sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

CAPÍTULO CENTO E VINTE E NOVE.


Estava no banho e enquanto a água caía sobre meu corpo, deixava a minha preocupação e meu estresse descerem pelo ralo. Fechei meus olhos sentindo a água escorrer por meu corpo, quando sentir ele me abraçar. Sentir o calor do corpo dele me fez arrepiar, respirei fundo e fiquei quieta, queria esperar para ver o que ele iria fazer.

-Há tempo não tomamos banho juntos, né?
-É!
-Não queria atrapalhar seu banho, foi mal! –Ele me soltou saindo do box. –Você vai acabar com nosso casamento, escreve isso ai!
-Vem aqui, vai! –O puxei abraçando forte. –Desculpa!
-O que tá acontecendo com nós dois?
-Não sei...! O olhei triste.
-Não acha melhor a gente dá um tempo?
-Não, não! –O olhei nos olhos. –É o estresse todo de cuidar de uma família. A gente é muito novo e acho que não estávamos prontos para isso. Nós estávamos muito acostumados com nossos pais ao nosso lado e agora a gente que é pai e mãe. Por isso que a gente está desse jeito! Já pensou se nossos pais desistissem também? Talvez a gente não estaria aqui e nossas famílias não fossem o que é hoje... A gente tem que tentar, também, não acha?
-Eu sei, mais quem sabe nos faça bem... ?!
-Não vai me fazer bem e nem ao Dan... Não viu como ele estava comigo e só se acalmou com você?
-Manu... Ele abaixou as vistas.
-Lú, por favor! Alisei o rosto dele.
-Vai ser melhor! Ele se afastou saindo do box pegando uma toalha.
-Amor, não espera! Saí do box, fechando o chuveiro me enrolando na toalha.

Sai do box calado e realmente estava decidido a dar um tempo, estávamos precisando disso pra ter a certeza do que queríamos, que existia amor já sabíamos mais não estávamos dando conta da maioria das coisas. Coloquei a mesma bermuda, e peguei uma mochila começando a arrumar minhas coisas, passaria esse tempo na casa dos meus pais, seria péssimo ficar longe dela e do Dan, mas era necessário.

-Amor, não faz isso, vai! Por favor! Olhava ele arrumar a mochila.

Não a respondi, e nem tive coragem de olhar pra ela, sabia que se isso acontecesse iria ficar, algo me dizia que aquele tempo iria nos fazer bem e até mesmo fazer a ficha cair sobre a responsabilidade que estávamos carregando. Terminei de ajeitar minha mochila e sem olhar pra ela segui para o quarto do Dan pra lhe dá um beijo antes de sair.

-Amor fica, por favor! Não por mim mais pelo Dan... Dorme no quarto de hóspedes, sei lá, mas fica! Te imploro! Não precisa ficar comigo, mas fica com o Dan! Olhei pra ele desesperada na minha última tentativa.
-Se cuida, tá? Ele beijou a minha testa após beijar a testa de Dan e desceu as escadas.

Fiquei o olhando descer as escadas e não tive reação alguma. Olhei para o quarto do Dan e para o nosso e me senti sozinha, foi uma sensação horrível. Entrei no quarto do Dan e deixei lágrimas caírem ao alisar a cabecinha dele. Eu estava tão perdida que não sabia o que fazer.


-O papai vai voltar, tá? Pra te ver, por que a mamãe... Não sei! Chorava e olhava para o Dan.

Entrei no carro jogando a mochila de qualquer jeito e coloquei a cabeça sobre o volante, aquilo que estava sentindo já era uma certeza que eu a amava e não aguentaria viver um dia longe dela. Acelerei o carro com tudo chegando a cantar pneu e segui para a casa dos meus pais. Sabia que meus pais iriam brigar e me dá um sermão enorme por deixá-la sozinha em casa, mas precisávamos desse tempo e sabia que nos faria bem. 


Cheguei em casa calado, desci do carro trancando-o e peguei minha mochila abrindo a porta e dando de cara com a Bruna que me olhou com uma cara de que não estava entendendo minha presença ali. Não lhe disse nada e subi para o meu quarto, tranquei a porta e me joguei na cama, não queria conversar e ver ninguém, aquele momento queria ficar sozinho.

Depois de um tempo chorando calada, sequei minhas lágrimas, grosseiramente, com minhas mãos e carreguei o Dan até nossa cama, para que ele dormisse comigo. Me vesti e colei meu corpo ao do Dan, que se mexeu colocando uma das mãozinhas encostadas a mim.


Passei a noite em claro, não conseguia pensar em nada para se fazer, a penas olhava para o nada, fixamente e me sentia perdida. Preferi pensar que ele estava viajando, para me senti melhor, o que, de certa forma, me confortou, mas não diminuiu minha dor.

Me sentia culpada pela aquela situação e me torturava, quando a isso. Eu só tinha olhos para o Dan e o deixei de lado. Comecei a me xingar por dentro, mas, logo, o Dan se mexeu agoniado, para mamar, e eu o dei mama e depois troquei sua frauda. Senti falta do Luan a cada segundo.

A noite não preguei o olho, estava faltando algo ali perto de mim, senti falta do choro do Dan pela madrugada e fiquei zanzando pela casa procurando algo pra fazer, a Bruna desceu me encontrando e eu acabei conversando com ela sobre o que estava acontecendo, ela não me disse nada até por que não teria o que dizer, apenas me escutou e me deu colo o que foi o suficiente pra me senti mais tranquilo. 

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