segunda-feira, 22 de outubro de 2012

CAPÍTULO CINQUENTA E QUATRO.


Os quinze dias se passaram voado e entre eles viajei com o Luan novamente, passamos cinco dias no sítio com seus pais, Bruna, Diego, e minha mãe. Foi uma semana inesquecível, Luan me ensinou a pescar e por sorte de principiante, como ele mesmo disse, peguei um peixe maior que ele me fazendo ri o resto da noite. 

Quando minha carta com a resposta chegou senti um calafrio pelo corpo inteiro e não acreditava que aquilo estava acontecendo, parecia um pesadelo e nem queria imaginar a cara do Luan ao saber disso tudo. Seriam dois anos estagiando e apenas com um mês de férias no Brasil, seria complicado pra mim, mais teria que pensar na minha carreira e no meu futuro. 

Por um lado o Diego tinha razão, teria que pensar um pouco em mim, no meu futuro e na minha carreira. Depois que recebi aquela carta pra dormir se tornou complicado, pensava em todas as noites o que fazer e nada vinha em mente, minha cabeça estava a mil e já estava perto de explodir. 

Em um final de semana viajei com o Luan, foi um dos shows mais incríveis, estava perto das férias tão merecidas dele e eu estava ansiosa pra viajar com ele pra um lugar tão lindo como Cancun. Fomos para um parque aquático e rimos durante toda à tarde, o pessoal da banda nos acompanhou o que fez daquela tarde maravilhosa. 

No outro show da noite seguinte Luan me fez uma surpresa linda, me deu um buquê de rosas no palco cantando "Promete" a música que ele havia feito pra mim. Estávamos completando meses de namoro e a cada mês Luan me surpreendia mais. Saímos pra jantar e foi uma noite mágica, estar com Luan era incrível e ele a cada segundo me fazia o amar mais. 

Voltei pra casa e contei tudo ao Diego que amou a ideia pra fazer com a Carol, ri da cara dele querendo fazer alguma surpresa pra ela, estavam completando 2 meses de namoro e eram uns fofos juntos. 

Já tinha se passado 4 dias desde que vi o Luan e ele fez aquela surpresa pra mim, tinha terminado de chegar da rua com o Diego, ele estava de férias da faculdade e as vezes íamos para praia nos diverti. Subi pro meu quarto e fui tomar um banho demorado. 

Estava finalmente de férias e queria fazer uma surpresa linda pra ela, arrumei minhas coisas e meus pais iriam nos esperar em São Paulo. Estava muito nervoso e ansioso pra vê-la, apesar de estar somente 4 dias longe dela, pareciam que era mais. Peguei o primeiro voo pra Salvador e fui com meu segurança. Cheguei lá já pela tarde e fui direto pra casa dela. Entrei sendo recepcionado pelo Diego e coloquei minha mochila em cima do sofá. 

-E ai cunhado? Cadê meu amor?
-Tá lá em cima, acabou de subir! O Diego avisou apontando para a escada.
-Tava na praia?
-É! A gente foi andar, um pouco! Diego sorriu, sentando no sofá.
-Ah! Vou lá vê-la! Ele sorriu.

Subi deixando minha mochila em cima do sofá. Estava ansioso pra reencontra-la. Subi devagar e entrei no seu quarto ouvindo ela cantar uma música que talvez fosse baiana, ri da sua animação e me sentei na cama, queria que ela se sentisse surpresa quando saísse do banheiro e me visse lá. Fui pegar seu celular quando um papel caiu sobre meus pés, franzi a testa não entendendo o que era aquilo e abri começando a ler.

Estava no banho e cantava no chuveiro, enquanto eu lavava meu cabelo, mas eu sabia que o chuveiro era o único que gostava do que eu cantava, ri, saindo do banho, lembrando as brincadeiras do Diego. Abri a porta do banheiro, saindo enxugando meu cabelo, já vestida, com um vestidinho. Quando o vi sentando na cama e sorri, me aproximei e vi o que ele lia, meu coração gelou e eu não soube o que falar. Fiquei o olhando, enquanto meu coração disparava e eu tremia com medo do que poderia acontecer.

Quando li aquelas palavras não acreditei, senti meu coração sangrar, ela disse que não queria passar mais eu sabia, algo dentro de mim já falava que ela iria passar pela capacidade e inteligência que ela tinha que de certa forma me deixava orgulhoso. Levantei minha cabeça olhando-a já com os olhos um pouco avermelhados e não consegui dizer nada.

-Chegou tem quinze dias, mas eu não... Esperava! Olhei pra ele com medo do que ele iria fazer.
-E por que quando te perguntava sobre o resultado você ma falava que não sabia? Ele falava baixo, parecia querer prender o choro.
-Por que eu estava esperando essa carta chegar, pra cair minha ficha! Eu não acreditei quando a Bia apareceu com o resultado...!
-Você... Você vai?
-Eu... Amor eu preciso que me entenda e me escute! Sentei ao lado dele.
-Entender eu não sei se vou, agora escuta eu posso até tentar! Ele se levantou.
-Olha, eu sei que vai ser difícil, pra mim também vai, mas... Eu pensei demais e conversei com minha mãe e o Di, e eu pensei muito em nós dois, também. Eu pensei e eu vi como você já realizou o seu sonho e continua a realizá-lo, o quanto você só está crescendo e todo o seu sucesso... Eu pensei em mim e me vi como uma formanda sem nada ainda, eu preciso do seu apoio agora. São só dois anos, e eu preciso de experiência para seguir com minha carreira... Eu vou depois que eu fizer as provas da OAB! Preciso de você ao meu lado!

Fechei meus olhos digerindo cada palavra dela e passei a mão no rosto, aquilo só podia ser um pesadelo, tinha tantas outras oportunidades e ela foi pegar uma, justo, fora do Brasil. A olhei e a maldita lágrima que segurava nas pálpebras caiu, não poderia impedi dela ir realizar seus sonhos já que os meus já estavam realizados como ela mesma disse, mas não aguentaria dois anos sem ela, namoro a distância não daria, não com ela tão longe. A olhei mais uma vez balançando minha cabeça negativamente e desci sem dizer uma palavra.

 Nos olhamos por alguns segundos e quando vi a lágrima cair do seu olho meu coração pareceu pequeno, queria desistir. Quando fui secar sua lágrima ele balançou a cabeça negativamente e saiu do meu quarto. Eu sabia que iria ser difícil. Eu saí atrás dele e lágrimas caíram, também, eu sabia o que ele pretendia fazer.


-Amor espera, por favor! Segurei seu braço, descendo a escada.
-Segue seus sonhos, não quero atrapalhar! Ele se soltou de mim pegando sua mochila e Diego nos olhos abaixando a cabeça logo em seguida.
-Mais amor... Luan eu preciso de você! Passei rapidamente em sua frente, ficando na frente da porta.
-Você mentiu pra mim pela segunda vez, me enganou, escondeu de mim uma coisa que era pra ser dividido entre nós dois, Manuela!
-Desculpa! Até ontem eu não sabia o que responder! Eu fui até a praia com o Diego para conversarmos sobre isso; sobre a conversa que eu teria com você! Sobre essa conversa!
-Licença! Ele me tirou da sua frente com cuidado e seguiu para o carro.
-Luan, não faz isso! Poxa! Eu pensei que você compreenderia, por ser meu futuro, achei que você ficaria ao meu lado... Mais eu estava errada né? Quem tá sendo egoísta, agora, é você! Fui atrás dele.
-Eu tô sendo egoísta? Me importo tanto com seu futuro que estou lhe deixando livre pra viver ele à vontade!
-Não queria viver ele à vontade, queria ele com você! Me aproximei dele.
-Mais nem tudo é do jeito que queremos!
-Custa você ficar do meu lado? Eu preciso muito de você! Olha pra mim e diz se eu queria isso? Claro que não! As lágrimas escorriam por meu rosto.
-Vou para o hotel de sempre, não tô com cabeça pra isso, depois conversamos! Ele entrou no carro falando com seu segurança que acelerou o carro.

-Que merda! Olha o que ele fez, Di! Ele sempre faz isso! Entrei em casa, depois de ter visto ele ir embora.
-No fundo você sabia que ele ia fazer isso!
-Mais custava ele pensar em mim?
-Olha eu sei que te apoiei desde começo e continuo a te apoiar, mas pensa pelo lado dele também, ele vai senti sua falta, dois anos não são dois dias e ele você sabe... Ele é homem!
-Eu sei... Mais tem tantos casais que fazem isso!
-Só que ele é o Luan Santana, maninha, ele vai ter mulheres por todo lado dele, acha que vai ser fácil? A carne é fraca e outra eu avisei pra você ter contado logo a ele, você sabe que nesse ponto errou!
-Mais ele me ama, não me ama?! Ah! Isso não é desculpa! Eu disse que eu estava pensando!
-Eu amo a Carol mais não deixei de desejar ou até mesmo olhar outras mulheres, imagina ele? Manuela o cara é homem, vai ser difícil pra ele apesar de te amar tanto!
-Ok! Que seja! Afundei no sofá.
-Seu celular tá tocando!
-Olha pra mim quem é?
-Preguiçosa! –Ele se levantou pegando meu celular e me olhou fazendo careta. –Sua sogra!
-Ah! –Peguei o celular da mão dele. –Oi Dona Marizete! Atendi.
-Oi querida, o Luan estar com você? Ele chegou bem? Desculpe te incomodar, é que ele não ligou avisando como sempre fez e não atende o celular!
-Ah! Ele está bem, sim! Mais ele tá no hotel...!
-Ah, tudo bem! Obrigado, vou ligar pra lá! Beijos querida!
-De nada! Beijos!
-O que a sogrona queria? Diego se sentou ao meu lado comendo uma maçã.
-Pelo jeito ex-sogra! Saber do Luan...!
-Ah, espero que ele tenha ido para o hotel mesmo!
-Por que tá falando isso? Acha que ele foi pra outro lugar? Olhei pra ele.
-Pra onde você iria se tivesse brigado com ele? Diego me olhou e fez uma cara de como fosse obvio.
-É, pode ser!
-Vem cá, me dá um abraço!
-O que você acha de eu ir lá?
-Quer que eu te leve?
-Não sei...! O que você acha? Olhei pra ele.
-Vem, vamos lá!

Fui com o Di no carro, pensando em o que eu ia falar com ele e com medo do que ele iria falar. Com medo de ele não querer falar comigo ou me falar algo que me machucasse. Eu fui errada em não ter dito a ele, mas pra mim foi um choque esse resultado; eu não queria.


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