quinta-feira, 6 de setembro de 2012

CAPÍTULO TRÊS.


Os dias foram passando e percebi minha mãe estranha, vivia saindo sem me avisar e o Dan chegou a brincar dizendo que ela havia conseguindo um novo paquera. Não ligaria se isso acontecesse mais teria que ser um bom homem, uma pessoa honesta e que acima de tudo fosse honesto, fiel e que a amasse acima de tudo. Aquele comentário do Dan ficou matutando na minha cabeça e por uns dias cheguei a pensar que realmente fosse verdade.

Estávamos no mês agosto e faltava apenas dois dias para o meu aniversário, as meninas pareciam aprontar algo com o Dan e o namorado da Carol mais eu disfarçava e fingia não desconfiar de nada até pra ser uma surpresa agradável. Após dois dias, acordei com minha mãe cantando parabéns pra mim com meu bolo favorito com recheio apenas no meio pra deixar o sabor da laranja mais vivo. Sorri me sentando na cama e a abracei, ela se sentou de frente pra mim e me olhou alisando meu rosto.

-Minha menina hoje fica de maior, completa dezoito aninhos e está se tornando uma mulher! Quero muito que você seja feliz minha querida. Tenho muito orgulho de você ser minha filha e por mais que as coisas tenham tomado um rumo diferente nas nossas vidas com o do seu pai espero que sempre haja união entre nós três. Eu e ele te amamos muito e sempre vamos esta do seu lado, te apoiando, te compreendo, ajudando nas suas decisões e te dando colo nos momentos que precisar! Te amo muito, tá? E que venha muito mais anos de vida e saúde pra ti minha menina mulher!

Sorri abraçando e senti seus carinhos em meu cabelo, fechei meus olhos e quando apaguei a velinha desejei que ela fosse feliz, ela merecia. Descemos após partir o bolo e tomamos café juntas, era sábado e não teria aula. Conversamos muito e percebi que minha mãe por poucas vezes sorria o que deixava meu coração radiante de alegria. Arrumamos a cozinha juntas cantando e dançando enquanto ríamos, nunca mais tinha tido uma tarde daquelas com ela e por incrível que pareça foi maravilhoso. Ouvimos a campainha tocar e eu fui atender enquanto minha mãe lavava as louças. Abri a porta e dei de cara com meu pai segurando uma embalagem enorme com sorriso nos lábios.

-Oi, querida! Meus parabéns! Ele me abraçou enquanto permanecia estatua.
-Obrigada! O olhei.
-Trouxe essa pequena lembrança pra você, espero que goste! Ele me entregou e eu peguei de qualquer jeito.
-Obrigada!
-Olá, Ricardo!
-Oi, Helena!
-Que bom você veio!
-Não poderia deixar de vim no aniversário dessa mocinha! Meu pai me deu um beijo na testa e eu forcei um sorriso, não queria dá um desgosto a minha mãe então preferi fingi um bom relacionamento com ele.

Novembro chegou junto com a primavera uma das minhas estações preferidas, adorava ver as árvores floridas e as folhas caindo pelo chão dando uma beleza sem fim nas ruas de Salvador. Numa tarde de domingo estava no meu quarto estudando quando ouvi a porta se fechar, provavelmente era minha mãe chegando de algum lugar, continuei estudando quando ela entrou no meu quarto com os olhos inchados, me assustei vendo-a daquele jeito e larguei tudo que estava na minha frente levantando pra abraça-la.

-Mãe, o que houve? Lhe perguntei após acalmá-la e lhe dá água.
-Filha... Você vai precisar ser forte!
-O que aconteceu? Tô começando a ficar preocupada! A olhei aflita e ela segurou minha mão me olhando nos olhos.
-Querida... Esses últimos meses andei ajudando seu pai, com uns problemas que ele veio a ter, e em um dos exames que ele teve descobriu que ele tem câncer de próstata!

A olhei confusa e aquelas palavras pareciam não querer entrar na minha cabeça, meus olhos encheram de lágrimas e meu coração pareceu soltar pela boca. Não estava conseguindo digeri aquelas palavras da minha mãe e coloquei a mão sobre minha boca enquanto minhas lágrimas começaram a cair sobre meu rosto. Ela me abraçou e senti choques por toda parte do meu corpo. A apertei pra mim e desejei mais uma vez que tudo aquilo fosse apenas um pesadelo.


Apesar da notícia não consegui ir falar com ele, a cena das noites ouvido o choro de minha mãe não saiam da minha cabeça. Contei essa notícia apenas pra Carol, Bia e Dan que me consolaram e disseram estar sempre ao meu lado. Meu pai começou um tratamento pesado, começou a perder aos poucos os cabelos que tinha e por diversas vezes me ligou, mais raramente atendia, ainda o culpava por tudo que minha mãe tinha sofrido e meu coração estava carregado de mágoa.

O tratamento prosseguiu mais não conteve muito sucesso, por diversas vezes meu pai tinha crises e voltava para o hospital tendo que ficar internado, ele era muito teimoso e pela maioria das vezes saia do hospital sem a alta medica, o que deixava os médicos revoltados com ele. Por muitas vezes minha mãe conversava comigo sobre ele e me pedia pra perdoa-lo, mais só eu sabia o que se passava por dentro de mim, era difícil demais olhar pra ele e não ver a dor que ele havia causado nela. Tentei diversas vezes ligar pra ele, mas quando atendia desligava por falta de coragem.

No dia vinte e quatro de novembro de dois mil e nove estava escutando música no meu quarto enquanto terminava de fazer meu fichamento da faculdade quando vi minha mãe entrando no quarto chorando, parecia desesperada e inconsolável.

-Mãe...!
-Desta vez foi mais sério que das outras vezes Manuela, por favor, eu te peço do fundo do meu coração, deixe esse mágoa do seu coração pra lá e vai ver seu pai, ele esta morrendo e precisa do seu perdão, por favor, minha filha! 

A abracei forte e apenas troquei de blusa, seguimos pro hospital e entramos, passei pelo corredor e percebi crianças em salas isoladas com seus pais, conversando e outros brincavam, pareciam sorrir. Chegamos em frente a porta do quarto aonde meu pai estava e me virei pra minha mãe que alisou meu rosto.

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