quinta-feira, 6 de setembro de 2012

CAPÍTULO QUATRO.


-Você vai precisar ser forte, seu pai mudou muito desde última vez que o viu, por favor, ele precisa de você, não o negue nada!

Ela me deu um beijo na testa e deu um sorriso amarelo, girei a maçaneta da porta com cuidado e entrei vendo-o rodeados de aparelhos, seu corpo estava magro, e sua boca ressecada, fechei a porta atrás de mim e ele me olhou com apenas uma lágrima caindo dos seus olhos, estendeu a mão pra mim e sorriu.

-Minha menina!
- Papai! Corri em sua direção e pus minha cabeça sobre seu peito, senti seu carinho sobre meu cabelo e fechei meus olhos.
-Me perdoa minha filha, me perdoa!
-Eu perdoou, eu perdoou, mais pra isso o senhor precisa ficar bem!
- Filha, olha pra mim! –Levantei minha cabeça e o olhei, segurei sua mão beijando e ele sorriu. –Perdoa seu pai pelos erros dele, pelas escolhas erradas que ele fez, pelas vezes que deixei você pra ir trabalhar lhe prometendo algo e não podendo cumprir. Perdoa pela vez que esqueci da sua boneca dos sonhos no dia das crianças e perdoa por ter feito você sofrer! Eu te amo muito!
-Eu te perdoou, por tudo pai! Eu também te amo muito! –Beijei mais uma vez sua mão e passei sobre meu rosto percebendo um sorriso amarelo em seu rosto. – Papai, me perdoa também por ter feito essas coisas com o senhor, por ter te ignorado invés de ajudar, e ter ficado do seu lado, fui teimosa, orgulhosa, infantil, me perdoa?
-Eu te entendi desde dia que saí da casa de sua mãe, sei que não fez por mal, queria defende-la, e te admiro por isso. Cuida da sua mãe, termina sua faculdade, case, tenha muitos filhos e sonhe querida, sonhe e lute por cada um deles por mais que pareça difícil, nunca pense que poderá ser impossível!
-Você é o melhor pai do universo!
-E você a melhor filha, tenho muito orgulho de ser seu pai!
-Fica bem papai, por nós dois!
-Prometo!
-Eu te amo! Lhe disse aproximando minha testa da sua.
-Também te amo minha princesa!

Lhe dei um beijo na testa e ficamos ali em silêncio aproveitando cada milésimo de segundos que tínhamos perdidos um com outro durante todo tempo que ficamos afastados. Quando anoiteceu o enfermeiro veio me avisar que o horário de visita havia acabado, me despedi dele e prometi voltar no dia seguinte, ele pareceu feliz e sorriu. Foi difícil pregar o olho, a cena do meu pai não saia da minha cabeça, passei a noite em claro e quando consegui dormir o sol já estava nascendo.

Acordei com a sensação de que havia dormido apenas dez minutos, tomei banho, escovei os dentes e desci já pronta pra faculdade, de lá iria visita-lo, queria passar o resto da tarde com ele. Quando estava descendo vi minha mãe sentada no sofá com as mãos sobre o rosto chorando, senti meu coração acelerar de uma forma extraordinária e me aproximei dela me ajoelhando.

-Mamãe...! A olhei alisando seu joelho e ela balançou a cabeça negativamente.
-Ele se foi!

Senti um seco enorme na garganta e me sentei de vez no chão processando aquelas palavras, tentei por diversas vezes respirar fundo mais o ar naquele momento me faltava, fechei meus olhos e coloquei minha mão sobre meu rosto, dei um grito ensurdecedor e subi para o meu quarto, tranquei a porta e me joguei na cama, não aceitava a morte do meu pai; ele não!

Não queria ir ao velório, me recusava enterrar meu pai e ter que deixa-lo lá sozinho. Após muita insistência do Daniel batendo na porta abri e ele me abraçou forte me fazendo chorar mais ainda, o apertei como se fosse esmaga-lo. Coloquei uma calça jeans preta, uma blusa presta e meu all star. Pus um óculos escuro e fomos junto com o Dan para o cemitério, fui durante todo o caminho calada as lágrimas insistiam em cair.
Chegamos em poucos minutos e desci abraçada com o Dan, olhei aquele cemitério e percebi que parecia mais um jardim, tinha flores espalhadas por todos os cantos e era bastante lindo. Seguimos pra onde seria o sepultamento, já havia algumas pessoas lá, inclusive as meninas que me deram um forte abraço se lamentando pela perda, logo outras pessoas me deram abraços confortantes e o padre começou a falar algumas palavras.

-Descansa em paz papai, te amo muito!

Me ajoelhei como se minhas forças tivessem acabado e não consegui segurar o choro. Dan veio em minha direção me ajudando e seguimos pra casa em silêncio. Me tranquei no quarto e não quis falar com ninguém, foi assim durante semanas, cheguei a pensar em trancar a faculdade e até mesmo deixar o trabalho. Não queria mais sair, mais conversar, mais sorri, mais assistir, só queria ficar deitada na minha cama lembrando das maravilhosas lembranças com meu pai.

Não comia nada, estava magra, e desidratada, minha mãe estava desesperada com aquela situação e já não sabia mais o que fazer, Daniel, Carol e Beatriz por diversas vezes foram na minha casa tentar me ajuda, mais era em vão. Minha mãe chegou a chamar uns psicólogos e vários outros tipos de médicos.  Mais de nada adiantava, estava em depressão e a única coisa que queria naquele momento era meu pai ao meu lado sorrindo novamente.

Fiquei durante o natal e o ano novo, trancada dentro do meu quarto, não queria ver e nem falar com ninguém. Mais após muito minha mãe insistir conversei com uns dos psicólogos que ela levou até lá, lhe contei sobre minha dor, e ele me aconselhou a seguir a vida.

Cinco dias após essa conversa decidi voltar pra faculdade, as meninas me tratavam normal assim como Dan, sorri por poucas vezes e o Dan não saia do meu lado como sempre. Numa quinta-feira estávamos no pátio da faculdade lanchando quando percebemos a Carol chegar dançando alguma música, cheguei a ri e ela se sentou ao nosso lado.


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