o dele e eu sabia que ele tinha ficado a me ver, por mais tempo. Quando acordei vi que a câmera do computador ainda estava ligada e que ele dormia feito um anjo, do outro lado o obsevei e mandei uma mensagem de bom dia, desligando a câmera; eu tinha que ir trabalhar, com uma vontade imensa de ficar o observando.

Um tempo se passou e eu e o Luan continuávamos a nos falar, mas com a dedicação dele ao CD, não sobrava muito tempo para mim. Eu e o Gabriel nos aproximamos, o Gabriel era extremamente atencioso e carinhoso. Tudo nele me hipnotizava e me fazia lembrar o Dan; o jeito de falar, de sorrir, de me tratar... Eu chegava a esquecer do Luan; o Dan ainda mexia comigo e muito.

-E nosso jantar hoje estar de pé mocinha? Ele sorriu bagunçando meu cabelo, o olhei e senti um arrepio quando ele me chamou de "mocinha" era como o Dan me chamava.
-Eu disse que ia, não disse?! Sorri o olhando, com esperança de ver o Daniel.
-Não esqueci a sua comida predileta, vou te levar a um restaurante que tem ela!
-Ah! É? Quero só ver! –Sorri. –Mais e o relatório, fez?
-Tá aqui! Ele me entregou. 

À noite me arrumei com um vestido lilás meio colado no corpo, um salto alto preto e seguimos para o restaurante, que por sinal era lindo. O Gabriel era muito educado e a cada gesto dele achava cada vez mais que ele era algo do Dan, cheguei a achar em meus pensamentos que eles poderiam ser irmãos. Jantamos em meio a conversa, ele era um fofo, engraçado e super respeitoso. Depois do dia da boate nunca mais ele tocou no assunto do Luan, não perguntava como estava meu namoro pelo contrário. 

De lá seguimos pra uma boate e nos divertimos muito, ele fez um gesto que me fez ficar parada diante dele feito uma pessoa hipnotizada, cheguei a vi o Dan na minha frente fazendo eu abraçá-lo como se o Dan estivesse ali diante de mim, o apertei tanto no abraço que pensei que fosse esmagá-lo. 

Ele me levou em casa e na despedida no seu carro ele quase me beijava, mais evitei e virei o rosto a tempo, eu não podia fazer aquilo com o Luan. Lhe dei um beijo no rosto e subi para o meu quarto, me joguei na cama e respirei fundo pensando em muitas coisas ao mesmo tempo. Eu estava confusa, tudo se misturou em minha mente. Levantei e tomei um banho, água escorria por meu corpo e a velocidade dela não coseguia acompanhar a dos meus pensamentos, que pareciam está na velocidade da luz.

Todas as lembranças do Dan e do Luan se misturavam, em minha cabeça, me esbarrei em várias coisas no quarto, até que consegui me vesti e deitar na cama, para fazer o que eu sempre fazia; me encolhi e comecei a chorar, desesperadamente, desejando o colo do Diego, só ele iria me entender naquele momento.

Dia seguinte segui para o escritório e não falei nenhuma palavra com Gabriel, ele apenas falou comigo sobre alguma duvida que teve e nada mais ao perceber que não estava nos meus melhores dias. Fiz tudo que tinha pra fazer e saí pra resolver alguns problemas com a Bia, logo voltamos pra casa e fiz nosso jantar, naquela noite não queria sair de casa, queria ficar sozinha, já que não tinha o Diego ao meu lado pra me ajudar.

Alguns meses se passaram e a presença do Luan se tornou rara e isso não me ajudava ou ajudava; ainda estava confusa. Era impressionante como quando eu precisava do Luan ele atendia e dizia que estava no estúdio e não ligava depois, como tinha prometido. Ele estava bastante dedicado ao novo trabalho, e eu estava ficando impaciente.


O Gabriel estava mais presente, sempre ao meu lado e era ele que me ouvia. Tive um trabalho imenso em superara a falta que o Diego estava fazendo e o Gabriel me ajudava me dando conselhos que eu, sinceramente, via o Daniel ao meu lado e chegava a tratá-lo de uma forma muito carinhosa; a forma que eu trataria o Daniel. E ele, eu estava achando, estava confundindo tudo, por minhas atitudes.

Em uma noite estava sozinha no apartamento a Bia havia saído com o Lucas, eles estavam ficando sério e fiquei muito feliz por ela estar gostando de alguém que possa retribuir ela. Liguei a TV colocando um dos meus filmes prediletos e me deitei no sofá comendo pipoca, era impressionante como poderia assistir aquele filme mil vezes e senti as mesmas sensações, lembrei o Dan, ele havia realizado meu sonho que continha naquele filme, deixei uma lágrima cair e fechei meus olhos respirando fundo. A campainha tocou e eu levantei de camisola mesmo pra atender, a Bia tinha o costume de esquecer a chave, abri a porta e dei de cara com o Gabriel e um vidro de vinho na mão com sorriso nos lábios. 


-Oi Manuzita!
-Gabriel?! Me escondi, atrás da porta, envergonhada.
-O Luquinhas me disse que você estava aqui sozinha, decidi vim te fazer companhia! Ele sorriu.
 -Ah! Mais espera dois minutos, ai fora? É rapidinho, prometo! Sorri sem jeito.
-Ah, claro! Ele deu os ombros.

Fechei a porta e saí correndo para o quarto, colocando um vestido e um casaquinho, por cima. Ajeitei meu cabelo e abri a porta.

-Pronto! Desculpa! Entra! Sorri.
-Tudo bem! –Ele entrou. –Trouxe um vidro daquele vinho que você gosta!
-Ah! Que bom, mas é que... Não me leva a mal, hoje não to no clima!
-Ah, que isso, só uma taça! Ele sorriu.
-Só uma! –Fui até a cozinha e trouxe as taças e o abridor. –Toma! Entreguei a ele o abridor.

Ele abriu com bastante facilidade e nos serviu, liguei o som baixinho e começamos a conversar, enquanto bebíamos, ele me contou um pouco da sua vida no Brasil e me tirou várias risadas, ele contava fazendo piada e era impossível não ri. Tomamos a segunda taça e desta vez fui eu que lhe contei um pouco da minha vida, menos do Luan e do Dan. Falei sobre minha faculdade, trabalho, sobre me pai o Di e de como parei aqui.

-Então, foi assim que eu vim parar aqui! –Sorri. –Vai querer mais por que eu não! O olhei apontando para o vinho.
-Manu... Eu não consigo mais esconder de você... –Ele se aproximou de mim colocando a taça na mesinha e segurou na minha nuca. –To apaixonado por você!
-Gabriel...! Me afastei dele.
-Manu, me dá uma chance, por favor! Ele alisava meu rosto.
-Não, Gabriel! –Levantei. –É melhor você ir embora!
-Tudo bem! Desculpa! –Ele levantou devagar indo na direção da porta. –Desculpa mesmo! Ele abriu a porta saindo.

Fiquei parada olhando a porta fechar, mil pensamentos passaram na minha cabeça e quando fui sentar no sofá ouvi meu celular tocar, corri para atendê-lo e vi quem era, queria que fosse o Diego. Respirei profundamente e, naquele momento, eu me confundi ainda mais.

-Oi! Atendi.
-Oi meu amor, desculpa não ter ligado! Tô quase terminando meu CD, tá ficando TOP, quero que seja a primeira a escutar! Ele disse animado.
-Ah! Legal! Sentei no sofá, de vez.
-Tá tudo bem?
-Não sei... Aqui comigo não! Mais que bom que ai está...! Falei, um pouco, grosseira.
-Amor eu sei que ultimamente não ando te ligando, nem te dando atenção, mai é que tá muita correria aqui, já estou há duas noite sem dormir me dedicando ao CD, to compondo muito! Me perdoa, não fica assim!
-Tudo bem, Luan! –Respirei fundo. –Desculpa, também, fui grossa!
-Tô no quarto de bobeira, quero te ver, será que rola Web?

Liguei a web no meu quarto e conversamos sobre muitas coisas, ele me contou com muita animação sobre o DVD e eu apenas escutava, o sorriso dele estava encantador e seus olhos brilhavam. Falei um pouco do meu estágio e logo desligamos, ambos estavam cansados e precisavam descansar.

Depois daquela noite, ele se fez presente durante toda a semana. Sempre me ligava e se dedicava e toda noite conversávamos pela web. Eu estava gostando, mas tudo parecia meio confuso, por que o Gabriel, também, tentava me agradar, de todas as formas, com o jeito que lembrava ao do Daniel, se desculpar pelo o que ele havia feito.

-Vamos pra uma boate hoje gente? Lucas nos propôs no horário do almoço.
-Não sei, não! Olhei pra ele.
-Vamos gente distrair um pouco, estamos precisando, essa semana foi péssima!
-Por mim tudo bem! O Gabriel sorriu.
-Não to em um clima bom... Queria ficar em casa deitada! Continuei a comer.
-Beleza chata! Bia fez bico.
 -Uma pena, vamos senti sua falta! Lucas voltou a comer.
-Sério gente! To sem clima! Olhei pra eles.
-Tudo bem amiga, a gente entende! Bia sorriu. 
O resto do dia foi tranquilo, mais permaneci calada durante todo tempo, estava pensativa, e meu coração acelerava com meus pensamentos misturados. Quando sair do trabalho fui em um mercado comprar algumas coisas e segui pra casa, entrei arrumando as coisas e fui tomar um banho, Bia saiu logo em seguida e como estava sem fome acabei cochilando em meio as lágrimas que insistiam em cair.