quarta-feira, 5 de setembro de 2012

CAPÍTULO DOIS.


Passamos o natal juntas meu pai por diversas vezes me ligou mais a mágoa que estava dentro de mim era enorme e não sairia tão cedo, decidi me afastar dele até mesmo pra facilitar a convivência com minha mãe. Trocamos presentes e comemos a ceia enquanto planejávamos o ano novo.

Os dias se passaram rápidos e logo o ano novo já estava batendo na porta, 2008 estava se despedindo da gente e a única coisa que queríamos pra esse ano novo era paz. Comemoramos a chegada de 2009 na casa dos meus tios e foi uma noite alegre, animada e cheia de sorrisos, esperanças e abraços.

Com março chegando estava totalmente nervosa para o meu primeiro dia na faculdade, me encontrei cedo com Bia e Carol e seguimos juntas. Era um prédio enorme, pessoas lotando os corredores e nós três andando em meio a elas. Minha sala com a Bia ficava no primeiro andar, enquanto a da Carol ficava no terceiro em outro prédio. Procuramos um bom lugar, já haviam umas dez pessoas sentadas. Conversava com a B quando percebemos um menino parar a nossa frente ambas olharam pra ele que sorriu e estendeu a mão.

- Oi, meninas, sou Daniel!
- Oi, me chamo Manuela e essa é minha amiga Beatriz!
- Prazer, será que posso sentar com vocês?
- Claro Daniel! Beatriz sorriu olhando pra mim enquanto me cutucava.

Daniel realmente era lindo, e seu sorriso um dos mais lindos que já tinha visto. Era muito simpático e logo pegamos amizade com ele que se mostrou uma grande pessoa. Assim que deu intervalo fomos para o pátio e sentamos numa mesa, a Carol apareceu e fizemos as apresentações. Riamos demais das palhaçadas da Carol e de como ela falava das roupas de suas colegas de sala, ela era uma das minhas amigas mais sinceras e conhecia tanto eu como a Beatriz mais do que nossos próprios pais.

Abril, Maio e finalmente Junho havia chegado, com as férias. Decidimos; eu, Carol, Beatriz e Daniel, viajar para a Chapada Diamantina, era um lugar extraordinário, continha águas cristalinas, montanhas, cachoeiras além da vista verde que tínhamos em cima das belas rochas que tinha lá. Passamos uma semana lá e foi uma das melhores semanas que tive. Nunca desde que meu pai havia saído de casa tinha me divertido tanto.

À volta pra faculdade foi tranquila, mais logo voltamos a ficar sobrecarregados, comecei a trabalhar pela tarde, estudar pela manhã e a noite repassar meus assuntos e fazer os milhares de fichamentos que os professores não se cansavam de fazer. Adorava direito desde pequena, minha tia é advogada e foi a partir dela que conheci mais sobre a profissão. Era apaixonada por ler, e ela sempre falava que tinha uma fala de advogada.

Em uma noite no sábado me arrumava pra sair com Beatriz, Carol, Pedro seu namorado e o Daniel, quando ouvi uma voz conhecida, cheguei da escada ainda colocando meu brinco e vi minha mãe abrindo a porta para o meu pai, franzi a testa e não conseguia entender a cena que estava vendo; eles se abraçavam e minha mãe parecia consola-lo. Não compreendia o que eles conversavam, pareciam sussurrar a fala como se pudessem ser escutado por alguém desci mais um degrau, mas acabei me desequilibrando e caindo, meus pais tomaram um susto e levantaram rápido, vindo ao meu alcance.

-Querida! Meu pai se assustou me ajudando a levantar.
-Ai! Tá doendo meu pé!
-Deve ter torcido, vem cá! Ele me pegou devagar colocando no sofá.
-Ai! Reclamei de dor.
-Deve ter deslocado, vamos numa clinica aqui perto, Helena pegue um casaco pra ela!

Quando minha mãe desceu com meu casaco seguimos para a clínica que não era muito longe da minha casa, entramos e por meu pai ser policial aposentado obtinha conhecimento. Fui atendida assim que cheguei, acabei tendo que usar uma bota e tomar alguns remédios. Segui pra casa e desci do carro mancando sem ao menos falar com ele, não era rebeldia, estava chateada e com raiva por tudo que ele havia causado a minha mãe. Liguei para o Dan avisando que não iria sair com eles e ele compreendeu mandando melhoras em nome de todos.

Acordei ouvindo um barulho vindo da minha janela, abri os olhos com dificuldades e levantei enquanto os caçava, abri a cortina e vi o Dan jogando pedrinhas no vidro, sorri e abri a janela olhando-o.

-O que você tá fazendo aqui
?
-Vim te visitar, fiquei pensando na sua vontade de comer aquele hambúrguer do José que só ele sabe fazer!
-Jura que você trouxe um pra mim? –Ele confirmou com a cabeça. –Vem, sobe!
-Como?
-Pela porta, né? –Ri e desci abrindo a porta pra ele que entrou e subimos para o meu quarto, tranquei a porta e sentamos na minha cama enquanto abria o saco com pressa. –Como foi o passeio?
-Foi legal, mais seria melhor se estivesse lá! Ele sorriu.
-Bobo!
-Mais... O que realmente aconteceu com seu pé?
-Meu pai apareceu aqui hoje! O olhei e coloquei o hambúrguer em cima do saco.
-Sério? E o que ele veio fazer aqui?
-Não sei, só vi a hora que minha mãe o abraçou e parecia consolá-lo por algo, não entendi o que eles conversavam!
-Será que vão se acertar?
-Creio que não, ele tá noivo da outra mulher. Dan...!
-Hum...?
-Dia dos pais tá chegando...! O olhei com lágrimas nos olhos e sem dizer nenhuma palavra ele me abraçou.

O Dan desde que nos conhecemos construímos uma grande amizade, ele era uma amigo para todas as horas, me entendia e compreendia coisas que nem a Bia e muito menos a Carol entenderiam. Nunca senti maldade da parte dele comigo, éramos praticamente irmãos e já não sabia como seria ficar com ele longe de mim. 

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