terça-feira, 6 de novembro de 2012

CAPÍTULO SESSENTA E TRÊS.


Olhei para ele, pela última vez. Vi ele se afastar arrastado pelo Rober, por ter sido reconhecido. Ele, também me olhava e mantemos os olhares conectados durante segundos, que para nós pareceram horas. Andei, rápido até o vidro e coloquei minhas mãos apoiadas nele, como se aquilo fosse fazer ele voltar. A Bia me puxou, de volta. Me sentando na cadeira e me consolando em seu abraço, enquanto eu chorava feito uma criança. Mais do que nunca eu estava arrependida; não queria ter passado, não queria está viajando... 

Por que, na vida, tudo era tão difícil? Mais tudo tinha um motivo. Talvez aquela distância serviria para o nosso amor aumentar, para que amadurecêssemos, para que percebermos que não vivemos um longe do outro. Eu tinha que achar um lado bom para aquilo tudo, se não eu morreria, aos poucos, por dentro.

Tive que entrar naquele avião, parecia que estavam me levando para uma tortura; eu estava preferindo a tortura, pelo menos nela eu sairia, mesmo muito machucada, e iria para os braços dele. Fui à viagem inteira ouvindo "Meteoro", ela me confortou ao ponto de me fazer dormir. A Bia demonstrava preocupação, mas preferiu permanecer quieta e esperar o meu momento.

Entrei no carro e uma tristeza enorme tomou conta de mim, encostei a cabeça no banco respirando fundo e senti meu coração ficar pequeno ao ponto de parar bombear sangue para o meu corpo. Fechei meus olhos sentindo o carro andando e seguir para o aeroporto, iria pra Belo Horizonte.

Senti alguém me cutucando e quando abri meus olhos era Bia avisando que já tínhamos chegado, me ajeitei na poltrona concertando meu cabelo e levantamos seguindo para o aeroporto. Uma mulher linda, alta nos esperava com uma placa no qual continha nosso nome, ela pra nossa sorte falava português. Seguimos ela que nos levou a nosso apartamento e de lá fomos conhecer o famoso escritório. 

A minha primeira semana em Nova York passou rápido, ainda me acostumava com o fuso horário e com as questões do estágio. Bia continuava animada mais do que nunca e as vezes essa animação dela me arrancava algumas risadas. Todas as noites ligava pra minha mãe e para o Diego, de certa forma matava a saudade deles dois. Luan também me ligava e graças ao fuso horário conseguíamos nos falar pouco.

Os dias seguiam e eu e a Bia já estávamos nos acostumando com o horário, com a comida, com as pessoas e a língua. Era tudo diferente, mas não era difícil de acostumar com os dias e com a nossa rotina. Já nos sentíamos bem e controlávamos bem a saudade. 

Com o estágio conhecemos muitas pessoas de vários lugares do mundo e formamos um grupo, no qual éramos bem unidos e um ajudava ao outro. Conhecíamos pessoas novas a cada segundo. 

Eu estava distraída com a Bia, em uma das tarefas que nos incumbiram de fazer, quando a Bia parou de falar e começou a olhar para nossa frente. Olhei onde ela olhava e vi dois meninos, bonitos e pareciam simpáticos.

-Devem ser daquela outra equipe. Disseram que iam transferir dois, novos, pra cá! Comentei com a Bia que parecia hipnotizada, somente balançando a cabeça, positivamente.
 -Oi, meninas! Um deles se aproximou com sorriso encantador.
-Oi! Sorri.
-O-Oi! A Bia o cumprimentou.
-Meu nome é Gabriel e o do meu amigo aqui é Lucas, tudo bem? Ele me olhava e o sorriso dele era encantador.
-Prazer Manuela e essa é a Bia! Apertei a mão dele.

Enquanto ele cumprimentava a Bia eu reparei nele, ele tinha os traços e os gestos do Dan, e eu fiquei o olhando. Era impressionante como parecia, fiquei o olhando e quase enxerguei o Dan nele. Me surpreendi e meu coração pareceu se assustar, disparou.

-O melhor ainda é que estou no grupo de vocês! Ele sorriu e senti um arrepio percorrer meu corpo, o sorriso era idêntico.
-Ah! Vocês dois? A Bia perguntou.

Eu o olhava, parecia hipnotizada. Todas as lembranças do Daniel vieram com tudo em minha cabeça, foi tudo muito forte que me causou tontura. Eu sempre lembrava o Dan, mas daquele jeito era a primeira vez depois de muito tempo, meu coração estava disparado demais.

-Isso, será que podemos sentar aqui com vocês? Ele me olhou.
-Hã? Claro! Despertei e a Bia me olhou, parecia preocupada.
-Amiga, você tá bem?
-To! Depois te falo! Olhei pra ela.
-Então Manu, a Fernanda me disse que você por essas semanas será minha instrutora!
-O que? Sério? Ah! Ela não me disse...! Mais legal! Sorri.
-Garanto que não dou trabalho, sou um menino legal e aprendo as coisas rápido! Ele sorriu.
-Ah! Vamos ver! Sorri.
-Que sorte eu tenho, além de trabalhar num dos maiores escritórios de NY, minha instrutora é gata!
-Ah! Brigada!
-Mais e ai? Que tal saímos hoje todo mundo pra se conhecer melhor? Lucas propôs segurando a mão de Bia.
-Vamo amiga? A Bia me olhou.
-Por mim...tudo bem! Sorri, percebendo o olhar dela brilhar.
 -Legal, tô dentro! Gabriel sorriu.

Durante o dia eu o mostrei tudo o que eu tinha que o ensinar e o reparei, bastante. A cada hora e segundo que passavam eu notava uma semelhança a mais com o Daniel. Eu fiquei impressionada com a semelhança do Gabriel e com o Daniel, e me assustei ao descobri o quanto o Daniel ainda me mexia, estava presente em mim, fiquei abalada com tudo aquilo.

A noite fomos pra casa, os meninos nos deram uma carona e lá a Bia me fez ajudar a escolher sua roupa, ri demais do seu jeito e fizemos nosso jantar, sentamos na mesa uma de frente pra outra e começamos a jantar em silêncio.

-Você reparou na semelhança do Gabriel com o Dan? Falei pensativa.
-Percebi como você ficou! Ela me olhou séria.
-Não sabia que o Dan era tão presente ainda em mim... As lembranças vieram muito fortes!
-Seus olhos tão brilhando...
-O Dan significa muito ainda...não sabia que ele ainda conseguiria me balançar assim!
-O amor de vocês foi muito forte. Agora você não pode pensar que o Gabriel é o Dan, por que não é!
 -Eu sei... Mais nossa!
-Aonde o Luan entra nisso? Não esquece ele! Ela levantou colocando o prato na pia e se encostou bebendo seu suco me olhando.
-O Luan? Como assim? Eu amo ele...!
-Quem ama não fica em duvida do sentimento, você viu como ficou com o Gabriel? Manu, você ficou branca, até tonta ficou!
-Mais é por causa da semelhança com o Daniel, é diferente! –Levantei levantando e colocando meus pratos na pia. –Eu e o Dan tivemos uma história muito forte, como você mesma falou, é normal eu ficar assim...não é?! A olhei.
-O Gabriel não é o Daniel, o Daniel tá morto Manuela, morto!
-Eu sei... Mais é que... Ah! Esquece! Fui para o quarto.

Fui para o quarto pensativa e a Bia tinha razão; o Gabriel não era o Daniel. Fui tomar um banho demorado, para colocar minha cabeça no lugar, tinha ficado abalada com as lembranças do Dan. Saí e decidida a me divertir naquela noite. Coloquei um vestido preto, estilo tubinho, um salto, igualmente, preto e um casaco, grosso, por causa do frio que fazia em NY. Fiz uma maquiagem leve, mais marquei os olhos. Fui para sala e fiquei esperando a Bia. Depois de um tempo ela apareceu de vestido e com um vestido e um sobre tudo preto, pelo frio.

-Vamos amiga, ai meu Deus o Lucas é um fofo!
-É mesmo! Vamos! Sorri.

Os meninos fizeram questão de nos buscar, fomos pra uma boate conhecida, a noite de Nova York era mágica, e estar ali era um sonho pra qualquer pessoa. Chegando lá entramos e os meninos pareciam conhecer várias pessoas, sentamos em uma mesa no segundo andar bem discreto e pedimos uma bebida, enquanto não chegava Lucas chamou Bia pra dançar e ela sorriu pra mim que retribuir. Ela saiu com sorriso enorme nos lábios e eu a observei se afastar. 

-Mais e ai, tá há muito tempo aqui?
-Tem um tempinho! Sorri.
-Ah, entendi! Eu já morava aqui, passei na terceira tentativa pra esse concurso!
-Ah! Por isso que vocês conhecem várias pessoas, né? Acho que você vai achar engraçado, mas eu não queria passar só fiz por causa da Bia, pra dá uma força a ela... Quando eu vi; eu já estava aqui!
-Meu amigo é dono daqui, ele também é Brasileiro. Nossa, jura? Cara que sorte, na verdade era pra você ter passado, né? Ele sorriu.
-Não sei se deveria...!
-Você tem cara de ser mandona, tô enganado? Ele riu.
-Não sei... depende! Ri.
-Tem namorado, né? Uma menina linda feito você...
-É! Mais é meio complicado...!
-Ele te apoiou a vim? Corajoso né? Ele deve confiar em você!
-Rolou uma certa resistência... Por que corajoso? O olhei curiosa.
-Você é linda, simpática, e ele tá do outro lado do mundo, né? Eu não sei se apoiaria, é meio complicado!
-É! Realmente é complicado...ele não queria, nem eu, mas...uma oportunidade dessas, né?!
-Terminei com a minha, ela não aceitava. Mais meu futuro vem em primeiro lugar, sempre!
-Ah! O olhei e lembrei a minha despedida com o Luan. Bebida um gole da bebida e olhei para a Bia e o Lucas.
-O Lucas gostou de cara da sua amiga, acho que dá certo?
-Ela também gostou! Acho que sim...ela não tem nada que a prenda no Brasil, além dos pais...!
-Também gostei muito de você... Ele me olhou e sorriu mordendo o canto da boca.
-Ah! Também gostei, é um cara legal! Sorri sem graça.
-Qual seu cantor ou estilo de música predileto?
-Luan Santana, conhece? Abri um sorriso enorme, lembrando ele e dos shows; de tudo.
-Já ouvi falar algumas vezes dele, as musicas dele são legais! Ele sorriu.
-É! Deveria conhecer mais...! Sorri.
-Eu amo a banda Mcfly, fui no show deles semana passada, os caras são demais!
-O Lú que gosta também...! Falei pensativa.
-O Lú? Ele me olhou curioso.
-É!...Meu namorado...!
-Como nome dele? Lucas também? Ele riu.
-Não! Luan!
-Nossa coincidência, igual o nome do seu ídolo!
-São a mesma pessoa! Sorri.
-Tá afim de dançar? Ele mudou de assunto.
-Vamos!
Fomos para a pista de dança e começamos a dançar uma música eletrônica, bem agitada. Enquanto, dançávamos eu reparei que ele dançava desengonçado igual ao Daniel e me lembrava ele pelas caras e bocas que fazia.

Rimos demais das palhaçadas do Gabriel, ele tinha um jeito lindo de nos querer fazer ri. Era impressionante como a cada minuto ele se parecia mais com o Daniel, aquilo tudo estava começando a me deixar assustada. Por alguns momentos achei que o Dan tivesse reencarnado nele, acreditava em outra vida. Voltamos pra mesa e ficamos conversando, ele não dava mais indireta e nem tocava mais no assunto, me tratava com uma colega de trabalho, só falava o necessário comigo e ali vi mais um pouco do Dan nele. 

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