-Mãe...! Desci
ao ouvi uns gritos da sala.
Me chamo Manuela e tinha acabado de realizar um sonho; passei no vestibular para o curso de Direito. Morava em Salvador, tinha dezessete anos e tudo, pelo menos, nesse sonho tinha dado certo. Eu morava com meus pais, mas eu havia percebido que nada estava indo bem, entre eles, o que me deixava angustiada e triste. Minhas duas melhores amigas, a Carol e a Bia, sempre estavam ao meu lado e isso me fazia bem. Tudo na minha vida estava prestes a mudar e eu não sabia.
-Sobe Manuela! Minha mãe disse sem me olhar, enquanto olhava fixamente para o meu pai.
Me chamo Manuela e tinha acabado de realizar um sonho; passei no vestibular para o curso de Direito. Morava em Salvador, tinha dezessete anos e tudo, pelo menos, nesse sonho tinha dado certo. Eu morava com meus pais, mas eu havia percebido que nada estava indo bem, entre eles, o que me deixava angustiada e triste. Minhas duas melhores amigas, a Carol e a Bia, sempre estavam ao meu lado e isso me fazia bem. Tudo na minha vida estava prestes a mudar e eu não sabia.
-Sobe Manuela! Minha mãe disse sem me olhar, enquanto olhava fixamente para o meu pai.
-O
que tá acontecendo? Desci mais um degrau e percebi que minha mãe chorava.
-Pergunta
pro seu pai, pergunta a ele!
-Deixa
a menina fora disso Helena, vamos conversar que nem dois adultos!
-Pai...!
-Querida
sobe para o seu quarto, depois conversamos com você!
-Parem
de me tratar como criança mãe, já tenho dezessete anos e sou grande suficiente
pra entender as coisas!
-Seu
pai, esse homem que se diz uma pessoa boa, um bom pai tem outra família
Manuela, e manteve isso em segredo há doze anos!
Olhei para o meu pai incrédula e imediatamente uma lágrima caiu dos meus olhos. Não acreditava que aquele homem no qual admirava, aquele pai maravilhoso e carinhoso, tinha escondido um segredo desse tamanho, não só de mim mais da minha mãe, que sempre foi uma boa esposa, uma mulher dedicada, cuidadosa, carinhosa e atenta com suas coisas, comigo, com ele e com a casa.
- Filha...! Ele me olhou e eu subi as escadas correndo.
Algumas horas depois ouvi alguém bater na porta, passei a mão nos meus olhos inchados e me levantei devagar, abri a porta e vi minha mãe com as lágrimas caído. Larguei a maçaneta da porta e a abracei forte, teria que ser forte por mim e por ela, agora seriamos somente nós duas. Sentei na cama colocando a cabeça dela sobre meu colo e beijei sua testa enquanto sentia suas lágrimas molhando minha perna, ver minha mãe chorando daquele jeito partia meu coração, não queria mais estava com ódio do meu pai, não queria vê-lo de forma alguma e não queria e nem iria perdoá-lo por isso.
- Filha... –A olhei e ela se sentou de frente pra mim alisando meu rosto e secando minhas lágrimas. –Mesmo com tudo que seu pai aprontou, não se afaste dele, apesar dos acontecimentos ele é seu pai.
-Mais mãe o que ele fez foi injusto! Ele mentiu para nós duas, e ele sempre falava para que eu sempre contasse a verdade, acima de tudo!
-Eu sei querida, mais você é a filha dele e
mesmo com tudo que ele fez, apesar das mentiras, foi tudo comigo, eu devo me
afastar, eu devo não olhar pra ele, mais você não! Você é a filha dele e por
mais grave que foi os erros dele, ele é seu pai minha querida e te ama acima de
tudo!
-Tudo bem, mãe! Mais eu preciso
de um tempo para pensar nisso tudo!
-Tudo bem, mais pensa com carinho meu anjo,
você é a vida do seu pai! Ela deu meio sorriso e saiu após me dá um beijo na
testa.
Os dias passaram-se arrastando, minha mãe se mostrava forte mais sabia que por dentro ela estava destruída, a falta que meu pai fazia era visível e mesmo sem querer também sentia saudades dele. Como minhas aulas só começaria no começo do ano sai com a Bia e a Carol pela cidade espalhando nossos currículos, a procura de um trabalho. Precisava ajudar minha mãe financeiramente, as coisas em casa não estavam fáceis e ainda mais agora que éramos só nós duas.
Duas semanas depois estava limpando meu quarto quando o telefone na sala tocou, desci rápido e o peguei atendendo enquanto sentava no sofá.
-Boa tarde, por favor, Manuela Gomes?
-Sim, sou eu!
-Olá, querida! Somos da concessionária Morena
Veículos e nos interessamos pelo seu currículo, tem interesse?
-Sim, claro!
-Ótimo, esteja aqui amanhã às 9 da manhã,
tudo bem?
-Tudo sim, obrigada!
-Nada querida, boa sorte!
-Obrigada! Desliguei com sorriso no canto da boca e agradeci a Deus pela oportunidade, coloquei o telefone no gancho e subir pra procurar uma roupa adequada. Assim que minha mãe chegou do trabalho lhe contei e ela, pela primeira vez desde que meu pai foi embora, sorriu e me desejou “Boa sorte”. Pela noite estava na sala vendo TV, e quando senti sono subi a escada meio sonolenta. Quando andava pelo corredor ouvi o choro da minha mãe e me aproximei da porta, ela estava ajoelhada diante da cama, parecia rezar e chorava muito, fechei meus olhos e por um momento pedi a Deus que aquilo fosse um pesadelo, minha mãe estava sofrendo e eu não podia fazer nada.
Cheguei na empresa ainda meio cedo, falei com uma das recepcionistas e me sentei como mandado por ela aguardando minha vez. Não demorou muito pra ela me chamar novamente e me mandar subir, uma mulher linda, loira dos olhos verdes me aguardava na sala. Me sentei olhando fixamente pra ela e começamos a conversar, ela era uma boa pessoa e nos demos bem de cara. Fiz uma redação enorme e como eu era boa em escrever não fiquei muito nervosa, ela fez questão de corrigir na minha frente e me parabenizou pelas palavras, sorri agradecendo-a e ali mesmo ela me disse que tinha passado em seu teste e que começaria no dia seguinte. Após agradecê-la pela oportunidade seguir com outro funcionário pra outro departamento e peguei minha farda, li um contrato e por ser de menor tive que ligar pra minha mãe que em algumas horas apareceu por lá assinando o restante das coisas.
Com as semanas passando dessa vez com mais velocidade peguei amizade com todos na empresa, trabalhava no escritório e adorava o que fazia. O final do ano chegou e eu estava animada pra ir passar com o resto da minha família, insistir muito pra que minha mãe aceitasse e pra minha alegria ela depois de muito “não” decidiu ir.
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