quinta-feira, 6 de setembro de 2012

CAPÍTULO SEIS.


Acabei fazendo as meninas irem comigo para o show do Luan, seria em Junho e eu estava muito feliz contando os dias, parecia uma criança quando falavam do Luan perto de mim, e de tanto falar dele, já era conhecida na faculdade como “Luan Santana”. Não era o tipo de fã que gritava, ia pra cima, eu era tranquila, paciente e muito “pé no chão”. Nunca me imaginei namorando ou ficando com o Luan. O Dan ás vezes brincava dizendo que iríamos nos apaixonar e o Luan me pediria em casamento me fazendo gargalhar.

Soube por minhas amigas das inscrições para o camarim pelo twitter e como estava trabalhando e estudando muito pra poder perder as aulas e ir ao show, não tive tempo de me inscrever, mais uma das minhas amigas do Fã Clube, Jéssica, me escreveu e me desejou boa sorte mandando a mensagem com a confirmação do e-mail mandado. Todas as noites quando colocava minha cabeça no travesseiro riscava mais um dia no calendário, faltava apenas dois dias.

Estava no trabalho e fazia uma lista que minha coordenadora mandou organizar pra lhe entregar até antes de sair, quando meu celular começou a tocar me fazendo tomar um susto, o peguei e percebi que era a Jéssica, minha amiga do Fã Clube.

-Amiga, você ganhou, ganhou! Mau tive chances de falar um “Oi, amiga” e ela disparou a falar me deixando sem entender o que ela queria falar.
-O que foi? O que aconteceu? Perguntei assustada.
-O camarim do show de Petrolina, você ganhou amiga, você vai ver o Luan!
-Mentira! Nem brinca! Dei um grito e comecei a tremer, não estava acreditando.
-Sério! Meu Deus amiga, meus parabéns!
-Não sei o que fazer e nem falar, tô tremendo!
-Me manda seus dados pra poder confirmar aqui!

Lhe mandei tudo e logo desliguei, falei com minha coordenadora que sabia de toda minha história e contei a ela que me abraçou forte. Assim que saí do trabalho liguei para o Dan pedindo que fosse me encontrar na minha casa e em algumas horas ele estava lá. Quando o vi entrando pela porta pulei em seus braços e lhe contei tudo enquanto sorria e chorava. Ele pareceu contente em me ver daquele jeito e me parabenizou, liguei avisando, também as minhas amigas que gritaram junto comigo no celular.

Finalmente o grande dia havia chegado não consegui esconder minha ansiedade, teria que estar lá às 10 da noite e não queria atrasar por nada. Dan passou com as meninas lá as onze da manhã e após me despedi da minha mãe com um longo abraço apertado e um “Boa Sorte” entrei no carro com o Dan dando a partida. Fomos cantando e rindo, ainda não acreditava que iria abraça-lo e saber realmente se era verdade.
Paramos pra almoçar e logo seguimos viajem, já estávamos dentro do carro há cinco horas e minha ansiedade só aumentava. Quando estávamos em uma das BR sentimos o carro estranho e do nada ele foi parando, senti meu coração pulsar forte e olhei para o Dan.

-Que aconteceu?
- Não sei, vou ver, fiquem dentro do carro! Ele saiu e quando foi mexer começou a sair fumaça do carro.
-Dan, o que houve? Saí do carro olhando-o.
-Desculpa Manu, não vamos consegui seguir viajem! O carro quebrou!

O olhei com meus olhos cheios de lágrimas e encostei no carro colocando as mãos sobre meu rosto, não acreditava no que tinha acabado de ouvi, faltava tão pouco pra abraça-lo, senti-lo perto de mim.

-Sinto muito amiga! Beatriz tocou no meu ombro junto com Carol e eu olhei pra ambas.
-Eu não vou desisti tão fácil dos meus sonhos, não mesmo! 
-O que você vai fazer?
-Eu vou conhecer o Luan! –Peguei minhas coisas dentro do carro com os olhares curiosos do Dan, Carol e Beatriz sobre mim que tentavam entender o que estava fazendo. –Eu vou pegar uma carona até lá, afinal já estamos perto e eu tenho que esta em frente ao camarim as dez, não posso desistir assim!
-Mais você vai sozinha? Dan se aproximou preocupado.
-Não! Deus e meu pai estão comigo, me protegendo, ligo quando chegar lá, não se preocupem!
-Vamos concertar o carro e te encontramos lá!
-Tá bom Dan! O abracei.
-Vai com cuidado amiga, por favor! Carol me abraçou e logo depois Beatriz.

Após me despedi deles, coloquei a mochila nas costas e saí andando, enquanto fazia sinal pra achar alguma carona, enquanto não encontrava nada. Saí caminhado, o sol estava forte ainda mais nada me faria desistir de encontra-lo. Após três horas caminhado um carro parou ao meu lado e me abaixei devagar, era uma mulher ao volante e tinha duas crianças atrás. 


-O que aconteceu querida? Ela pareceu preocupada. 
-Olá, moça! O carro do meu amigo quebrou e eu tenho o show do meu ídolo pra ir! Ganhei camarim pra poder abraça-lo então decidi ir caminhado até achar uma carona, sou de Salvador!
-Meu Deus! Entre aqui, vou te levar! De quem é o show?
-Do Luan Santana!
-Olha que coisa boa; estou indo pra lá, também! 
-Sério? Entrei no carro colocando a mochila no colo.
-Sim! Vamos, só falta uma hora para o show começar!                                                    

Ela deu a partida no carro e quando olhei o relógio já faltava apenas cinco minutos pras dez, fechei meus olhos e pedi que atrasasse ou que pudesse entrar pelo menos cinco minutos atrasada. Eu estava suja, soada mais nem daria tempo de tomar banho. Enquanto ela dirigia troquei de blusa e pus um perfume, ela me olhava e sorria parecia satisfeita em me ajudar, era uma boa pessoa. Chegamos ao local e a agradeci por tudo, ela tinha sido meu anjo aquela noite.

Desci do carro depois de lhe dá um longo abraço e olhei bem a minha frente um outdoor enorme com sua foto, sorri enquanto meus olhos enchiam de lágrima e segui para o local aonde já estava lotado de fãs, me aproximei de um rapaz que vestia a blusa da equipe e toquei no seu ombro fazendo ele se virar pra mim. 

CAPÍTULO CINCO.


-Que dança polemica foi essa Carol? Dan lhe perguntou rindo.
-Ah, curtiu? –Ela riu. –É uma música massa que tá estourando em Salvador, já ouviram?
-Não! Beatriz respondeu e rimos.
-É muito boa, não conheço o cantor mais a letra é legal e a voz também!
-Tá, qual a música? Lhe perguntei.
-Meteoro!
-Isso lá é nome de música? Dan riu.
-Ué, não sei mais é massa a musica, escuta! Ela desconectou o fone do celular e aumentou o volume, sorri ao ouvi aquela voz e senti uma coisa estranha dentro do meu peito.
-Massinha mesmo! –Dan balançava a cabeça no ritmo da música. –Que foi Manu?
-Essa voz... Me trouxe uma paz, não sei explicar!
-É linda demais, quem será que canta?
-Deve ser um cantor sertanejo! Dan disse balançando os ombros.

Pedi pra que a Carol me passasse aquela música e passei o resto do dia escutando ela. Cheguei em casa e fui diretamente para o notebook procurar algo sobre esse tal cantor da música “Meteoro”. Entrei no MSN e Beatriz me surpreendeu me passando mais uma música dele, “Amigos pela Fé” dei play na música e fechei meus olhos enquanto sentia uma paz tomando conta do meu ser. Comecei a me aprofundar nas informações sobre ele e finalmente havia achado seu nome, era Luan Rafael Domingos Santana, mais conhecido como “Luan Santana” sorri ao ver aquele nome e por diversas vezes repeti pra mim mesma sentindo meu coração disparar a cada sílaba do seu nome repetida. Naquele momento tive uma certeza; esse menino iria mudar a minha vida.

Após ser liberada da faculdade, no dia seguinte, fui direto ao shopping, e quando entrei na loja ouvi aquela voz, novamente, sorri enquanto andava e mordi o canto da minha boca. Me aproximei das prateleiras aonde tinha os CDs e vi o seu, sorri pegando com cuidado e percebi como também era bonito, fui até o caixa e paguei. Fui andando até a saída do shopping olhando o encarte e estava curiosa pra ouvi-lo todo. Assim que cheguei em casa, o coloquei no último volume e me sentei no sofá escutando, algo dentro de mim sabia que minha vida iria mudar... Pra melhor.

-Oi, querida! –Abri meus olhos e vi minha mãe cheia de sacolas do mercado, levantei ajudando-a. –De quem é esse CD?
-Comprei hoje! É um novo cantor sertanejo, Luan Santana! Sorri.
-A voz dele é linda, e a música é muito boa!
-É...! Me sentei na mesa olhando-a e sorri.
-Que sorriso lindo é esse?
-Algo na voz desse menino me encanta mãe, algo nele me chama atenção, não sei explicar! Quando ouço as musicas dele sinto uma paz interior, meu coração acelera, é como se eu já o conhecesse, e como se sei lá... O amasse!
-Que lindo querida, fico feliz em te ver assim! Sorrimos juntas e ela me deu um beijo na minha testa.

Acordei cedo no outro dia e fui durante o caminho escutando, novamente, sua voz, uma das minhas musicas preferidas era “Sinais” e “Pra Sempre com Você”. Já sabia todas as faixas do CD de cor e cheguei cantando na faculdade, Dan me olhou rindo e sentei ao seu lado, dando bom dia.

-Nossa! Bom dia! Dan me olhou sorridente.
-Ótimo dia! Sorri.
-Que animação gostosa, posso saber o motivo dessa animação toda?
-Acho que achei uma coisa que me faz bem!
-E o que é?
-Sabe aquele cantor, da música que a Carol chegou cantando, outro dia? A voz dele me dá paz e eu acabei comprando o CD dele! Sorri.
-Sério que você fez isso? Nossa! Se apaixonou pelo cara! Dan riu.
-Sério! Foi bobeira da minha parte, não foi? Ri.
-Pode até ser, mais se ele te faz sorri admiro ele!
-Brigada Dan! Dei um beijo em sua bochecha.

A cada dia que se passava aquela admiração pelo Luan aumentava então decidi fazer algo que pudesse demonstrar todo meu carinho por ele, montei um Fã Clube um dos primeiros de Salvador, sabia que o Daniel e as meninas iriam ri da minha cara, mais ignorei qualquer julgamento que pudesse vim até mim. Olhei em seu site como poderia oficializar e vi que teria que ter um certo números de membros, fiz uma comunidade e sai espalhando o link por toda rede social.

Dia seguinte quando conferi já tinha umas 20 pessoas querendo se escrever, fiquei muito feliz em ver aquele resultado e finalmente oficializei o Fã Clube como “Os MeteorosLS - Salvador/BA” fiz de cara amizade com as meninas e passamos a tarde falando do Luan, em poucos minutos por pesquisa, já sabia muitas coisas ao seu respeito e ali percebi que já havia me tornado sua fã.

-Soube que vai ter show dele aqui no nordeste! Beatriz comentou.
-Aonde? Perguntei com sorriso enorme se formando em meus lábios.
-Acho que é em Petrolina,... Isso, Petrolina!
-Você vai? Dan me perguntou sorrindo.
-Não sei...! Fica há quantas horas daqui?
-Umas seis de carro, de ônibus provavelmente deve ser mais complicado!
-Como seu aniversário tá perto, vou lhe levar como presente!
-Sério? Olhei o Dan surpresa.
-Sério!

Gritei pulando em cima dele e o abracei, ainda não tinha acreditado que iria vê-lo de perto, o abraço do Luan se tornou mais que um objetivo, se tornou uma necessidade. Eu precisava senti o abraço dele. Não tinha palavras pra agradecer o Daniel, ele durante esse tempo tinha se tornado um irmão pra mim e minha admiração por ele aumentava cada vez mais.

CAPÍTULO QUATRO.


-Você vai precisar ser forte, seu pai mudou muito desde última vez que o viu, por favor, ele precisa de você, não o negue nada!

Ela me deu um beijo na testa e deu um sorriso amarelo, girei a maçaneta da porta com cuidado e entrei vendo-o rodeados de aparelhos, seu corpo estava magro, e sua boca ressecada, fechei a porta atrás de mim e ele me olhou com apenas uma lágrima caindo dos seus olhos, estendeu a mão pra mim e sorriu.

-Minha menina!
- Papai! Corri em sua direção e pus minha cabeça sobre seu peito, senti seu carinho sobre meu cabelo e fechei meus olhos.
-Me perdoa minha filha, me perdoa!
-Eu perdoou, eu perdoou, mais pra isso o senhor precisa ficar bem!
- Filha, olha pra mim! –Levantei minha cabeça e o olhei, segurei sua mão beijando e ele sorriu. –Perdoa seu pai pelos erros dele, pelas escolhas erradas que ele fez, pelas vezes que deixei você pra ir trabalhar lhe prometendo algo e não podendo cumprir. Perdoa pela vez que esqueci da sua boneca dos sonhos no dia das crianças e perdoa por ter feito você sofrer! Eu te amo muito!
-Eu te perdoou, por tudo pai! Eu também te amo muito! –Beijei mais uma vez sua mão e passei sobre meu rosto percebendo um sorriso amarelo em seu rosto. – Papai, me perdoa também por ter feito essas coisas com o senhor, por ter te ignorado invés de ajudar, e ter ficado do seu lado, fui teimosa, orgulhosa, infantil, me perdoa?
-Eu te entendi desde dia que saí da casa de sua mãe, sei que não fez por mal, queria defende-la, e te admiro por isso. Cuida da sua mãe, termina sua faculdade, case, tenha muitos filhos e sonhe querida, sonhe e lute por cada um deles por mais que pareça difícil, nunca pense que poderá ser impossível!
-Você é o melhor pai do universo!
-E você a melhor filha, tenho muito orgulho de ser seu pai!
-Fica bem papai, por nós dois!
-Prometo!
-Eu te amo! Lhe disse aproximando minha testa da sua.
-Também te amo minha princesa!

Lhe dei um beijo na testa e ficamos ali em silêncio aproveitando cada milésimo de segundos que tínhamos perdidos um com outro durante todo tempo que ficamos afastados. Quando anoiteceu o enfermeiro veio me avisar que o horário de visita havia acabado, me despedi dele e prometi voltar no dia seguinte, ele pareceu feliz e sorriu. Foi difícil pregar o olho, a cena do meu pai não saia da minha cabeça, passei a noite em claro e quando consegui dormir o sol já estava nascendo.

Acordei com a sensação de que havia dormido apenas dez minutos, tomei banho, escovei os dentes e desci já pronta pra faculdade, de lá iria visita-lo, queria passar o resto da tarde com ele. Quando estava descendo vi minha mãe sentada no sofá com as mãos sobre o rosto chorando, senti meu coração acelerar de uma forma extraordinária e me aproximei dela me ajoelhando.

-Mamãe...! A olhei alisando seu joelho e ela balançou a cabeça negativamente.
-Ele se foi!

Senti um seco enorme na garganta e me sentei de vez no chão processando aquelas palavras, tentei por diversas vezes respirar fundo mais o ar naquele momento me faltava, fechei meus olhos e coloquei minha mão sobre meu rosto, dei um grito ensurdecedor e subi para o meu quarto, tranquei a porta e me joguei na cama, não aceitava a morte do meu pai; ele não!

Não queria ir ao velório, me recusava enterrar meu pai e ter que deixa-lo lá sozinho. Após muita insistência do Daniel batendo na porta abri e ele me abraçou forte me fazendo chorar mais ainda, o apertei como se fosse esmaga-lo. Coloquei uma calça jeans preta, uma blusa presta e meu all star. Pus um óculos escuro e fomos junto com o Dan para o cemitério, fui durante todo o caminho calada as lágrimas insistiam em cair.
Chegamos em poucos minutos e desci abraçada com o Dan, olhei aquele cemitério e percebi que parecia mais um jardim, tinha flores espalhadas por todos os cantos e era bastante lindo. Seguimos pra onde seria o sepultamento, já havia algumas pessoas lá, inclusive as meninas que me deram um forte abraço se lamentando pela perda, logo outras pessoas me deram abraços confortantes e o padre começou a falar algumas palavras.

-Descansa em paz papai, te amo muito!

Me ajoelhei como se minhas forças tivessem acabado e não consegui segurar o choro. Dan veio em minha direção me ajudando e seguimos pra casa em silêncio. Me tranquei no quarto e não quis falar com ninguém, foi assim durante semanas, cheguei a pensar em trancar a faculdade e até mesmo deixar o trabalho. Não queria mais sair, mais conversar, mais sorri, mais assistir, só queria ficar deitada na minha cama lembrando das maravilhosas lembranças com meu pai.

Não comia nada, estava magra, e desidratada, minha mãe estava desesperada com aquela situação e já não sabia mais o que fazer, Daniel, Carol e Beatriz por diversas vezes foram na minha casa tentar me ajuda, mais era em vão. Minha mãe chegou a chamar uns psicólogos e vários outros tipos de médicos.  Mais de nada adiantava, estava em depressão e a única coisa que queria naquele momento era meu pai ao meu lado sorrindo novamente.

Fiquei durante o natal e o ano novo, trancada dentro do meu quarto, não queria ver e nem falar com ninguém. Mais após muito minha mãe insistir conversei com uns dos psicólogos que ela levou até lá, lhe contei sobre minha dor, e ele me aconselhou a seguir a vida.

Cinco dias após essa conversa decidi voltar pra faculdade, as meninas me tratavam normal assim como Dan, sorri por poucas vezes e o Dan não saia do meu lado como sempre. Numa quinta-feira estávamos no pátio da faculdade lanchando quando percebemos a Carol chegar dançando alguma música, cheguei a ri e ela se sentou ao nosso lado.


CAPÍTULO TRÊS.


Os dias foram passando e percebi minha mãe estranha, vivia saindo sem me avisar e o Dan chegou a brincar dizendo que ela havia conseguindo um novo paquera. Não ligaria se isso acontecesse mais teria que ser um bom homem, uma pessoa honesta e que acima de tudo fosse honesto, fiel e que a amasse acima de tudo. Aquele comentário do Dan ficou matutando na minha cabeça e por uns dias cheguei a pensar que realmente fosse verdade.

Estávamos no mês agosto e faltava apenas dois dias para o meu aniversário, as meninas pareciam aprontar algo com o Dan e o namorado da Carol mais eu disfarçava e fingia não desconfiar de nada até pra ser uma surpresa agradável. Após dois dias, acordei com minha mãe cantando parabéns pra mim com meu bolo favorito com recheio apenas no meio pra deixar o sabor da laranja mais vivo. Sorri me sentando na cama e a abracei, ela se sentou de frente pra mim e me olhou alisando meu rosto.

-Minha menina hoje fica de maior, completa dezoito aninhos e está se tornando uma mulher! Quero muito que você seja feliz minha querida. Tenho muito orgulho de você ser minha filha e por mais que as coisas tenham tomado um rumo diferente nas nossas vidas com o do seu pai espero que sempre haja união entre nós três. Eu e ele te amamos muito e sempre vamos esta do seu lado, te apoiando, te compreendo, ajudando nas suas decisões e te dando colo nos momentos que precisar! Te amo muito, tá? E que venha muito mais anos de vida e saúde pra ti minha menina mulher!

Sorri abraçando e senti seus carinhos em meu cabelo, fechei meus olhos e quando apaguei a velinha desejei que ela fosse feliz, ela merecia. Descemos após partir o bolo e tomamos café juntas, era sábado e não teria aula. Conversamos muito e percebi que minha mãe por poucas vezes sorria o que deixava meu coração radiante de alegria. Arrumamos a cozinha juntas cantando e dançando enquanto ríamos, nunca mais tinha tido uma tarde daquelas com ela e por incrível que pareça foi maravilhoso. Ouvimos a campainha tocar e eu fui atender enquanto minha mãe lavava as louças. Abri a porta e dei de cara com meu pai segurando uma embalagem enorme com sorriso nos lábios.

-Oi, querida! Meus parabéns! Ele me abraçou enquanto permanecia estatua.
-Obrigada! O olhei.
-Trouxe essa pequena lembrança pra você, espero que goste! Ele me entregou e eu peguei de qualquer jeito.
-Obrigada!
-Olá, Ricardo!
-Oi, Helena!
-Que bom você veio!
-Não poderia deixar de vim no aniversário dessa mocinha! Meu pai me deu um beijo na testa e eu forcei um sorriso, não queria dá um desgosto a minha mãe então preferi fingi um bom relacionamento com ele.

Novembro chegou junto com a primavera uma das minhas estações preferidas, adorava ver as árvores floridas e as folhas caindo pelo chão dando uma beleza sem fim nas ruas de Salvador. Numa tarde de domingo estava no meu quarto estudando quando ouvi a porta se fechar, provavelmente era minha mãe chegando de algum lugar, continuei estudando quando ela entrou no meu quarto com os olhos inchados, me assustei vendo-a daquele jeito e larguei tudo que estava na minha frente levantando pra abraça-la.

-Mãe, o que houve? Lhe perguntei após acalmá-la e lhe dá água.
-Filha... Você vai precisar ser forte!
-O que aconteceu? Tô começando a ficar preocupada! A olhei aflita e ela segurou minha mão me olhando nos olhos.
-Querida... Esses últimos meses andei ajudando seu pai, com uns problemas que ele veio a ter, e em um dos exames que ele teve descobriu que ele tem câncer de próstata!

A olhei confusa e aquelas palavras pareciam não querer entrar na minha cabeça, meus olhos encheram de lágrimas e meu coração pareceu soltar pela boca. Não estava conseguindo digeri aquelas palavras da minha mãe e coloquei a mão sobre minha boca enquanto minhas lágrimas começaram a cair sobre meu rosto. Ela me abraçou e senti choques por toda parte do meu corpo. A apertei pra mim e desejei mais uma vez que tudo aquilo fosse apenas um pesadelo.


Apesar da notícia não consegui ir falar com ele, a cena das noites ouvido o choro de minha mãe não saiam da minha cabeça. Contei essa notícia apenas pra Carol, Bia e Dan que me consolaram e disseram estar sempre ao meu lado. Meu pai começou um tratamento pesado, começou a perder aos poucos os cabelos que tinha e por diversas vezes me ligou, mais raramente atendia, ainda o culpava por tudo que minha mãe tinha sofrido e meu coração estava carregado de mágoa.

O tratamento prosseguiu mais não conteve muito sucesso, por diversas vezes meu pai tinha crises e voltava para o hospital tendo que ficar internado, ele era muito teimoso e pela maioria das vezes saia do hospital sem a alta medica, o que deixava os médicos revoltados com ele. Por muitas vezes minha mãe conversava comigo sobre ele e me pedia pra perdoa-lo, mais só eu sabia o que se passava por dentro de mim, era difícil demais olhar pra ele e não ver a dor que ele havia causado nela. Tentei diversas vezes ligar pra ele, mas quando atendia desligava por falta de coragem.

No dia vinte e quatro de novembro de dois mil e nove estava escutando música no meu quarto enquanto terminava de fazer meu fichamento da faculdade quando vi minha mãe entrando no quarto chorando, parecia desesperada e inconsolável.

-Mãe...!
-Desta vez foi mais sério que das outras vezes Manuela, por favor, eu te peço do fundo do meu coração, deixe esse mágoa do seu coração pra lá e vai ver seu pai, ele esta morrendo e precisa do seu perdão, por favor, minha filha! 

A abracei forte e apenas troquei de blusa, seguimos pro hospital e entramos, passei pelo corredor e percebi crianças em salas isoladas com seus pais, conversando e outros brincavam, pareciam sorrir. Chegamos em frente a porta do quarto aonde meu pai estava e me virei pra minha mãe que alisou meu rosto.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

CAPÍTULO DOIS.


Passamos o natal juntas meu pai por diversas vezes me ligou mais a mágoa que estava dentro de mim era enorme e não sairia tão cedo, decidi me afastar dele até mesmo pra facilitar a convivência com minha mãe. Trocamos presentes e comemos a ceia enquanto planejávamos o ano novo.

Os dias se passaram rápidos e logo o ano novo já estava batendo na porta, 2008 estava se despedindo da gente e a única coisa que queríamos pra esse ano novo era paz. Comemoramos a chegada de 2009 na casa dos meus tios e foi uma noite alegre, animada e cheia de sorrisos, esperanças e abraços.

Com março chegando estava totalmente nervosa para o meu primeiro dia na faculdade, me encontrei cedo com Bia e Carol e seguimos juntas. Era um prédio enorme, pessoas lotando os corredores e nós três andando em meio a elas. Minha sala com a Bia ficava no primeiro andar, enquanto a da Carol ficava no terceiro em outro prédio. Procuramos um bom lugar, já haviam umas dez pessoas sentadas. Conversava com a B quando percebemos um menino parar a nossa frente ambas olharam pra ele que sorriu e estendeu a mão.

- Oi, meninas, sou Daniel!
- Oi, me chamo Manuela e essa é minha amiga Beatriz!
- Prazer, será que posso sentar com vocês?
- Claro Daniel! Beatriz sorriu olhando pra mim enquanto me cutucava.

Daniel realmente era lindo, e seu sorriso um dos mais lindos que já tinha visto. Era muito simpático e logo pegamos amizade com ele que se mostrou uma grande pessoa. Assim que deu intervalo fomos para o pátio e sentamos numa mesa, a Carol apareceu e fizemos as apresentações. Riamos demais das palhaçadas da Carol e de como ela falava das roupas de suas colegas de sala, ela era uma das minhas amigas mais sinceras e conhecia tanto eu como a Beatriz mais do que nossos próprios pais.

Abril, Maio e finalmente Junho havia chegado, com as férias. Decidimos; eu, Carol, Beatriz e Daniel, viajar para a Chapada Diamantina, era um lugar extraordinário, continha águas cristalinas, montanhas, cachoeiras além da vista verde que tínhamos em cima das belas rochas que tinha lá. Passamos uma semana lá e foi uma das melhores semanas que tive. Nunca desde que meu pai havia saído de casa tinha me divertido tanto.

À volta pra faculdade foi tranquila, mais logo voltamos a ficar sobrecarregados, comecei a trabalhar pela tarde, estudar pela manhã e a noite repassar meus assuntos e fazer os milhares de fichamentos que os professores não se cansavam de fazer. Adorava direito desde pequena, minha tia é advogada e foi a partir dela que conheci mais sobre a profissão. Era apaixonada por ler, e ela sempre falava que tinha uma fala de advogada.

Em uma noite no sábado me arrumava pra sair com Beatriz, Carol, Pedro seu namorado e o Daniel, quando ouvi uma voz conhecida, cheguei da escada ainda colocando meu brinco e vi minha mãe abrindo a porta para o meu pai, franzi a testa e não conseguia entender a cena que estava vendo; eles se abraçavam e minha mãe parecia consola-lo. Não compreendia o que eles conversavam, pareciam sussurrar a fala como se pudessem ser escutado por alguém desci mais um degrau, mas acabei me desequilibrando e caindo, meus pais tomaram um susto e levantaram rápido, vindo ao meu alcance.

-Querida! Meu pai se assustou me ajudando a levantar.
-Ai! Tá doendo meu pé!
-Deve ter torcido, vem cá! Ele me pegou devagar colocando no sofá.
-Ai! Reclamei de dor.
-Deve ter deslocado, vamos numa clinica aqui perto, Helena pegue um casaco pra ela!

Quando minha mãe desceu com meu casaco seguimos para a clínica que não era muito longe da minha casa, entramos e por meu pai ser policial aposentado obtinha conhecimento. Fui atendida assim que cheguei, acabei tendo que usar uma bota e tomar alguns remédios. Segui pra casa e desci do carro mancando sem ao menos falar com ele, não era rebeldia, estava chateada e com raiva por tudo que ele havia causado a minha mãe. Liguei para o Dan avisando que não iria sair com eles e ele compreendeu mandando melhoras em nome de todos.

Acordei ouvindo um barulho vindo da minha janela, abri os olhos com dificuldades e levantei enquanto os caçava, abri a cortina e vi o Dan jogando pedrinhas no vidro, sorri e abri a janela olhando-o.

-O que você tá fazendo aqui
?
-Vim te visitar, fiquei pensando na sua vontade de comer aquele hambúrguer do José que só ele sabe fazer!
-Jura que você trouxe um pra mim? –Ele confirmou com a cabeça. –Vem, sobe!
-Como?
-Pela porta, né? –Ri e desci abrindo a porta pra ele que entrou e subimos para o meu quarto, tranquei a porta e sentamos na minha cama enquanto abria o saco com pressa. –Como foi o passeio?
-Foi legal, mais seria melhor se estivesse lá! Ele sorriu.
-Bobo!
-Mais... O que realmente aconteceu com seu pé?
-Meu pai apareceu aqui hoje! O olhei e coloquei o hambúrguer em cima do saco.
-Sério? E o que ele veio fazer aqui?
-Não sei, só vi a hora que minha mãe o abraçou e parecia consolá-lo por algo, não entendi o que eles conversavam!
-Será que vão se acertar?
-Creio que não, ele tá noivo da outra mulher. Dan...!
-Hum...?
-Dia dos pais tá chegando...! O olhei com lágrimas nos olhos e sem dizer nenhuma palavra ele me abraçou.

O Dan desde que nos conhecemos construímos uma grande amizade, ele era uma amigo para todas as horas, me entendia e compreendia coisas que nem a Bia e muito menos a Carol entenderiam. Nunca senti maldade da parte dele comigo, éramos praticamente irmãos e já não sabia como seria ficar com ele longe de mim. 

CAPÍTULO UM.


-Mãe...! Desci ao ouvi uns gritos da sala.

Me chamo Manuela e tinha acabado de realizar um sonho; passei no vestibular para o curso de Direito. Morava em Salvador, tinha dezessete anos e tudo, pelo menos, nesse sonho tinha dado certo. Eu morava com meus pais, mas eu havia percebido que nada estava indo bem, entre eles, o que me deixava angustiada e triste. Minhas duas melhores amigas, a Carol e a Bia, sempre estavam ao meu lado e isso me fazia bem. Tudo na minha vida estava prestes a mudar e eu não sabia.

-Sobe Manuela! Minha mãe disse sem me olhar, enquanto olhava fixamente para o meu pai.
-O que tá acontecendo? Desci mais um degrau e percebi que minha mãe chorava.
-Pergunta pro seu pai, pergunta a ele!
-Deixa a menina fora disso Helena, vamos conversar que nem dois adultos!
-Pai...!
-Querida sobe para o seu quarto, depois conversamos com você!
-Parem de me tratar como criança mãe, já tenho dezessete anos e sou grande suficiente pra entender as coisas!
-Seu pai, esse homem que se diz uma pessoa boa, um bom pai tem outra família Manuela, e manteve isso em segredo há doze anos!

Olhei para o meu pai incrédula e imediatamente uma lágrima caiu dos meus olhos. Não acreditava que aquele homem no qual admirava, aquele pai maravilhoso e carinhoso, tinha escondido um segredo desse tamanho, não só de mim mais da minha mãe, que sempre foi uma boa esposa, uma mulher dedicada, cuidadosa, carinhosa e atenta com suas coisas, comigo, com ele e com a casa.

- Filha...! Ele me olhou e eu subi as escadas correndo.

Algumas horas depois ouvi alguém bater na porta, passei a mão nos meus olhos inchados e me levantei devagar, abri a porta e vi minha mãe com as lágrimas caído. Larguei a maçaneta da porta e a abracei forte, teria que ser forte por mim e por ela, agora seriamos somente nós duas. Sentei na cama colocando a cabeça dela sobre meu colo e beijei sua testa enquanto sentia suas lágrimas molhando minha perna, ver minha mãe chorando daquele jeito partia meu coração, não queria mais estava com ódio do meu pai, não queria vê-lo de forma alguma e não queria e nem iria perdoá-lo por isso.

- Filha... –A olhei e ela se sentou de frente pra mim alisando meu rosto e secando minhas lágrimas. –Mesmo com tudo que seu pai aprontou, não se afaste dele, apesar dos acontecimentos ele é seu pai.
-Mais mãe o que ele fez foi injusto! Ele mentiu para nós duas, e ele sempre falava para que eu sempre contasse a verdade, acima de tudo!
-Eu sei querida, mais você é a filha dele e mesmo com tudo que ele fez, apesar das mentiras, foi tudo comigo, eu devo me afastar, eu devo não olhar pra ele, mais você não! Você é a filha dele e por mais grave que foi os erros dele, ele é seu pai minha querida e te ama acima de tudo!
-Tudo bem, mãe! Mais eu preciso de um tempo para pensar nisso tudo!
-Tudo bem, mais pensa com carinho meu anjo, você é a vida do seu pai! Ela deu meio sorriso e saiu após me dá um beijo na testa.

Os dias passaram-se arrastando, minha mãe se mostrava forte mais sabia que por dentro ela estava destruída, a falta que meu pai fazia era visível e mesmo sem querer também sentia saudades dele. Como minhas aulas só começaria no começo do ano sai com a Bia e a Carol pela cidade espalhando nossos currículos, a procura de um trabalho. Precisava ajudar minha mãe financeiramente, as coisas em casa não estavam fáceis e ainda mais agora que éramos só nós duas.

Duas semanas depois estava limpando meu quarto quando o telefone na sala tocou, desci rápido e o peguei atendendo enquanto sentava no sofá.

-Boa tarde, por favor, Manuela Gomes?
-Sim, sou eu!
-Olá, querida! Somos da concessionária Morena Veículos e nos interessamos pelo seu currículo, tem interesse?
-Sim, claro!
-Ótimo, esteja aqui amanhã às 9 da manhã, tudo bem?
-Tudo sim, obrigada!
-Nada querida, boa sorte!
-Obrigada!

Desliguei com sorriso no canto da boca e agradeci a Deus pela oportunidade, coloquei o telefone no gancho e subir pra procurar uma roupa adequada. Assim que minha mãe chegou do trabalho lhe contei e ela, pela primeira vez desde que meu pai foi embora, sorriu e me desejou “Boa sorte”. Pela noite estava na sala vendo TV, e quando senti sono subi a escada meio sonolenta. Quando andava pelo corredor ouvi o choro da minha mãe e me aproximei da porta, ela estava ajoelhada diante da cama, parecia rezar e chorava muito, fechei meus olhos e por um momento pedi a Deus que aquilo fosse um pesadelo, minha mãe estava sofrendo e eu não podia fazer nada.

Cheguei na empresa ainda meio cedo, falei com uma das recepcionistas e me sentei como mandado por ela aguardando minha vez. Não demorou muito pra ela me chamar novamente e me mandar subir, uma mulher linda, loira dos olhos verdes me aguardava na sala. Me sentei olhando fixamente pra ela e começamos a conversar, ela era uma boa pessoa e nos demos bem de cara. Fiz uma redação enorme e como eu era boa em escrever não fiquei muito nervosa, ela fez questão de corrigir na minha frente e me parabenizou pelas palavras, sorri agradecendo-a e ali mesmo ela me disse que tinha passado em seu teste e que começaria no dia seguinte. Após agradecê-la pela oportunidade seguir com outro funcionário pra outro departamento e peguei minha farda, li um contrato e por ser de menor tive que ligar pra minha mãe que em algumas horas apareceu por lá assinando o restante das coisas.

Com as semanas passando dessa vez com mais velocidade peguei amizade com todos na empresa, trabalhava no escritório e adorava o que fazia. O final do ano chegou e eu estava animada pra ir passar com o resto da minha família, insistir muito pra que minha mãe aceitasse e pra minha alegria ela depois de muito “não” decidiu ir.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Sinopse.

A vida é uma grande aprendizagem e cabe a nós aprender com ela. Nos surpreendemos a cada segundo e por muitas vezes nos perguntamos o por que daquilo ou disso ter acontecido. Mais tudo tem um motivo e um por que para acontecer. Sou Maluela e costumo dizer que a escola da vida me ensinou a ter paciência e me surpreendeu com um amor muito forte, que precisou renascer de uma forma ainda mais pura. Foi atravez desse amor que ganhei um anjo que me uniu ao amor da minha vida... Com quem aprendi quem eu era e que eu poderia ir além do que havia sonhado em ir. 

Tudo na vida tem um motivo e o por que... Então não fique julgando, apenas espere a resposta que tanto quer!

Personagens.


 Manuela. 


                     

Daniel. 




Diego.



Ana Carolina. 



Beatriz.